…porque o nosso lado é o mesmo lado de todo o mundo.
Sociólogo espanhol, esteve em São Paulo na última terça-feira, 11/06/2013 para falar no evento “Redes de indignação e esperança”. Enquanto ele falava, aconteciam as manifestações na Avenida Paulista. Ao ser questionado pelo público sobre o que estava acontecendo, sua resposta não podia ser melhor do que foi.
“Todos estes movimentos, como todos os movimentos sociais na história, são principalmente emocionais, não são pontualmente indicativos. Em São Paulo, não é sobre o transporte. Em algum momento, há um fato que traz à tona uma indignação maior. Por isso, meu livro se chamaREDES de indignação e de esperança. O fato provoca a indignação e, então, ao sentirem a possibilidade de estarem juntos, ao sentirem que muitos que pensam o mesmo fora do quadro institucional, surge a esperança de fazer algo diferente. O quê? Não se sabe, mas seguramente não é o que está aí. Porque, fundamentalmente, os cidadãos do mundo não se sentem representados pelas instituições democráticas. Não é a velha história da democracia real, não. Eles são contra esta precisa prática democrática em que a classe política se apropria da representação, não presta contas em nenhum momento e justifica qualquer coisa em função dos interesses que servem ao Estado e à classe política, ou seja, os interesses econômicos, tecnológicos e culturais. Eles não respeitam os cidadãos. É esta a manifestação. É isso que os cidadãos sentem e pensam: que eles não são respeitados.”
#ChangeBrazil. Esta é a Hashtag que começou a vibrar na rede, depois dos protestos desta semana.
Com toda a minha moleza e morando no interior, não me envolvi nos protestos ao vivo, mas estou incomodada com tudo isso. Não sei se estou em condições de escrever, de botar pra fora o que me arde no coração, mas não posso ficar calada.
E os protestos não são “por vinte centavos”, não. Os vinte centavos são somente a gota d’água que fez transbordar o copo. Impostos excessivos sem retorno em atendimento das necessidades básicas que são garantidas pela Constituição Federal, e nem em sonho existem de fato. PEC das Domésticas que, em vez de garantir direitos às empregadas domésticas gerou foi desemprego (digo isso porque eu tinha uma empregada com carteira assinada, 13º, férias e tudo… agora tenho uma diarista duas vezes por semana – a mesma pessoa, que perdeu o pouco que tinha, e eu também). Aumento de tudo nessa vida, menos dos salários de quem REALMENTE trabalha, e não é só o mínimo, não, é salário de professor do ensino superior (novamente eu legislando em causa própria). Enfim, é coisa demais pra se reclamar, não são só meros vinte centavos.
A gente confia e vota, pra depois os eleitos tomarem atitudes diametralmente opostas ao que foi prometido em campanha, e isso já é visto como normal. É comum, mas NÃO É NORMAL!!!
Por isso tudo e muito mais, eu estaria na rua também. Levando flores e vinagre.
A Primavera Tupiniquim está acontecendo, e eu não quero ficar de fora. Faço meu barulho aqui, e chamo pra você fazer também. O mundo precisa nos ouvir, precisa saber o que está acontecendo de verdade nesse país que vai sediar a Copa do Mundo da Fifa, as Olimpíadas e hoje deu início à Copa das Confederações.
Transcrevo aqui, com a devida autorização, o desabafo de minha amiga Karine Pacheco no Facebook:
Porque, quando eu vejo protestos como os últimos, eu penso que o que a polícia devia mesmo fazer era largar todas as armas, a estupidez e a ignorância no chão e passar para o lado do povo, o mesmo povo ao qual pertence. Essa seria a hora de desobedecer ordens, de peitar os superiores, de lembrar que também é povo, que recebe um salário de merda pra colocar a própria vida em risco todos os dias ou senão se submete às propinas da bandidagem pra lucrar um pouco mais em cima desse mesmo povo que ta aí, finalmente indo às ruas gritar por seus direitos, dar a cara a bater (e como!) pra se fazer ver e ouvir.
A questão não é o aumento da tarifa, é muito mais que isso. A questão é que cansamos, todos cansamos. Menos a policia, ao que vejo, que não se cansou de continuar do lado errado. O arcaico ditado "a união faz a força" e o velho bordão "o povo não sabe a força que tem" não foram criados à toa, mas permanecem inutilizados por uma nação inteira que prefere manter-se alheia aos grandes problemas e continuar sobrevivendo de pão e circo, sempre. A dura lida diária é esquecida ao primeiro som da globo anunciando o próximo jogo. Todas as mazelas são lindamente maquiadas ao primeiro toque dos tamborins de carnaval.
E assim vamos empurrando com a barriga, fazendo a bola de neve crescer e descer ladeira abaixo, sair do morro e ir para o centro gritar, esbravejar, apanhar, bater, machucar. Admiro profundamente aqueles que podem e tem a coragem de protestar, de lutar e de fazer a sua parte. São esses mesmos, criticados por uma população alienada que só enxerga e ouve o que passa na tv, que fazem a diferença no mundo. Foram pessoas assim que transformaram nosso país numa democracia. Capenga, mas ainda assim uma democracia, onde eu posso vir aqui e escrever o que sinto e penso sem ter em seguida alguém batendo na minha porta pra me levar presa, torturar e matar pelo fato de exercer meu livre pensamento. São pessoas como essas, que estão protestando pela tarifa do ônibus ( e elas sabem a diferença que esse preço faz e a gota d'água que é), que fizeram as grandes e as pequenas revoluções, e eu espero sinceramente que mais uma esteja começando.
Se fosse possível uma máquina do tempo para voltarmos e impedirmos que Cabral e sua primeira corja se alojasse aqui e pra cá mandasse toda pior espécie de lá, talvez impedíssemos que esses descendentes ordinários e corruptos que ocupam o poder hoje destruíssem tudo que temos por aqui.
Por último estão destruindo toda a dignidade que ainda nos resta. O amor próprio. A esperança. Quem sabe assim, quando não tivermos mais nada a perder, todos teremos de coragem de ir às ruas, de fazer o que tem que ser feito, na hora que tem que ser feito. De lutar. De não se render.
Esqueçamos o futebol, adiemos a copa, expulsemos a tiros de borracha ou de canhão, se for preciso, todo esse bando de sanguessuga que acaba cada vez mais com a gente. Eu quero um Brasil do presente; chega de achar que somos o futuro. Meu protesto é singelo, é um lençol branco na janela, mas existe. Espero que o próximo não tenha que ser jogar a toalha.
Eu ia postar um monte de coisas… sobre os protestos que eu não vi – só li; sobre minha última aula do semestre; sobre uns trabalhos extras que tenho feito; sobre as flores que estão vencendo a briga contra o inverno no meu jardim-de-varanda; sobre minha volta ao pilates; sobre a viagem que vou fazer semana que vem; sobre o fato de eu ter – finalmente – uma conexão que me permite assistir temporadas inteiras de séries online (Revenge foi a primeira)… mas algo sobrepujou toda a minha sede de escrever.
O último post foi no dia 2 de junho – hoje é 14 – e esses 12 dias sem posts comprovam que estou na moleza-leseira-maresia-(insira aqui o termo regional que descreve o desânimo amplo, total e absoluto) que parece nao ter fim. Mas só parece. porque terá.
O caso é que fiz os exames de rotina para verificar as taxas de glicemia, colesterol e afins… incluindo as taxas dos hormônios da tireóide. E o TSH que deveria estar entre 0,5 e 5 estava em 22,919 (google this).
E enquanto eu assistia Revenge online, pude testemunhar a vingança dos hormônios, que me jogaram na chon, com golpes de jiu-jitsu, sem chance de defesa. Cabelo caindo e embranquecendo aos montes, unhas quebrando, memória reduzida em 400%, metabolismo devagar-quase-parando, sono mortal 24 horas por dia… e a certeza de que somente depois de 14 dias de dosagem aumentada da Levotiroxina é que o organismo vai começar a reagir. Thanks God, só faltam dois.