25.6.06

Meu momento

A trilha sonora desses últimos dias não muda...

"Chove lá fora e aqui, faz tanto frio...
Me dá vontade de saber aonde está você...
Me telefona... me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê lágrimas no escuro,
Lágrimas no escuro, lágrimas... Cadê você?
Tá tudo cinza sem você... Tá tão vazio...
E a noite fica assim porque... Aonde está você?
Me telefona... Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê mágicas no absurdo,
Mágicas no absurdo..."
Lobão, Me chama


... e quem me conhece já sabe que o que mais me incomoda (depois de mentira, traição, ingratidão, essas coisas *sérias*) é o frio. Fico down, mesmo. Com o frio - e a chuva, que faz piorar ainda mais o feeling blue, - me pego com pena de mim. Contabilizando as tristezas, os motivos de estar assim... e tentando me dar razão pra isso. Na maioria das vezes, a música de fundo acompanha o sentimento, até que algo aconteça - interna ou externamente - e eu levante a cabeça, sacuda a poeira da tristeza e vá dar a volta não necessariamente por cima, mas por aí... se a chuva deixar, ou pela net, se for a opção do momento.

Sou racional e acho que não sou burra. Assim, sei que não vale à pena alimentar esse sentimento de auto-piedade. Semana passada li "A última grande lição" e vou transcrever um trechinho aqui...

"Perguntei-lhe se tinha pena de si mesmo.
- Às vezes, de manhã. É quando lamento. Apalpo o corpo, mexo as mãos - o que ainda posso mexer - e lamento o que perdi. Lamento o meu processo lento e insidioso de morrer. Mas logo suspendo as lamentações.
- Por um ato de vontade?
- Choro bastante se sinto necessidade. Mas depois penso em todas as coisas boas que me restam. Penso nas pessoas que me visitam. No que elas vão me contar. E em você, se é terça-feira. Porque somos terça-feirinos. Sorri. Terça-feirinos. - Não me concedo mais lamentação do que isso, Mitch. Um pouquinho cada manhã, e algumas lágrimas, e só.
Pensei nas muitas pessoas que conheço que passam muitas horas úteis do dia lamentando-se da sorte. Como seria bom se pudéssemos estabelecer um limite diário às lamúrias. Só uns poucos minutos de lágrimas e pronto. Enfrentar o dia. Se Morrie, com essa doença horrível, pode fazer isso..."


Não tenho nenhuma doença horrível, não estou morrendo... tenho meus problemas, mas nem são tão enormes assim. Então... me permito alguns minutos de melancolia... lágrimas que ninguém vê... e depois, o resto do dia. Só queria que parasse de chover...

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