19.7.06

A ditadura do celular

Quando surgiu, era coisa de rico, de executivo. E era grande, pesado e feio. O tempo foi passando, o preço diminuindo tanto quanto os aparelhos. E a necessidade aumentando. Não exatamente a necessidade do uso, mas a necessidade de ter, de exibir, de trocar o modelo, de querer sempre o mais novo, o que tem mais funções. Mas a ditadura que exige que o celular seja do último tipo, é a mesma que não cobra que ele tenha crédito, e permta que se fique *dando toques* a cobrar.

Para algumas pessoas, o que um celular menos faz é falar. Manda mensagens, é agenda, toca rádio, MP3, tira foto, grava sons, filma, acessa à internet, e sei-lá-mais-o-que. Para outras, falar ao celular é um vício. E o maldito chip da OI *31 anos*, é a coisa mais irritante do mundo. Da mesma maneira que os planos empresariais como os das prefeituras de Ilhéus e Itabuna, que falam grátis para qualquer Oi 73. As pessoas que tem essas benesses, acham que os outros míseros portadores de Oi estão à sua disposição para receber as chamadas quilométricas e fazer a bateria acabar de uma vez. Outros simplesmente odeiam celular, e resistem até o último momento à tentação da sociedade de lhes impingir um. Mais alguns bracinhos da ditadura.

Os celulares pré-pagos possibilitaram que até mesmo à população *de baixa renda* (aprendi, viu, Sinhá?) e até os *quase-sem-renda* saíssem por aí desfilando os modelitos básicos. Promoções especiais de Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados, Natal... fazem que celulares funcionem quase como inter-comunicadores (já tive um Claro que falava a R$ 0,06/min com 3 outros números, e ainda dava R$ 25,00 de bônus todo mês... era uma maravilha!) E descobrir que os primeiros 3 segundos não são cobrados, fez surgir uma nova modalidade de conversa: a conversa de 3 segundos, que invariavelmente começa com "tá onde?", e permite que os créditos durem quase que infinitamente - ou até acabar o prazo. Os planos *controle*, *família* e congêneres, dão liberdades vigiadas aos usuários de celulares pós pagos, que podem ligar mais para determinados números ou em determinados horários. Assim... a *ditadura-polvo* diz que quase todo mundo é premiado com o dever de escolher *uma musiquinha pra chamar de sua*. (Ai que tem cada uma...terríííível!!!)

Parece que sou contra os celulares? Quem me conhece, sabe: nããããããooooo!!! Não sou fanática por modelo novo, nem tenho celular que fala de graça. Mas meu plano Oi Conta Total me dá uma relativa liberdade de ligar, inclusive com roam nacional, onde não faz diferença a chamada ser local ou DDD. Adoro mandar/receber SMS, e gosto de falar também. Não precisa ser muito, aliás, nem deve, mas gosto de *estar em contato*. O meu celular - *os meus*, na verdade - me permitem ser achada a qualque hora do dia ou da noite. (É, durmo com ele do lado, e ligado.) Pra mim, é uma agenda indispensável - os abençoados lembretes me salvam de inúmeras encrencas, além de ser o despertador das sonequinhas fora de hora. Mas... eu governo ele, e não é ele que me governa. Não fico enchendo o saco dos outros o tempo todo e deixo sempre no silencioso, pra não perturbar aulas, cultos, reuniões ou coisa que o valha. E se está no silencioso, está perto de mim, pra que possa atender. Ah, e respondo as mensagens recebidas, pra que pelo menos o remetente saiba que foram recebidas.

O que mais me incomoda nesta infame ditadura é a pessoa não ter desconfiômetro no uso do celular, seja em insistir nas ligações enormes e inconvenientes, ou só ligar a cobrar, ou usar o "ID Desconhecido", não colocar no silencioso em lugares público, ou atender na cara de pau no durante uma consulta médica, por exemplo. Ou, ao contrário, deixá-lo no vibra call mas longe de si, esquecer em casa ou deixar descarregar no fds.

Vamos combinar de ser coerentes e dar o grito de independência? E deixar o celular ser aquilo que deve: um instrumento de comunicação útil, seja pra dar notícias, resolver problemas ou simplesmente alimentar uma amizade!

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