1.3.17

Quarta-feira de cinzas


O Dr. Terapeuta me pediu pra anotar os sonhos (loucos e cheios de detalhes) que tenho, pra conversarmos nas sessões semanais. [Sonhos daqueles que a gente tem dormindo, não "sonhos" no sentido de desejos distantes.]

Anotei dois e mandei por email antes da última sessão.  E na noite seguinte à  nossa conversa, tive um outro que queria deixar registrado aqui, cês sabem que eu releio mil vezes o que escrevo...


Então lá vai. Vou suprimir a ambientação e outros detalhes e deixar só a ação. 😉

Nesse sonho eu percebi que tinha algo errado nos meus dentes. Passava a mão e sentia que saía uma casquinha, como casca de milho de pipoca. Logo em seguida, outra.  E mais outra.  Eu guardava tudo na mão,  pra tentar examinar e descobrir o que era, mas não conseguia enxergar direito, eram muito pequenas e quase transparentes.

Depois começaram a sair outras, maiores e mais grossas.  Comecei a ficar com medo de serem pedaços de dente... mas entendi que eram restaurações (obturações ) feitas, que estavam caindo. Continuaram a ficar cada vez maiores e já dos tamanhos dos dentes. Eu já não conseguia segurar e comecei a jogar fora.

Percebia que eram coisas que haviam sido colocadas em meus dentes e estavam saindo.... tinha medo de não sobrar nada, mas passava a língua,  fechava a boca e sentia que estava tudo no lugar.
Isso demorou bastante, e parecia que nunca ia acabar.

Quando acordei, antes de escrever, já identifiquei a simbologia do que sonhei. E mesmo antes de conversar com ele, deixo aqui o registro da minha percepção. Talvez eu complemente depois da sessão de análise.

As coisas que saiam da minha boca eram coisas que haviam sido colocadas (por um dentista, por minha vontade, para o meu bem...) mas caíam e eu pensava que isso era ruim, mas de fato não me faziam falta, os dentes continuavam lá...

Entendi que  são como as máscaras,  que a sociedade me impele a usar, e que na verdade eu mesmo decido... achando que é o melhor. Mas quando elas caem, não tenho prejuízo algum e meu "original" continua lá.  😉

Meu subconsciente ou inconsciente,  sei lá qual dos dois trabalha enquanto sonhamos, sabe que é necessário ser EU, sem máscaras,  livre... mas cadê que eu sei como fazer isso???

*** Trilha sonora para o momento:  Novo Amor ***

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval.

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou.

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor!

(Esse novo amor precisa ser por mim mesma!)



27.2.17

O que voce quer saber, de verdade?


"Vai sem direção, vai ser livre!
A tristeza não, não resiste.
Solte os seus cabelos ao vento, não olhe pra trás.
Ouça o barulhinho que o tempo no seu peito faz.
Faça sua dor dançar!
Atenção para escutar esse movimento que traz paz:
Cada folha que cair, cada nuvem que passar...
Ouve a terra respirar pelas portas e janelas das casas.
Atenção para escutar o qe você quer saber de verdade."

(Marisa Monte)

Porque a música me traduz. Porque as questões tratadas na terapia ficam martelando na cabeça entre uma sessão e outra.

24.2.17

A luz acesa na garagem

Eu nunca havia percebido, até o dia em que ele falou: "Todos os dias que eu vejo que você saiu à noite, deixo a luz da garagem acesa, para quando você chegar. Quando vir aquela luz acesa, saiba que estou orando por você, para que você chegue bem em casa."

Isso foi há alguns anos... e todas as vezes que eu chegava em casa, voltando do trabalho, às 23h, recebia o amor que fluía por aquela lâmpada acesa na garagem.

Contextualizando: Tenho paúra de escuro, não me sinto bem quando está tudo COMPLETAMENTE no breu. Só quem me conhece bem e que me ama, faria algo assim. Os instantes entre sair do carro e acender a luz são angustiantes... e eu deixo os faróis do carro acesos enquanto chego ao interruptor na parede.

Hoje não encontro mais  a lâmpada acesa. Meu pai não desce mais para fiscalizar se a porta da rua está fechada e acender a luz enquanto ora por mim. (Eu sei que ele ainda ora, mas não pode mais descer as escadas). E a cada vez que chego em casa à noite, eu é que agradeço por ainda encontrá-los em casa.

Ontem cheguei mais cedo, atendendo ao chamado da cuidadora... minha mãe havia tentado levantar sozinha, quase caiu... e enquanto a mensagem era enviada, a menina traquina fez travessura novamente.  Subi as escadas voando, e me senti a própria diretora da escola ao pegar um aluno pra conversar, após um mal feito. Quando perguntei "o que houve?", ela me respondeu: "aquela cadeira lá estava torta... e eu levantei pra consertar. Quando vi, já estava caindo." Não adianta... ela não compreende, não "realiza" que não pode simplesmente ir levantando sozinha... como deve ser difícil se sentir assim, ou nem ter essa consciência... :(

Mas enquanto eu conversava com ela, explicando que TINHA que chamar a cuidadora e pedir que ELA arrumasse a cadeira, os olhinhos se perderam... e ela já nem me ouvia. Ele chegou, tinha ido escovar os dentes depois de jantar, e como entende melhor as coisas, pedi o apoio dele, na conversa com ela.

Ah, que frustração...  Depois de eu fazer um discurso sobre o valor de "ser cuidado", o amor que com que nós estávamos ali, fazendo o que precisasse... ele me sai com 4 pedras na mão, entendeu tudo errado, ou melhor, não entendeu nada do que eu falei, foi horrível. Ontem foi dia de mais um aprendizado: Não falar "parágrafos" extensos. Frases curtas, e esperando resposta, são essenciais.

Depois de ele se desestabilizar, não consegui mais nada. Eu também fiquei fora do prumo, e a solução foi sair de perto, e deixar a cuidadora tentar acalmá-lo. Só depois que subi e fui mastigar o acontecido foi que cheguei à conclusão acima, sobre o tamanho da fala. E tantas outras coisas que só descubro depois, tão depois...

E assim mais um dia se passa, mais uma  vez paro pra registrar o quanto é complicado viver. A canção de Ana Vilela, que viralizou há alguns meses é perfeita para o momento:


Trem-bala

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si,
É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti.
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz,
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós...

É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito,
É saber sonhar!
E, então, fazer valer a pena cada verso daquele poema 

Sobre acreditar!

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu,
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu.
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações,
E assim ter amigos contigo em todas as situações.

A gente não pode ter tudo. Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim!

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar,
E sim sobre cada momento e sorriso a se compartilhar.
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais,
Porque quando menos se espera, a vida já ficou pra trás...

Segura teu filho no colo, sorria e abraça seus pais, enquanto estão aqui!
Que a vida é trem-bala, parceiro... 
E a gente é só passageiro, prestes a partir!...



video
(Dos muitos vídeos que já recebi desta canção, este chegou hoje. E foi especial.)