9.10.17

Colo de mãe, casa de mãe...

Sabe aquela hora de dor, de tristeza e sofrimento que a gente é tentado, praticamente obrigado a dizer "eu quero minha mãaaaaaaeeee!!!"? Pois, eu nunca pude querer de fato, "a minha mãe", porque ela não seria meu socorro, minha solução. Mas de vez em quando eu chorava pra mim mesma esse "quero minha mãe", meio sem saber explicar o que é que eu realmente queria.

Então estou desejando chorar "eu quero minha mãe" com alguma frequência nesses últimos dias*. E agora, mais do que nunca, mamis não pode me ajudar. Mas outro dia sentei no braço do sofá em que ela estava sentada, e ela passou a mão pelas minhas costas. Deu um alívio tão bom, que pedi que ela passasse mais... e foi um momento de conexão tão lindo, como não sei se já experimentei antes. A mão dela por baixo da minha blusa, fazendo carinho, aliviando minha dor, refletindo amor. Um amor que nem sempre foi visível ou perceptível... mas nunca questionado. Amor que hoje pode ser sentido num toque. Como foi bom, sentir que "eu tenho mãe"...  E quem não consegue compreender a extensão e grandeza desse momento, fique calado enquanto eu mesma me afago a alma.






 (Texto da Eliana Rigol no instagram, que veio me estimular a registrar o amor )


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* Ultimamente tenho sentido dores intensas, maiores que as de costume. Depois da queda que tomei (dia 30 de junho, durante a aula prátia de fotografia,  na Fazenda Yrerê) e bati o cóccix com força no chão, desalinhando os ossos da cintura pélvica, as coisas têm ficado difíceis. Fisioterapia 3 vezes na semana, medicação tópica e via oral... nada parece dar resultado, embora esteja dando. O caso é que já são mais de três meses, e algo que você imagina que "vai passar" não passa... começa a incomodar relativamente mais  do que incomodava na fase aguda, quando doía sem parar. Agora está doendo de acordo com certos movimentos ou posições... quando dirijo por mais de 15 minutos, ou quando preciso ficar na mesma posição seja ela qual for, por mais de, sei lá, meia hora.

8.10.17

O dia hoje é dela...

Este ano não estamos em Pipa, não tem Bob Marley, nem por do sol ou "I am Titanium" num abraço de comadres. Mas meu coração está com ela, a comadre mais antiga (de antes de existir o afilhado) e amada, que há 11 anos eu abraçava ao vivo pela primeira vez.
O dia hoje vai ter cheiro e gosto de saudade, de memórias felizes, lembrança de lágrimas de emoção e fotos "forçadas". Ainda não sei que fotos eu vou publicar, mas tenho certeza que enquanto estiver escolhendo eu vou chorar de saudade, vou rir, por lembrar tanta coisa que já vivemos juntas e vou me perder... capaz de esquecer de postar! (#DDAfeelings)
Claro que vou tentar fazer uma chamada de vídeo, claro que não sei se vai dar certo, claro que eu já tô bestamente emocionada... Claro também que vou postar isso aqui no blog (pra eu não esquecer), e vou repetir que tu deve (LOGO) voltar a postar no BU.
Preá, eu te amo. E mesmo você não deixando publicar na sua página, vai aqui na minha, porque, tu sabe, a comadre aqui expõe meRmo. Amo, não é pouco e nem é de boca. Queria muito ter teu abraço, aquele que atravessa a alma, seca as lágrimas (e depois dá uma patada!).
Anda logo e marca na agenda esse encontro da comadragem aqui na Capitania.
             ... faz de conta que tem 41 corações aqui. 

1.10.17

Democrática

Eu soube desde sempre: a praia é para todos. Pelo menos as praias do centro da cidade, de cidades como a minha. Sei, já restringi bastante... mas ainda assim mantenho a assertiva.

Desde criança me acostumei a ir à praia sem grandes programações.  Bastava o tempo "abrir", ou o dia já começar lindo, que a chamada "Bora na praia?" (com todos os erros de português) era logo ouvida, e automaticamente aceita.

Um mergulho no mar alguns minutos antes de ir pra escola à  tarde (e depois de voltar da aula de piano e fazer os deveres -ou não) era algo absolutamente comum.

Nunca precisei de dinheiro pra ir à  praia, nem nos meus tempos de adolescência em Ilhéus e nem na pós adolescência em Recife. Lá,  bastava ter o passe pra pegar o CDU-Boa Viagem e estava tudo resolvido. Em coisa de uma hora, hora e meia no máximo,  estava no ponto do hotel que agora esqueci o nome, estendendo uma toalha (ainda não era moda ter canga) e marcando o ponto todos os sábados. T O D O S, nos 5 anos em que morei lá,  com exceção da véspera do meu recital, ou quando estive doente.

Não consigo entender quem diz que não vai à  praia porque está sem dinheiro. Eu vim hoje, e estou voltando pra casa sem gastar um real.  Estou vendo quem trouxe isopor pesado de tanta cerveja, lanchinhos variados, e também quem sentou nas mesas das cabanas e está comendo moqueca de camarão. E quem, como eu, chegou e saiu sem comer ou beber nada.  Democraticamente .

A praia não exige nada... você pode ir vestindo qualquer estilo de roupa de banho, na moda ou não,  combinando ou não com seu tipo físico... e até sem maiô ou biquíni... também já me joguei na água várias vezes, sem medo de ser feliz, do jeito que estava, bastava o calor estar demais e o juízo ter dado uma voltinha.

Também não exige que ninguém se molhe... tenho amigas que não suportam água salgada, mas amam estar na praia, sentar e contemplar o mar.  Não é  o meu caso. Eu gosto de me sentir envolvida pela imensidão,  de me soltar sem amarras, seja nas ondas ou na água calma da baía.  Mas mesmo isso é  permitido: não quer se molhar, pode ficar lá,  curtindo a vista. Democraticamente.

Para curtir a praia não precisa ter um "corpão", estar "em forma", essas cobranças idiotas que o mundo se acostumou a fazer. Nem tem idade mínima ou máxima.   Estou na praia, neste momento, e posso ver de bebês a idosos, passando por crianças (muitas mesmo. Elas são a maioria no point em que estou),  com todo tipo de corpo, cor (e cuidado com a pele), e vestimentas diferentes. Tem uma senhora de vestido, colocando o neto pra nadar... uma grávida "com a barriga na boca", gente andando de caiaque, stand up e roupa com proteção UV, enquanto outros passam óleo bronzeador pra acentuar a melanina. (Não fotografei ninguém por motivos éticos.  Mas bem que tive vontade. ) Muitos celulares a postos, selfies de montão.  Poses variadas: de casal, com copo de cerveja, com biquinho... e ninguém criticando ninguém, até onde posso ver. Cada um cuidando de sua própria vida (menos eu, que estou aqui nessa análise antropológica, mas 100% positiva).

Tem o pessoal que trabalha nesse escritório ao ar livre, e traz os filhotes pra se divertir enquanto eles vendem todo tipo de comida, óculos,  chapéus,  brinquedos, acessórios tecnológicos... Democraticamente oferecendo trocentas vezes a quem está parado.

A praia é  democrática ainda porque permite que se venha em família,  em casais, "em bando"... ou apenas com a sua própria companhia, como estou hoje. Qual a melhor opção?  A do dia! Venho de qualquer jeito, entendendo que a maneira que deu pra vir é  a melhor, pois é a que tenho e vou desfrutar. 😉


Adoro parar e ficar observando e analisando tudo isso... mas agora vou ali, dar um mergulho, que o sol do meio dia apertou meu juízo!