28.9.06

Voltando no tempo...

Não, este não é "apenas mais um de saudade". Voltei no tempo... não lembro exatamente do dia, mas deve ter sido final de março de 2004. Caloura no curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Santa Cruz. Umas 3 semanas depois de iniciadas as aulas... nem se imaginava mais que haveria trote. Mas houve. E lembrei disso hoje ao assistir parte do trote dos calouros de Ciência da Computação.

Não pude deixar de rir... afinal de contas eles também estavam rindo. Mas confesso que achei exagerado. Como foi no meu. Começaram nos prendendo na sala, e batendo nas paredes, do lado de fora, com o acompanhamento sonoro: "Uh, vai morrer! Uh, vai morrer!" Os veteranos entraram na sala e anunciaram que nosso trote estava começando. Numa boa, oferecemos a cara pra pintar, nos deixamos amarrar pela arriata das calças com varal de nylon, e saímos da sala de joelhos, passando pelas outras salas repetindo em coro o que eles mandavam.

Levamos farinha de trigo e ovo na cabeça. Chovia e as escadarias do pavilhão estavam escorregadias, por bondade de Deus ninguém caiu, pois se um fosse, levaria toda a fileira! Do lado de fora, nos mandaram sentar na lama (não lembro se foi sentar ou ajoelhar...) e repetíamos coisas como "vou dar lugar no ônibus aos veteranos" ou "eu sou um completo idiota". Durante todo o tempo eu perguntava se alguém não tinha uma câmera pra registrar o acontecido. Nenhuma câmera apareceu. Mas eles nos fizeram ficar arrumados "pra tirar uma foto" e aí jogaram do alto da cantina baldes de água suja sei lá de que sobre nós.

Andamos pelo campus cantando o hino nacional, descalços, pois os sapatos foram confiscados e só seriam devolvidos se pagássemos 3 reais pra os veteranos tomarem cerveja.

O final da história foi no "Inferninho", um misto de bar, restaurante e casa de show que fica do outro lado da estrada, defronte ao campus. Tivemos que desfilar numa passarela de mesas, enquanto nossos veteranos nos descreviam como num desfile de miss. Podem rir, eu deixo!!!

Nesse dia, meu pai estava internado na Santa Casa de Itabuna, e eu tinha passado a noite lá, então tinha no carro uma muda de roupa, sabonete, xampu, toalha... e pude tomar banho e voltar pra casa livre da bagaceira que fizeram comigo. Os colegas não tiveram a mesma sorte. Trouxe uns 4 no porta-malas da Parati que tinha na época.

Acharam que foi pesado? Pois o de hoje foi um pouquinho pior. Além da pintura, (incluindo violeta de genciana) foram "temperados" com ovo, vinagre, cominho, corante... e graxa! Água suja foi o complemento, em várias etapas. Ovos foram quebrados não só nas cabeças, mas também dentro das calças. Uma linguiça calabresa passou de boca em boca, simbolizando vocês podem imaginar o quê. Comeram cebola, alho e pimentão. Nada disso eu presenciei... estava na reitoria, de papo com a loira, aproveitando horário vago entre as aulas, quando chegou um telefonema (não sei de quem), dizendo que o trote estava pesado demais, e que estavam chamando a polícia. Como tinha uma amiga nessa turma, desci pra ver o que estava acontecendo. Cheguei a tempo de ver os calouros "pintados", imundos, se jogando de barriga numa poça de lama, depois rolando na areia da quadra, fazendo "ola de bunda", "natação" na areia, e depois eles próprios enterrando um "esperto" que no primeiro dia de aula disse que era calouro de medicina. Se lascou, se lascou!

Fotografei o que deu, com um certo receio de que eles se virassem contra mim. Relaxei um pouco quando vi que tinha várias pessoas fotografando com celular, e quando os próprios calouros posaram pra mim. Bem, a polícia não chegou a vir, e entre mortos e feridos, escaparam todos. Comeram areia, e passaram frio, molhados num dia branco em que o vento fazia as palmeiras darem voltas no ar.

As fotos tão aí, pra conferir. Confesso que preferia um trote inteligente, que fizessem os calouros pagar mico, mas sem mexer com a dignidade, como o trote de enfermagem, que incluiu doação de sangue.

Mas... como disse no início, não pude deixar de rir. Eles encararam tudo como algo do qual não podiam escapar, e o bom humor tava presente. Apesar de tudo, entrar na faculdade - e pública - é algo que precisa ser comemorado, e não dá pra ficar emburrado por algo que "faz parte" das tradições universitárias.

(Só agora tô me lembrando que Line não teve trote... e o semestre dela já está acabando. Tão vendo? Ela não vai ter do que se lembrar...)

Sabina... Desculpa, mas tive que postar as fotos!






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