30.8.06

Frio... ou não! - É grande, se não quiser ler, já sabe, o "xis" taí pra isso mesmo!

Estou em Curitiba, quero dizer, em São José dos Pinhais, na "Grande Curitiba" há uma semana. Já quase indo embora, acho que é hora de falar do frio externo e do calor de dentro do coração.

Não é segredo pra ninguém que me conhece que passo mal no frio. Fico deprê, mal-humorada, acho que adoeço mesmo, só de falta do amarelo do sol. Não saberia morar num lugar de clima assim frio... e também não suporto ficar muito vestida. Acostumei com as alcinhas e tecidos leves e vaporosos... shorts e tal... esse monte de roupa, casaco, gola alta, tecidos pesados... não dá pra mim, não.

Então me pergunte: "o que você foi fazer no Sul em pleno inverno?" E eu respondo: vim aquecer o coração! Vou dar um review e voltar no tempo... exatos 23 anos.

Cheguei em Recife pra estudar no início de 1983. Uma das minhas melhores amigas tinha ido pra lá no ano anterior. E foi ela que me apresentou a Rose. Lembro exatamente desse dia... Foi amizade instantânea. No meu segundo ano, descobri que não era aquele o curso que queria fazer mesmo... e ela também (na verdade, fomos quatro a fazer essa descoberta), e assim mudamos de curso e de instituição, e fomos apertando os laços que nos uniam. Colamos grau juntas em 87, sofremos as agonias dos recitais com Coro Infantil, uma aguentando o tranco da outra, tínhamos a mesma orientadora, que fazia o possível para extrair o melhor de nós, mas com métodos que não eram os melhores, na minha opinião.

Durante os cinco anos de curso, rimos, choramos, estudamos e trabalhamos juntas. Não somos parecidas, acho mesmo que somos muuuito diferentes. E ela funciona muitas vezes como minha consciência, meu Grilo Falante, o fiel da balança, que me mostra muitas vezes um caminho que eu jamais veria.

Ela é a artista que eu queria ser quando crescesse, mas que jamais serei. Ilustrou tooodos os meus trabalhos do curso de Ed. Religiosa e Música... Fez meus joguinhos de musicalização infantil, meu convite e programa de recital - foi feito todo à mão, e xerox colorida, chiquérrimo... (se estivesse postando de casa scanearia e colocaria aqui), fez cartões artesanais que comprei e tenho até hoje nos álbuns onde guardo toda a minha vida pregressa, fez a decoração do primeiro aniversário de Line e do segundo de Kiko, enfim, a arte da Rose está presente em toda a minha vida.

Fizemos vestibular juntas, passei em Ed. Artística e ela em Biblioteconomia, (nada a ver!)
enquanto estávamos no terceiro ano do curso de música. Com a formatura e a gravidez de Line, voltei a Ilhéus e abandonei meu curso. Quando nos separamos, depois da formatura, parecia que era algo que duraria pouco, continuaríamos a nos ver sempre... voltei pra Ilhéus enquanto ela ficou em Recife. Ela fez outro vest pra Desenho Industrial e depois transferiu o curso para a Federal do Paraná. Foi aí que nos perdemos.

Anos sem notícias... até que vim a Curitiba fazer um curso de Piano pelo método Suzuki, e no encerramento... parece mentira. Como tinha gente de todo o Brasil, pediram que quem quisesse cantasse uma música de sua terra. Eu estava com Kadija, só nós duas da Bahia. Claro que ficamos bem quietinhas. Até que foi uma criatura de Recife, cantar uma ciranda, e toda errada! Do lugar em que eu estava, comecei a "ajudar"... e não só eu. Outra voz também, de outro lugar do auditório... e a apresentadora insistiu pra que fôssemos à frente... quando me vi de cara com a minha irmã num palco, diante de um monte de gente desconhecida, e cantando "Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá..." Foi um abraço daqueles de não soltar... e o povo não entendia nada, né?

Saímos dali pra colocar o papo em dia, e a promessa novamente de não nos perdermos mais. Ela me mostrou uns cartões lindos, que estava começando a fazer artesanalmente, para ajudar no orçamento. Lindos! Comprei os que ela tinha na mão... bendita hora!

Apesar da promessa, nos perdemos de novo. O telefone da "Casa do Estudante" nunca atendia, sei que não fizemos mais contato. Até que um dia... numa papelaria em Ilhéus, vi uns cartões exatamente iguais aos que eu havia comprado dela. Fiquei fula da vida! "A minha amiga criou esses cartões e alguém copiou!!!" Foi quando olhei melhor... e vi no expositor: "Cartões Artísticos by Rosemére Cordeiro". Quase não acredito! E comecei a gritar, numa alegria de quem sente a vitória do outro como a sua própria! Minha amiga tinha dado certo!!! Cartões industrializados, e sendo vendidos no fim de mundo que é Ilhéus!... Fui atrás do distribuidor (que por sinal era cunahdo dela), e consegui o telefone... refizemos contato! Dessa vez, não deixei romper! (E ela reconhece que o esforço foi meu!)

A essa altura, ela havia casado e estava esperando a Valentina. Conhecer o Nelson, que se tornou mesmo um cunhado pra mim (Jeguebééé!!! - piadinha particular) e os sobrinhos... foi presente da vida pra mim. E dessa vez ainda tive bônus: A mãe da Rose está aqui também e me adotou de filha oficialmente... Risadas, papos e mimos... têm feito essa semana de frio por fora ser altamente aquecida no coração!

Os passeios, as comidas e bebidas (ai ai...) nada disso é mais importante do que saber que a gente ama e é amado. Pena que já tô indo... mas espero o "troco" que é tão prometido e já tem anos que não é "pago".

Nenhum comentário: