15.2.17

Papo reto - com update

Porque hoje não estou com paciência para entrelinhas.

A barra está pesando mais a cada dia. Tudo que tenho feito pra "me ajudar" está sendo útil sim, mas não resolvendo de verdade.

Mamis toma medicação anti psicótica há 5 anos, e, claro, existem os efeitos colaterais. Um deles é um tremor estilo Parkinson, que é  "cortado" por outro remédio.  E vamos levando, porque é  melhor um tremorzinho do que um surto, com alucinações e tudo o mais.

Com as medicações (que são muitas e caras) ela vive relativamente bem, mas a cabeça não está 100% (acho que não está nem 50%) e ela se esquece de quase tudo do passado recente, repete muito um assunto, fala coisas sem sentido, se apega a uma determinada expressão da fala de alguém (e isso ela não esquece), enfim, o dia a dia com ela é  mega cansativo emocionalmente.  A parte do trabalho braçal as cuidadoras fazem. Mas esse cuidado e controle das emoções dela sobra pra mim e é difícil,  minha gente. Muito difícil.

Sem falar que eu sou filha única e TODAS as decisões da família estão na minha mão.  Se eu acertar,  ok, não fiz mais que minha obrigação.  Mas se eu errar... o mundo vai em cima de mim. Administrar nunca foi uma das minhas funções favoritas. Na verdade, com toda a minha desatenção e desorganização,  administrar é  mesmo muito difícil.  E desde fevereiro de 2016 caiu uma "empresa" nas minhas mãos.  São 6 pessoas trabalhando direto (incluindo cuidadoras 24/7) além de médico,  fisio, e demais serviços domésticos como comprar gás,  água,  remédio$$$, mercado... enfim, não sobra muito tempo nem neurônios para eu usar comigo mesma. Mas como eu tento, termino ficando cansaaaaaada o tempo inteiro.  Até meu sono está atrapalhado, mais do que sempre foi. Durmo com o celular do lado, e o software que controla as câmeras de vigilância aberto, pra  dar conta de socorrer , caso aconteça alguma intercorrência durante a madrugada.  E isso não é incomum.

Nos últimos dias, os tremores aumentaram muito, a ponto de ela não conseguir falar nem se alimentar sozinha. Não controla os músculos e ontem à  noite até o aparelho respiratório foi afetado. Não dormi a noite inteira,  vigiando pela câmera, para socorrer se algo mais sério acontecesse.

O pior é que meu pai fica aflito com essa situação,  e tenho medo de que ele morra até antes dela só de vê-la nessa situação.  Acalmar os dois está difícil,  e pra me acalmar não sei como faz. Pensei que desabafar aqui, sem segredos, pudesse ajudar. E pelo.menos consegui deixar vazar algumas lágrimas enquanto escrevia. Desculpem, pessoas.



UPDATE - Em 20/02

Acreditem ou não,  a coisa conseguiu piorar, antes de melhorar.  O Dr. Geriatra veio fazer uma consulta in loco (as últimas estavam sendo "terceirizadas", eu sendo o elo entre médico e paciente) e achou que ela estava inchada... nós achando que ela estava gordinha por não fazer praticamente nada a não ser comer, dormir e ficar sentadinha na sala.

Pediu exames de sangue e constatou que ela estava do deficiência de sódio e era isso o que estava causando o inchaço,  os tremores e a confusão mental.

Assim, passamos 3 dias com acompanhamento de uma técnica em enfermagem que controlava a administração de soro com ampolas de sódio do jeitinho que o médico prescreveu. A agonia de estar com o braço preso e as veias "cansando" e  perdendo o acesso... foi muito duro.

O bom da coisa é  que esse furdunço todo teve um desfecho positivo. Ela já está quase em ordem e o carrinho da montanha russa pelo menos parou de descer. Agora, pelo jeito, deve dar uma subidinha!

11.2.17

Corsário

Das canções que mais refletem minha essência. João Bosco podia estar pensando em qualquer coisa (sim, eu sei que estava), mas eu  assino a letra usando o sentido literal. Meu coração tropical está banhado de neve... vou partir a geleira azul da solidão, e buscar a mão do mar, me arrastar até o mar, procurar o mar!
Meu coração tropical está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve "mar".
Bendita lâmina grave, que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais.
Roseirais, Nova Granada de Espanha...
Por você, eu, teu corsário preso,
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar.
Me arrastar até o mar, procurar o mar!

Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar,
Meu coração tropical partirá esse gelo, e irá
Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar...
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar...
Não sei o que está acontecendo comigo, em mim... mas a necessidade de "realizar" o verão, o sol, o calor, está sendo IMENSA. E não se concretiza. É como se estivesse presa numa fenda do tempo, em que eu estou aqui, mas meu Eu não está. Estou ausente dessa realidade em que vivo, desde o dia do acidente na estrada, quando entrei em estado de choque. É complicado explicar, é complicado falar disso, é mais complicado ainda entender. Recomecei a terapia [com um psicanalista sei lá de que corrente], por conta disso. Mas a coisa não está fluindo no sentido de resolver esse problema que eu enxergo. Ele tem tocado em outros aspectos da vida, tem sido bom, mas... queria mesmo era resolver esse cumbulus nimbus que está me prendendo e não deixa o sol entrar.

2.2.17

Dias estranhos...

Se for olhar "no detalhe"... algo está errado. Porque dias de verão não deveriam ser pesados. O verão nasceu pra ser leve, solto, e em paz. Mas não está sendo. São tantas ausências e tantos desencontros, que, definitivamente, dentro de mim, não é verão. As cores, o sol, o vento fresco... não estão "funcionando" para aliviar meu coração.

É aquela velha aflição no peito, aquele sono difícil (à noite), aquela angústia inexplicável... que no fundo, no fundo, eu deveria saber o motivo, mas não sei. Ou insisto em não saber.

Queria pensar que esses dias estranhos não são reais, são só um pesadelo. Que as notícias ruins vindas de todos os lados, de perto e de longe, que mexem comigo, com os meus, cazamigas, com o país e com o mundo sejam somente o roteiro de um filme mal escrito. Mas, infelizmente, estou acordada, o país está em crise, o mundo está ao contrário e ninguém reparou, tem gente morrendo, perdendo o emprego, adoecendo, casais se separando,  falência em todos os sentidos, tá f@$%.

Não me animo em fazer planos, menos ainda em sonhar. Viver cada dia tem sido uma vitória. E sinto falta de mim. Daquela viajava em todos os sentidos da palavra. Daquela que ria mais, que achava graça em coisas simples e não tinha uma sombra no olhar. Daquela que se fotografava e gostava do resultado. Não gosto de ficar analisando o sorriso da foto e pensar: "tá na cara, pra todo mundo ver, que esse sorriso é fake", mesmo que os outros, tão ligados em si mesmos, não façam ideia de que é fake mesmo.

Aí no meio desse reboliço que inclui implantes dentários (que doem na boca e no bolso), bem uma brisa suave em forma de corte de cabelo nasaos de uma amiga querida que não encontrava há anos.

Obrigada, Daneth,  por alterar o estado  do meu exterior e do meu interior também!