4.12.17

Dezembro

Já faz (ou fazem, sei lá) alguns anos que não gosto de dezembro. Havia um motivo inicial, mas depois outros dezembros foram chegando e trazendo seus próprios motivos de me fazer desgostar.

Mas decidi que esse ano vai ser diferente. Não tão  diferente que me faça decorar a casa com motivos natalinos, mas diferente no meu sentimento interior.

Desde a semana passada estou com uma ânsia de renovação da energia, do astral da minha casa. Foram tantas coisas quebrando (portão da garagem,  ar condicionado, bomba d'água,  modem, além de cupim na estante da sala e num móvel do quarto/escritório...) que me deu a sensação de que precisava fazer algo pra transformar isso e LOGO. No começo de dezembro.

Com minha absoluta incapacidade de manter as coisas arrumadas, e sem ajuda profissional de uma secretária do lar,  o ano  se passou e acumulei "porcaria" demais. Isso começou a me dar uma angústia, vontade de praticar uma sessão descarrego (que é  mais potente do que uma sessão desapego) e sair me desfazendo de tudo que não tem função específica (prática ou afetiva), para deixar o ambiente mais leve, limpo e pronto para receber 2018 com espaço para tudo de bom que ele trará.

Coisa foi ficar sentindo esse desejo, e ir procrastinando, sempre deixando pra amanhã.  Hoje não deu mais pra suportar, e apesar de amanhã começar uma semana punk com compromissos fotográficos intensos de segunda a segunda... passei o domingo enchendo sacos de coisas para lixo ou doação.

Confesso que a casa ficou mais bagunçada do que estava, pois só consegui fazer a seleção do que vai embora e ainda não arrumei o que vai ficar. Mas meu coração já está bem mais leve. E amanhã a diarista vem e vai fazer a parte que eu não fiz - arrumar.

Enchi 4 sacos gigantes com uma bagaceira inenarrável de papéis,  coisas inúteis e velharias desnecessárias... que me fizeram lembrar de quantas vezes resolvi tentar aderir ao minimalismo. Não sou daquelas que compra demais... mas sou das que fica achando que "um dia vou precisar disso" e a coisa vai ficando. Até perceber que já se passaram 5 anos e não usei aquilo, ou não li aquele livro... tomo coragem e me jogo no desapego.

Então esse dezembro começou me fazendo leve... me permitindo sorrir e desfrutar do prazer de me apegar apenas ao que me deixa sorrindo à  toa, especialmente quando o que me deixa com cara de boba não é algo que ocupa espaço na casa, mas somente no coração e nas memórias.

Queria ter tirado fotos de tudo isso que fiz hoje, mas não tirei. Nem da lua cheia que está um escândalo no céu... mas no meu coração estão gravadas as imagens que tornaram meu dezembro diferente dos últimos anos. 😉

29.11.17

12 anos, ou Sobre o Tempo

Em cerca de meia hora este blog completa 12 anos, um adolescente. Lembrei o dia inteiro, mas  não tive condições de parar para escrever, embora tenha ficado boa parte do dia no notebook, editando fotos. Enfim, estou começando antes da 00:00 H do dia 29 de novembro, pra ver se consigo publicar assim que "virar" a data no calendário.


A motivação de ter um blog foi uma... hoje ela é outra. Comecei escrevendo para mim, mas com a intenção explícita de que alguém mais lesse. Hoje isso está bem mudado. Escrevo para me registrar, para ME lembrar do que sinto, do que passo, do que vejo, do que me importa... E nem sempre desejo que outras pessoas leiam. Quando quero, mando o link para alguém, de acordo com o interesse do post. Poucos são os leitores que vêm por conta própria, embora eu continue deixando um tweet automático a cada postagem.

Já fiz festas lindas aqui... o primeiro ano foi com amigos blogueiros convidados,um para cada mês do ano que findava. Outros anos (veja os marcadores aí do lado --> ) foram celebrados de maneira mais intimista, e teve até ano que esqueci, só lembrei no dia seguinte. No fim das contas, acho que cada celebração foi condizente com minha fase de vida, e é assim que tem que ser. Este blog não tem um tema específico, não tem regras, não tem pauta pré-definida (é a minha própria Reuters), e me dá a real dimensão de quem sou e como estou.

Ultimamente tenho pensado bastante sobre o tempo, e sua passagem. Nada novo, (como diria Saló, o grande sábio, nada de novo sob o sol), mas a reflexão é sempre válida. Outro dia, postei no facebook:
"O tempo é mesmo uma coisa louca. Fui a Aracaju fotografar a chegada de Mariana, e fiquei lá por uma semana depois que ela nasceu. Voltei e já aconteceu tanta coisa... quando olho no calendário... ainda não tem nem um mês. Na verdade, mal tem 15 dias que voltei. Esse novembro está mais parecendo agosto..." 
O que faz a gente sentir que o tempo está demorando a passar? Uma espera? Decisões em suspenso? Atividades que não são exatamente super hiper mega power prazerosas? Problemas? Ou tudo isso junto?

Porque quando a gente está em paz, satisfeita e feliz, o tempo é um ladrão. Sai correndo, e a gente nem percebe que ele passou. 

Tem pessoas que eu gostaria de ver todo dia, e passo meses sem conseguir dar um math nas agendas pra a gente se ver. Outras chegam a ser anos, por motivos de milhares de Km entre nós. E outras, tão perto, continuam distantes, inda que vendo todo dia. Einstein é que tinha razão: tudo é relativo.  O tempo passa, na velocidade que quer... me deixa esperando por horas que parecem séculos e me faz perder o trem por minutos de desatenção. Provoca prazeres inesperados e intensos, decepções igualmente inesperadas e intensas... Faz com que o espelho me mostre imagens diferentes a cada vez que olho pra ele.

O tempo faz mudar as prioridades, os valores, as motivações. Por isso é sempre bom fazer um balanço  do que se quis e do que se quer, do que se acreditava e do que se acredita, do que se tinha medo e do que se tem... do que se fez e do que se quer fazer.

Nos últimos dois anos minha vida mudou radicalmente. Umas coisas melhoraram, outras deram pra trás, e no balanço geral, acho que está meio equilibrado. Estou na dúvida eterna se o copo está meio cheio ou meio vazio, mas vou beber assim mesmo. Que ele mate minha sede, me alimente, me dê prazer, me cure. Tintim!!!


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Trilha sonora reflexiva: Resposta ao Tempo, Nana Caymmi; A Lista, Oswaldo Montenegro.

11.11.17

Reflexos

Não concordo com quem diz que as redes sociais são uma vida paralela, idealizada, perfeita, blá blá blá. Pelo menos as minhas não são. Não sou de ficar reclamando, arrumando treta, (pelo menos não treta gratuita) mas não me mostro feliz quando não estou.

Tipo assim: não tem foto "minha" (=da minha pessoa) no Instagram quando não estou bem, quando não estou feliz. Até tento fazer as fotos... mas sinto que o sorriso é  fake e que todo mundo vai saber assim que olhar.  Então não posto.

Porque gosto de pensar que minha história está registrada ali, e que posso relembrar o qur me aconteceu e como me senti, cada vez que olhar aquelas fotos.  Só não gosto quando "sumo" demais da minha timeline.

Fui olhar agora e... tem um tempão que minha carinha feliz não aparece ali.