24.4.17

Espiral.



É a música de Monique Kessous, que me fez refletir, e tentar me entender um pouquinho mais... 

Estou me sentindo esse caco natural, desse mundo imenso... e com muitos outros mundos dentro de mim. Bateu uma tristeza sem tamanho, como se um pressentimento ruim fizesse valer a azia provocada pela ansiedade. Gostei de sentir isso não.



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"eu sou outro caco natural
do mosaico caracol
que costura um mundo só.
quebro a cabeça
pra saber me encaixar
nesse tempo e lugar
que não gira à toa.
dentro do mundo há um mundo,
dentro de mim eu estou.
cada passo é um segundo
do que serei, do que sou
porque já não me interessa
saber se eu estou mais perto do centro:
toda parte da espiral é dentro."




23.4.17

Precisamos falar sobre...

Sobre qualquer coisa. Precisamos falar. E vou começar pelo que deveria ser o final, a conclusão dessa contínua conversa comigo mesma, que é este blog: Se "engolirmos" sentimentos, emoções, pensamentos, sonhos... podemos morrer engasgados. Precisamos falar.

Não precisa ser sobre algo específico... nem necessariamente profundo. Mas quando falamos sobre banalidades, deixamos entrever nossa profundidade. Aparecem na conversa os nossos sentimentos, nossas crenças, nossas preocupações, nossos sonhos, mesmo que não sejam o assunto principal. E é por isso que nos procedimentos terapêuticos (de psicanálise, psicologia e afins) somos estimulados a falar. Falamos sobre o que há na superfície, para que um profissional perceba o que está mais pra baixo. Águas tranquilas às vezes escondem vulcões.

Mas além da palavra falada, terapêutico pode ser também soltar a palavra escrita. Em tempos de intenet, está cada vez mais fácil falar/escrever e ser ouvido/lido. Danado é filtrar o que é pra se dizer a todo mundo e o que fica disponível pra qualquer um. E haja escrever e apagar, trabalhando as entrelinhas...

Ultimamente estou falando menos. Seja ao vivo, seja na escrita. Salvo alguns momentos intensos e catárticos, como numa das noites passadas em Ouro Preto, num papo com Lile que varou a noite... tenho soltado menos das coisas mais importantes de mim. E sinto falta disso. Mas confiança é artigo cada vez mais raro, e assim vou levando a escuta terapêutica formal e informal com mais parcimônia.

De toda forma, sigo falando/escrevendo, de mim, de minhas dores e mazelas, sonhos e alegrias. Com ou sem entrelinhas.  Sem isso, não serei eu.

"A palavra é o único modo de elaborarmos. Com aquilo que vira palavra podemos fazer algo. Mas aquilo que não vira palavra, nos faz refém dos acontecimentos." (Ana Suy Sesarino Kuss)



15.4.17

Da saudade e do que fazer sobre isso

Hoje é meu aniversário (de novo - e mês que vem tem outro). Hoje é meu aniversário de ser mãe. 29 anos atrás, eu amanheci na maternidade Santa Helena, rindo e brincando, como se fazer uma cesárea não fosse nada - e pra mim, realmente não foi. Entrei no centro cirúrgico andando, rindo e entregando minha câmera fotográfica para a irmã Edimèe fotografar, com as seguintes recomendações: "Tem dois filmes de 36 poses cada. Não economize!" - Ela não economizou, e as fotos do parto de Line poderiam figurar na Pais & Filhos como a reprodução completa e perfeita de uma cesárea.

Às 9:40h estava com minha filha no peito, ainda no centro cirúrgico. Não me perguntem como isso aconteceu, em 1988, mas ela mamou desesperadamente enquanto Dr. Viriato e Dr. Slaibi me costuravam. Era uma sexta-feira, e só tive alta no domingo à tarde. Lá, somente meus pais, o pai dela, Rosane e Glaide, amigas que "seguraram" as visitas, com toda firmeza, já que eu optei por não querer "enxame de gente" no hospital. Rosane dormiu comigo as duas noites, trocou a primeira fralda dela e me dengou (como fez durante toda a gravidez) como só a melhor amiga pode fazer.

Acho que posso descrever esse 15 de abril com todos os detalhes, mas o que mais me marcou foi olhar para ela pela primeira vez e me ver, ali. Reconhecer naquele pacotinho de 2,280g o bebê que eu fui, parecia xerox das fotos que tenho, de quando tinha 24h de nascida (sim, minha mãe contratou fotógrafo para a maternidade, em 1965! Eu tenho histórico com fotografia!!!) Eu olhei pra ele e achei que era eu... e entrei em pânico imaginando que eu seria minha mãe. Naquele momento jurei pra mim mesma que NÃO SERIA. Que meu relacionamento com ela seria limpo, transparente e sem as manchas que existiam entre minha mãe e eu.

Claro que nem tudo foram flores nas primeiras horas... mamar o tempo todo fez com que meus seios ferissem, além de me deixar exausta. Ela já nasceu "acesa", e resolvida a não ficar no berço. Queria colo, aconchego, e eu estava absolutamente pronta a dar, sob todos os protestos de que eu ia "viciar" no colo. Mas olhar aquela coisinha minúscula que só segurávamos com um travesseiro embaixo, e depois no porta-baby, me desarmava. Ela era minha e eu era dela. E foda-se o mundo! (Na época, eu jamais cogitaria em verbalizar isso, mesmo que o sentimento fosse exatamente esse.)

Vivemos emocionalmente uma para a outra em regime de exclusividade, mesmo que eu tivesse precisado voltar a trabalhar dois meses depois, e voltasse correndo pra casa a cada duas horas, para amamentar. Benesses de morar em uma cidade minúscula, onde nada é longe.

Corta para 2017. Ela mora há 2.000 km de distância desde que completou 18 anos. E de lá pra cá, pouquíssimos aniversários, dela ou meus, pudemos estar juntas. A cada ano eu reajo de uma forma... Às vezes faço extensas declarações de amor, no blog ou em redes sociais... às vezes tento sublimar, fingindo que 15 de abril é um dia qualquer. Não sei o que fazer este ano.

Sentir saudade é uma merda. Sentir saudade e não poder fazer nada a respeito, é uma merda ainda maior. Sentir saudade e tentar abafá-la é desesperador. Sentir saudade e imaginar se a outra pessoa também sente ou se não está nem aí é violentamente doloroso.

* Respira *

* Suspira *

* Chora * - Não, não chora, que as lágrimas estão fazendo greve.

* Aceita *

* Agradece *

* Segue a vida *


Sem fotos, pra não piorar a situação.