24.8.06

Os ouvidos...

Não sei se já falei isso aqui, mas minha vida tem trilha sonora. (Eu até estava numa comunidade que diz exatamente isso, no orkut) E a trilha desses dias estava sendo algo parecida com as novelas de Manoel Carlos, uma boa bossa. Claro que não podia deixar de ter Chico... e o CD novo, Carioca tá tocando não só na trilha, mas de fato no disc man. Na sexta, essa trilha foi bem apropriada... fui dormir no Subúrbio, em Bangú, na casa da Amanda. Os comentários sobre a violência, a penitenciária e os tiros, é claro que não faltaram. Mas passamos a noite toda acordadas, e não ouvi nem um barulhinho suspeito. Na noite seguinte, deitei bem tranquilinha, mas acordei assustada com um barulho terrível de metralhadoras. Me escondi embaixo do edredon... como se adiantasse. Não sei quanto tempo durou, mas pareceu uma eternidade. Na noite seguinte, os ouvidos captaram outro tipo de tiro... deviam ser de bazurca, pois eram isolados e pareciam ser potentes, fortes. Entremeados com uns "menores", e mais sequinhos (acho que revólveres comuns). Deuz me ajude... euzinha reconhecendo tiros??? Não foi pra isso que Tia Lou treinou tanto meus ouvidos nas aulas de Percepção Musical...

Bem, mas nem só por tiros eles foram alimentados! No domingo fui ao Municipal... e foi divino! A acústica lá é tão perfeita (nem sei se se pode usar desta fora, tão perfeita, mas é assim mesmo) que ouvi o arrastar das sapatilhas no chão. E a cada "pouso" no chão, até isso era ouvido. Demais!!!

Na segunda-feira estava andando pelo centro com Marta e Mercedes, quando de repente ouvi sinos tocando. Mas não eram sinos tocando simplesmente. Era a Ave Maria de Gounod, sendo tocada pelos sinos da Igreja de S. Benedito dos Pretos. A igreja é absolutamente desprovida de ornamentos, bem colonial, mesmo, e sendo de escravos, não haveria de ter luxos. Eu quase enlouqueço no meio da rua, com o som. Era exatamente meio-dia, e assim que entramos na igreja, parou de tocar. Como desejei repartir com outros aquele momento... No dia seguinte, era meio-dia e estava já esperando ouvir a Ave Maria de novo, quando começa a tocar "Rio de Janeiro, gosto de você..." ah, como desejei saber até onde vai esse repertório!!!

Outros sons que marcaram, foram ouvidos no mosteiro de Santo Antônio. Logo depois do meio-dia, uma missa com a igreja lotada, e todos cantavam "Eu era pequeno, nem me lembro, mas lembro que à noite, ao pé da cama, juntava as mãozinhas e rezava apressado, mas rezava como alguém que ama..." Lembrei com clareza das aulas de religião na Piedade, e das canções que, mesmo sendo evangélica, eu aprendia a cantar... E depois um padre bem velhinho cantou sozinho com a voz trêmula pela idade...

Na estação do metrô do Largo da Carioca, encontrei um homem tocando sax. Que figura! parei, assim como quem não quer nada, morrendo de vontade de tirar uma foto. Peguei a câmera, e fiz sinal, perguntando se podia. Ele respondeu que sim, fiz a foto e deixei um real pra ele, que começava a tocar Strangers in the night, outro carinho aos meus ouvidos. Bem, esse cara veio compensar a mocinha da estação do metrô de Botafogo que continua a gritar: "Cartões pré-pago, Oi, Claro, Tim, Vivo, Embratel, Telemar! Cartões pré-pago..." Pena que essa eu não consegui registrar a imagem, mas o som... desde o ano passado está gravado!!!

Olhos e ouvidos juntos receberam a mensagem de Click, no cinema do Shopping Rio Sul (eita ingresso caro... 17 reais, ainda bem que aceitaram a minha carteirinha de estudante!): Family come first! Adorei. Ri... e confesso que deixei escorrer uma lágrima (eu já disse que sou uma boba, não disse?)

Na Catedral Presbiteriana do Brasil, tinha um conjunto de esculturas muuuito interessante! Cliquem aqui pra ver nossas artes... Eu e Mercedes curtimos basteante nosso passeio!!! E enquanto estávamos ali, ouvi "Mais perto quero estar"... e "Finda-se este dia"...

Bem, tenho certeza de que ouvi mais coisas... que só vou lembrar depois que publicar isso aqui!

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