17.7.06

Sons do passado

Ontem baixei no e-mule o CD Valsa Brasileira de Zizi Possi, indicação de Stellinha que colocou "Bom dia" no perfil do Orkut. Já reparti com vocês ontem, esta e mais "Viver, amar, valeu". O caso é que eu tenho o costume (não sei se bom ou mau) de me amarrar numa música, ouvir mil vezes e ignorar o resto. E nem olhei direito quais eram as outras músicas do CD. Mas levei pro quarto e coloquei pra ouvir antes de dormir, o CD inteiro. Claro que dormi antes de ouvir 2 músicas, ultimamente tô apagando rapidinho...(bom sinal!) e só fui ouvir de verdade quando acordei - cedo demais, pra variar - e como tava muito frrrrio, fiquei morgando embaixo das cobertas. Meio dormindo, meio acordada... foi quando o player tocou "Uirapuru".

Viajei legal. Essa música era parte do repertório de recital de formatura de Uilma, nos idos de 1983 quando eu era caloura do curso de música do SEC, em Recife. (Tá, eu sou uma mulher do século passado). Uilma morava no quarto defronte ao meu, no Edifício Memorial, e no meu ano de caloura, foi determinante em minha vida. Ela me apresentou àquele que foi meu melhor amigo nesses anos todos (e de quem me perdi, e não consegui mais encontrar), me apresentou à biblioteca do STBNB, onde as mocinhas bem comportadas do SEC não iam, sob risco de parecer que estavam atrás de arranjar namorado (é, isso um dia existiu!). Foi Uilma que me levou à praia de Boa Viagem à noite pela primeira vez.. uma noite maravilhosa, lua cheia, uma turma legal e um violão (e, sim, me rendeu um namorado... hehehe...)

Durante o segundo semestre de 83, passava os dias ensaiando pra o recital de canto, e Uirapuru estava no repertório.(Queria ter uma foto dela pra colocar aqui... mas só procurando nos mil álbuns lá em cima, e não é certeza ter.) Ela era baixinha e gordinha, sorridente demais, não ligava pra opinião dos outros, e cantava divinamente. Interpretava música lírica como poucas que já vi. (E já vi muitas!) Aliás, incorporava a música completamente. E essa, Uirapuru, ela cantava como se tivesse mesmo vivido a história. Então... quando ouvi hoje à tarde... ah, fui longe! Muito mais longe do que "descer o Paraná"... abracei minha amiga risonha e maluca... ouvi outras músicas... "Oh cessare di piaggarme" (ou coisa que o valha), a ária "L'amour" de Carmen... fora as muitas paródias que ela criava do nada, como ninguém!

Lembro do dia em que o cometa Halley passou (ou deveria passar, eu não consegui ver) e nós recebemos uma serenata dos "vizinhos" do STBNB. Não podíamos acender as luzes nem gritar, nem responder de qualquer maneira. Eles cantaram e cantaram... mas queriam saber se estávamos ouvindo - e gostando, claro. Lá pelas tantas, após vários pedidos deles, foi Uilma quem conseguiu a maneira de respondermos: Papel higiênico balançando pelas janelas!!! Foi hilário! Quando ela pegou o rolo e mostrou o que ia fazer, correram todas (ou quase) e num instante eles estavam lá gritando e batendo palmas, felizes pela resposta!

É esse o tipo de lembança que tenho dela... e despertadas pela voz doce de Zizi Possi. Sons que trouxeram meu passado de volta... um tempo em que minha maior preocupação era esperar o correio com cartas de casa. Eu era feliz... e sabia!

Up date: No Valsa Brasileira ainda tem Lamento, um chorinho que também me trouxe muita recordação... de um passado bem menos recente, mas não menos saudoso. Essa, eu nem conhecia a letra. Era do repertório de Line na Clave de Sol, escola de música (óóóbvio), e foi do programa dos 35 anos da Clave, quando Line já tocou como ex-aluna, participação especial no ano em que ela fez o pre-vestibular e já não dava pra passar uma tarde por semana em Itabuna. Aí me lembrei do tempo em que ela começou nessa vida de flautista... e eu ia toda terça levá-la, e a casa de Polly no Pontalzinho era meu programa fixo. Lá era nossa oficina de bisquit, nosso ponto de partida pra mil outros sonhos e planos... Acho que eu sempre fui feliz... e soube.

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