31.10.06

Eu e Drummond... de novo.

31 de outubro. Pra mim, não, não é Hallowen. É o aniversário de Drummond. Faria 94 anos, se estivesse vivo. Mas pra mim, está.

Está vivo nos poemas que nas entrelinhas trazem tanta coisa de mim... como já escrevi aqui.

Está vivo na lembrança de ter sentado com ele num banquinho em Copacabana...

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Está vivo na paráfrase que Adélia Prado fez e onde me vi mais ainda...

"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra disse:
Vai Carlos, ser gauche na vida!"

"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza
e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou." (Adélia Prado - Mas poderia ter sido eu)

É. Hoje é dia de cantar parabéns, de comer bolo com coca, de lembrar de coisas boas, de celebrar uma amizade que mesmo sendo unilateral é preciosa.... E cantar Parabéns pra mim que tive o privilégio de conhecer o que ele deixou de tão rico.

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