31.8.06

Antecipando... porque não sei como será o dia de amanhã.

Estou quase congelando. E isso não é reclamação, é simples constatação. O sol desapareceu do circuito desde ontem, e o meu esquema de virar de um lado pra outro, que nem frango de padaria já não resolve mais. Estou vestida em 3 blusas e um casaco grosso, uma meia-calça de lã e uma calça jeans, meias de lã e pantufa. E o frio aqui, colado.

Os olhos estão pesados, como quando as farpas apertam, mandando chorar... e eu não consigo. A tarde foi daquelas bem densas... de conversa séria, de capuccino com borda de chocolate e de pão de queijo...


Tarde de saudade, de recordações e de despedida. Tarde de sorrisos, ao perceber, somente na hora da foto, que estávamos tão parecidas... Que além do corte de cabelo para o qual eu fui "o modelo", a roupa estava tããão semelhante...

Quero chorar e as lágrimas não correm, acho que voltei ao meu normal... Olho em volta e penso que valeu demais ter enfrentado tudo pra estar aqui, pra me dar de presente esses dias de amizade sincera, de compreensão e de troca sem culpa. Penso em quantas vezes desejei esse tempo de pausa na vida de todo dia, pra fazer valer a rotina que se seguirá.

Não sei o que vou sentir ao me lembrar da carinha relaxada dos sobrinhos - esses que são MEUS mesmo - as bochechas rosadas do frio, e o sorriso de quem sabe que está aprontando, mas que também sabe que conquista a gente com o sorriso. Será que vou esquecer do Dudu misturando cuscuz e ovo no copo de nescau... e comendo tudo? Será que vou esquecer das frases tão bem formuladas, que me faziam repetir toda hora: "Esse menino não existe..." Será que vou esquecer da Valentina que "tem o seu próprio MSN, e só tem 6 anos" e que pediu pra criar um blog? Será que minha memória vai ainda me trair e me fazer esquecer que aconteceu um churrasco pra comemorar que eu fui embora? Será que um dia eu vou esquecer que foi aqui que fizeram de tudo pra me fazer gostar de vinho, de porta aberta, de batida de sonho de valsa, de graspa, de quentão...

Não. Tenho certeza que não vou me esquecer. Tenho certeza de que, como outras tantas recordações, essas vão estar aqui, dentro de mim, e um dia ainda vou chorar, lembrando delas.

Olho pra mim, e penso em quanto desejo que meus filhos tenham esse tipo de experiência. Que olhem um dia para trás e tenham amigos de quem recordar, e momentos que sejam de fato especiais. E que percebam que é por isso que a vida vale à pena.

Nenhum comentário: