11.7.06

Eu... e o 27... mas pode ser o 28

Ufa! Passei aperto hoje... o 28 demorou mais de uma hora pra passar... e óbvio que chegou lotado. Eu não esperei essa hora inteira, aliás, fui chegando no ponto e ele vindo, violentamente. Quase não consegui passar na borboleta, emprensei a bolsa, com garrafinha de água, câmera digital, óculos e tudo. Deu uma dor no coração... se a garrafinha estourasse... e molhasse a câmera? Ou se quebrasse os óculos (o de grau e o de sol)? Mas foi só o susto. Logo seguido de outro... quase caí pra frente, pra trás... ah, aquele motorista tava de brincadeira... E não tinha lugar pra colocar os dois pés no chão. Até chegar a Central de Abastecimento, onde entrou muito mais gente.

Já deu pra sacar que tô falando do buzão que me leva pra UESC, né? Nos comments do post passado, várias pessoas se referiram a isso. Não, não sou chique a ponto de nunca andar de ônibus, mas... depois de um ano inteiro sofrendo no 27 (Centro-Salobrinho via Av. Itabuna) ou no 28 (Terminal-Salobrinho via Cidade Nova)... jurei impulsivamente: "A partir de agora vou de carro!!! Depois de fazer 40, mereço esse regalo!" e passei todo o ano trabalhando pra colocar combustível na Weekend e me livrar do suplício do ônibus cheio.

E tava tudo muito bom, tudo muito bem... até que semana passada... *bateu o motor* do carro! Não me perguntem por que, isso não é coisa que mulher saiba responder (ou queira), mas o fato é que aconteceu. Direi mil vezes Thanks Dad... papai assumiu a ressurreição do carrinho que no documento ainda é dele. Só que ainda não está pronto. e sabe Deus quando estará. Prefiro pensar que vai demorar e depois ser mais rápido, do que ficar ansiosa e passar raiva.

Assim, hoje fui colocar créditos no cartão magnético de passe estudantil. Poderia colocar na UESC mesmo, mas só terças e quintas, então... me bati pra o SIT (Sistema de Transporte Inteligente) e enfrentei uma fila que dava 6 voltas no salão pra colocar o valor de 10 passagens no bendito cartãozinho. (Nem comento a foto que tá nele... uma figura loira de cabelo comprido, que custo a crer que sou eu, ou que fui aquilo algum dia!) Nesse tempo que passei ali, coisa pouca, uns 50 minutos, vi foi coisa. A primeira foi a constatação da realidade. Ontem comentei sobre o crime que deveria ser duvidarem da minha baianidade, só por causa da minha brancura. Pois hoje me vi num ambiente enorme cheio de gente... e ninguém da minha cor. Coisa pra se pensar... Vi figuras bizarras, e mais uma vez me perguntei: "por que não estava com minha câmera?" Vi gente contabilizando centavos pra enfrentar aquela fila toda e colocar R$ 1,45 em créditos no cartão. Tive vergonha dessa situação... vergonha pelos governantes, pelos responsáveis por tanta pobreza... e pela minha impotência.

Passei a semana toda indo de buzu pra UESC. Pra quem não conhece, ou não leu algum post anterior, a Universidade fica fora da cidade, entre Ilhéus e Itabuna, a aproximadamente 15 Km de cada uma das cidades, pra não haver briga (embora esteja na área do município de Ilhéus). Os ônibus que fazem a linha "Salobrinho" (distrito onde fica a UESC), são coletivos, apesar de rodarem fora da cidade. Acho que por isso mesmo, as empresas encaram como perda financeira, e não disponibilizam o número suficiente de carros para a quantidade de alunos que utilizam o transporte. O intervalo entre os carros é coisa de 40 minutos, no mínimo... e apesar de o 27 ter ar condicionado, o 28 anda mais rápido. Olha... esse "mais rápido" é um problema. A gente mesmo sentado corre o risco de cair. Fora o pessoal da zona rural que passa aqueles cremes no cabelo, e junta tudo num aroma que mata qualquer inseto num raio de 10 km. E os alunos que vêm do Salobrinho e do Banco da Vitória, (outro distrito no meio do caminho) pra aula na cidade, à noite... peeeense num ônibus lotado!

Isso, sem esquecer que o 28 passa na "feira". Ai ai... dia de sexta... é dureza. Entra gente trazendo produtos das roças pra vender na feira e também levando as compras pra casa. Fantástico! De galinha viva a saco de farinha. E nessa, não sei se a pior parte é o espaço ocupado ou o cheiro que isso tudo traz. E os que chegam "melados" exalando cachaça por todos os poros. E quem vai saltar pela estrada, e diz: "mais pra frente, motô... para ali naquela árvore." É, decididamente, muita coisa pra ver e viver.

Bem... comecei a escrever isso aqui ontem à noite, mas daquele jeito DDA, misturando com um monte de coisas, inclusive com um telefonema de Line (inacreditável, né?) e cabou que o sono me pegou (já era hoje) e fui dormir largando pela metade. (Valha-me minha Viurge Faladeira!!! Se isso aqui é *metade*... Tem gente que diria: "Loooongo!!!")

Ia terminar esquecendo de dizer que minha história com o buzu (mais especialmente com o 27) já me rendeu muita coisa. Um roteiro premiado na XI Expocom, em Porto Alegre, 2004, que me abriu as portas pra escrever e saber que outros prêmios viriam... e vieram! Clique aqui pra ver o roteiro e aqui pra ver as fotos da Expocom. E aqui pra ler a explicação, que merece um post só pra ela. Ai ai ai esses *merecimentos*... (Quem não clicar nesses links por pura preguiça de ler vai perder, eu agarantio!)







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