27.8.06

Fantasia e realidade

Tento ser muito verdadeira, sempre. E por vezes quebro a cara por imaginar ser plenamente compreendida no que diga ou faça, inda que saiba que isso é meramente ilusão... jamais o serei. Hoje li algo no perfil de Victor no orkut, que me encantou por fazer uma relação muito própria entre a fantasia e a realidade, entre o que se pensa e deseja e o que de fato é.

Como estou meio ressabiada em dizer do que vai no meu coração... tomei a liberdade de transcrever aqui... (pedi permissão, claro, e apesar de ainda não ter recebido, qualquer coisa, depois deleto o post.) Queria comentar o que ele escreveu, mas está tão completo, que vou deixar assim mesmo.

"Li que amamos uma pessoa não por aquilo que ela é, mas pelo manto de fantasia com que a cobrimos. As coisas que não existem são mais bonitas, dizia Freud.

Todo mundo tem nostalgia por um outro lugar. Um lugar mágico. Mas são raros aqueles que ousam mudar para este tal lugar dos sonhos. Talvez, por saberem, que ele não existe. É um sonho encantador, porém, de curta duração já que vive dentro de uma “bolha encantada de eternidade”. Quando se volta lá, à procura, descobre-se que “a bolha” estourou..... mas para onde terá ido?.... O triste, muitas vezes, é que o tal sonho acaba, mas é preciso continuarmos vivos no mundo real. E enquanto vivermos, sonharemos sempre com o “lugar mágico”.

Seria muito bom se as alternativas com que nos defrontamos, fossem sempre entre o certo e o errado, o bom e o mau. Seria fácil viver. Mas há situações que nos colocam diante de alternativas igualmente dolorosas e de resultado incerto. Tenho aprendido que esta é a condição geral da vida: nunca se sabe. “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”

Cita Heráclito: A vida é trágica, porque tudo que amamos vai mergulhando no rio do tempo. Tudo flui. Nada permanece. Tudo o que é belo, passa.

O crepúsculo é triste, naturalmente. Talvez porque o crepúsculo seja uma metáfora da vida: a beleza efêmera das cores que vão mergulhando no escuro da noite. A alma é um cenário. Por vezes ela é como uma manhã, brilhante e fresca, inundada de alegria. Por vezes, ela é como um entardecer, triste e nostálgico. Mas se é manhã brilhante o tempo todo, alguma coisa não está bem. Tristeza é preciso. A tristeza torna as pessoas mais tenras. Se é crepúsculo o tempo todo, alguma coisa não está bem. Alegria é preciso. Alegria é a chama que nos dá a vontade de viver.

Chega um momento em que a gente manda fazer uma canoa. Canoa de um só lugar. Bem que a gente queria a companhia de alguém. Mas não daria certo. Há de se remar sozinho.

“...Estamos a não mais que um metro um do outro, muitas vezes. No entanto, ao teu redor gira um universo do qual o centro és tu, e não eu....” Cada um portanto, rema sozinho sua canoa, mesmo parecendo que se está junto... e para complicar Guimarães Rosa acrescenta: “...e nem mesmo falamos a mesma língua, embora usemos as mesmas palavras...”Acho mesmo que Guimarães Rosa estava era filosofando, pois o filósofo grego Heráclito, apelidado de “obscuro” escreveu que “tudo é rio, águas que passam não voltam mais..."

A juventude é como aquelas barcas que, em tempos passados, navegam o São Francisco, subindo e descendo o rio. Vai muita gente junta. Tudo é festa, todos gostam das mesmas coisas. Todos dizem as mesmas coisas, todos dançam, todos se abraçam....Velhice é quando mandamos construir a nossa canoa e começamos a remar sozinhos. Não por vontade, mas por precisão. Porque já não se entende o que os outros falam, já não se ri das graças por que todos riem – vai se ficando pra trás...

O normal seria dizer:” Quem entende, sabe.” Riobaldo, mestre zen, retrucaria: “Quem sabe, entende.” O saber vem antes do entender... É hora de aprender a remar...

Disse Adélia Prado: “ Aquilo que a memória amou, fica eterno.”

Talvez eu não precise do tal “lugar mágico” porque ele sobrou dentro de mim..."

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