28.7.06

Pegando o gancho...

...no blog dela... Que quase me mata de saudade nessa tarde em que tô assim, de bobeira, por conta do feriado do aniversário de Itabuna.

Quando eu nasci, minha mãe tinha 36 anos. Então eram quase duas gerações de diferença, entre eu e ela. As minhas amigas tinham mães bem mais jovens...e ela via as próprias amigas já sendo avós, enquanto ela era mãe de uma adolescente. Morria de vontade de ser avó. Dizia que podia morrer logo depois de ter um netinho nos braços.

Ela estava com quase 60 anos quando finalmente realizou o sonho. E aí a conversa mudou. Queria ver o primeiro aniversário de Alininha. E foi esticando o sonho... já queria ver os "15 anos" dela! (E se frustrou por não assistir à festa do jeito que ela gostava, e fazia pras debutantes da igreja dela, Line acompanhou o pensamento da mãe, tks God!) Quando o segundo (e último!) neto chegou, ela fazia questão de se dividir por igual, pra evitar ciúmes (impossível, mas ela não sabia!), até o cúmulo de, no aniversário de um, dar presente ao outro, pra não se sentir abandonado.


Enquanto meus filhos eram crianças, minha mãe foi para eles o tipo de avó *Dona Benta*, literalmente... (e ela trabalhou na Biblioteca Monteiro Lobato, em Salvador): Não somente contava histórias, mas fabricou um "Caderninho da Vovó" com historinhas, canções, brincadeiras, e mais nãoseioquê pra Aline. Ou melhor, foram 7! 3 pra Abel e 4 pra Aline!!! Naqueles cadeninhos de capa dura, todos escritos à mão com a letra mais linda que já conheci. Comprou canetas diferentes e coloridas, trabalhou cada página com um carinho incrível.

Na casa dos avós, os meninos estavam num paraíso. Uma casa com quintal de "chão de terra" pra ser explorado, árvores de frutas, cavalinho de balanço, uma geladeira cheia de guloseimas absoluta e absurdamente disponíveis, além de muitos livrinhos de histórias e joguinhos de tabuleiro daqueles que só existiam lá.

Eles moravam na praia, em Olivença, então as *andadinhas com vovô* eram passeios mágicos, fossem até à praia da batuba ou dos milagres, ou fosse até o morro do Urubu pra buscar água mineral. Isso além de ir à piscina do Balneário Tororomba, mesmo não podendo tomar sol... lá estava ele com um sombrero de palha pajeando os netinhos. E fazia qualquer esforço necessário pra estar plenamente *na ativa* com eles.



E aí eu paro pra pensar de duas maneiras. Uma, olhando pro passado, pras minhas avós. (Não conheci nenhum dos avôs, ambos faleceram antes do meu nascimento.) Outra pro futuro, pra avó que eu quero ser. Minhas avós foram muito diferentes da avó dos meus filhos.

A avó Rosália morava em Salvador, e vinha a Ilhéus todos os anos, invariavelmente para passar o aniversário de meu pai com ele. Passava uns poucos dias e já ia embora. Uma figura marcante, firme, a matriarca de uma família enorme, que fazia questão de ser mesmo imponente. Era ela que orava às refeições, e em cada culto doméstico. Dava sempre a última palavra sobre qualquer assunto. Muito generosa, presenteava não somente nos aniversários, mas sempre que ia à casa dela, saía com um *charutinho* de dinheiro, sempre muito maior do que eu jamais tinha nas mãos. Mas pouco carinhosa. Não me lembro de ter sentado em seu colo, ou ouvido histórias. A casa dela tinha quintal que parecia um sítio. Mangueiras fantásticas, pé de pitanga e de goiaba (quantas quedas!), e quando se juntavam os netos de Salvador com os paulistinhas e os do interior... que farra!!!
(Vovó Rosa com Aline, julho,1988)

A avó Alzira, mãe de minha mãe, morava aqui em Ilhéus, na casa que era um sonho também, para os netos, mas de outra forma. Tinha uma piscina, no fundo, que era cheia, invariavelmente quando *minha Jú* vinha de Conquista passar o fim de semana. Esses eram dias de festa mesmo! Cordas e mais cordas de caranguejos eram compradas, e à tardinha de sexta-feira ela forrava uma toalha de mesa no chão do quintal, e lá íamos nós! Mas quando eu tinha 6 anos, vovó teve um derrame, e nós fomos morar com ela, pra que minha mãe pudesse cuidar dela com mais tranquilidade (era a que tinha menos filhos...). Vovó Alzira ficou de cama muito tempo, e depois, quando ficou melhor, andava com dificuldade. As tardes de sábado, eram tradicionais. Sentava com as filhas num banquinho de mármore na frente da casa... enquanto os netos brincavam ao redor. Quando era *temporada de caça aos piolhos* havia revezamento entre as tias pra fiscalizar as nossas cabeças... eu adorava (sempre gostei de que mexessem no meu cabelo), mas Malu morria!!! Também não me lembro de ter ganhado colo ou carinho. E nem presentes.
(Vovó Alzira, minha mãe e eu, agosto, 1965)

Mas penso que eu quero ser uma avó legal pros meus netinhos. Nem sei se vou tê-los, e espero que demore bastante, ainda. Quero ter tempo de curtir a MINHA vida, viajar bastante, aprender muitas coisas ainda, pra poder repartir com eles. E nada e ter filho e jogar nas minhas mãos, eu não fiz isso, e não vou receber pacotinhos, ouviram, bonitinhos? Tá certo, a realidade é outra, provavelmente vou ensinar outro tipo de coisas, não os nomes das estrelas-alfa ou fazer caderninhos escritos à mão, mas certamente vou cantar muito pra eles e apertar, abraçar e beijar como adoro que façam comigo.

Nenhum comentário: