18.1.17

Preguiça de gente**




"Ném triste" 
Museu del Modernisme de Barcelona, 2012

Que preguiça eu tenho de gente literal, que não pula porque só mandaram correr. Que se limita a fazer o que se manda, que não arrisca, que não experimenta.

Gente que critica sem argumento, que enxerga apenas defeitos, que tem necessidades vazias de vigiar o outro. Que sempre olha a parte ruim da coisa, que sempre tem uma palavra negativa pra tudo. Que sempre acha que vai dar errado, e faz de tudo pra desestimular o outro.

Gente que usa antolhos* pra enxergar o mundo, que desdenha quem se destaca, que faz pouco caso do que nunca vai ser ou ter. Que desconhece a empatia, que não ouve a opinião alheia sem ter um porém.

Que preguiça eu tenho de gente explicadinha, que responde com frase de superação, [estilo "Deus no controle"] mas que não age com bondade no decorrer das horas, como se Deus não precisasse de nossas mãos para fazerem a bondade visível e palpável.

Gente que não sabe ceder a vez, que no auge da carência precisa ser a primeira da fila no banheiro, na padaria, na vida. Que se acha o último biscoito do pacote, a última coca cola do deserto. Que olha de cima pra baixo, e ainda assim, não enxerga.

Gente que não cumpre o que cobra, que se vitimiza, que alega. Que se justifica no injustificável. 

Que preguiça eu tenho de quem é infeliz por opção. Que preguiça eu tenho de gente que nem é gente.


* Antolhos: acessório que se coloca na cabeça de animal de montaria ou carga para limitar sua visão e forçá-lo a olhar apenas para a frente, e não para os lados, evitando que se distraiam ou se espantem e saiam do rumo.

** Adaptado do post da Marylin no FB, que não adianta linkar aqui porque o post é só para os amigos (dela).

14.1.17

Do primeiro por do sol do ano

Foto: Nancy Duque, Tati Bove ou Paulo Cruz,  jamais saberei.

"Tudo é uma questão de manter
A mente quieta,
A espinha ereta
É  o coração tranquilo."

Mas cadê  que isso é fácil??? A mente gira a mil por hora, a coluna esqueceu como é que precisa ficar. E o coração?  Esse está indócil e se recusa a ficar tranquilo.

Da memória

"Minha vida se faz ao ser contada e minha memória se fixa com a escrita; o que não ponho em palavras, no papel, o tempo apaga."ALLENDE, Isabel. Paula. 1994.
Cada vez mais tenho certeza disso. E por isso escrevo... por isso fotografo e coloco legendas... ainda que tenham significado apenas para mim. 

Gosto da permanência das coisas na memória. Talvez seja por isso que não me encantei pelo Snapchat e nem pelo Stories do Instagram. 

Qual o sentido em compartilhar algo que tem um prazo de validade tão curto? Se é pra mostrar, mostro de forma que possa retornar ali quantas vezes desejar.

Minha vida registrada online serve para me trazer recordações, para me dar motivos de sorrir ou chorar, mas sobretudo para provar que vivi. Aqui no blog e no Instagram mais do que no facebook, onde um algorítmo louco mistura e esconde as postagens, serve para eu me reconhecer e me reinventar a partir do que já fui.


Tentando descobrir que rumo tomar na vida. (Praia de Sibauma-Pipa RN, nov/16)