20.10.06

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!


Mario Quintana - A Cor do Invisível

Faz de conta que fui eu que escrevi o poema triste, com uma "caneta do mar", nas areias de alguma das minhas praias. Faz de conta que eu andei por elas hoje, faz de conta que minhas pernas doem porque andei bastante, recebendo o sol no rosto e nas costas. Faz de conta que eu chorei e as lágrimas lavaram tudo que tinha pra ser lavado. Faz de conta que eu acredito que o que sai com as lágrimas não volta. Faz de conta que quando o sol se põe as tristezas vão dormir e quando ele nasce, tudo fica novo com ele. Faz de conta que eu sou mais forte do que acho que sou. Faz de conta que alguém me contou uma coisa boa. Faz de conta... e eu conto também.

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