12.11.06

Cavar poços ou entulhar

Não costumo falar aqui de política, ou religião. De futebol, já falei algumas vezes, por conta do Colo-colo. Acho que não vale à pena provocar polêmica por conta de coisas que são escolhas estritamente pessoais. Mas hoje vou falar de fé. Não sobre religião, mas sobre fé.

Perdi a conta das vezes em que cheguei na igreja com o coração doído ou machucado, e recebi de Deus o consolo e a cura. Pra falar a verdade, cada vez que entro ali, ouço a voz dEle falando através das canções, da palavra do pastor, e dos sorrisos e carinhos com que me envolve aquele povo acolhedor. Podem falar o que falarem "por aí", mas minha experiência com a Igreja, enquanto instituição, é altamente positiva. Porque é uma experiência de .

Semana passada não fui aos cultos no domingo, (estava com dor-de-ouvido-que-era-de-dente), ontem não fui à reunião do meu grupo (fui fotografar as Bodas de Prata da Amiga) e estava sentindo muita falta de tudo isso. Sentindo falta não só do que eu vou lá receber, mas também do que eu vou lá entregar. Quem convive mais de perto comigo (mesmo que de longe), sabe que tenho passado uns dias cinzentos, e por mais que a gente saiba que os problemas podem ser oportunidade de crescimento, se a gente souber como encará-los, às vezes eles nos deixam tão down, que parece que não vamos mais levantar.

Hoje senti vontade de repartir com vocês o que senti. A dureza financeira não tem sido fácil, ao ponto de eu me ver exatamente como Davi, o salmista, quando dizia: "diante das dificuldades, para onde olharei? Somente para o Senhor, é dEle que vem o meu socorro." E em meio a todo o problema, Deus se apresentou a mim de maneira maravilhosa, em forma de pessoas que tornaram palpável o "socorro bem presente na hora da angústia". E como não fui ao culto semana passada, hoje tive uma alegria muito grande em poder entregar o dízimo, como reconhecimento de que tudo o que recebo vem dEle, e devolver a Ele é uma prova de fé e demonstração de gratidão.

Cheguei já atrasada, e entrei enquanto a igreja cantava "Meu bom pastor não vai deixar na minha vida algo me faltar. Meu El Shaddai cuida de mim". E em seguida, "Tua graça me sustenta, Tu és a minha provisão. Em tua sombra eu descanso só para ouvir Tua voz..." e todas as canções vinham dizer ao meu coração aquilo que eu havia experimentado durante os dias passados, sobre o cuidado de Deus em minha vida, e na dos meus filhos.

Depois do momento de dedicação dos dízimos, o pastor chama quem quiser ir à frente por um motivo especial de gratidão ou um pedido especial de oração. E enquanto ele orava, e falava da incredulidade (falta de fé) diante de um problema que dura mais tempo do que na nossa cabeça é o "suportável", lembrei dos discípulos que passaram a noite toda pescando e voltaram sem nada... e pela manhã, Jesus os encontra e diz: "Voltem ao mar alto e lancem a rede." Eles ainda argumentam que já tinham feito isso durante toda a noite, mas completam: "sob tua palavra, lançaremos as redes". E pensei em quantas vezes pedi e pedi algo a Deus, até desistir, cansar... mas foi como se ouvisse bem claro: "peça de novo". "E de novo. e mais uma vez". Por crer que o tempo é a variável que determina tudo o mais, e que nessa não posso interferir.

Da mesma forma que para Abraão demorou 20 anos, as promessas de Deus pra mim podem não vir no tempo que eu desejo, podem demorar mais do que eu acho que deveriam... E ouvi bem claro a voz dEle através do pastor quando falou: Deus não trabalha na nossa ansiedade nem na nossa angústia. Ele espera que a gente confie, e se acalme, para então Ele agir. E Ele não se dobra às nossas atitudes de má criação e nosso bater de pé "eu quero, e quero agora!". E que quando enfrentamos uma prova, é como na escola: se somos aprovados, subimos um degrau e em seguida vem uma outra prova, provavelmente mais difícil. E como Abraão ouviu de Deus: "não quero o seu sacrifício, quero sua obediência, e que nela você descubra a fé que tem."

Quanta coisa eu consegui enxergar hoje em cada pedacinho daquele culto! (E nem cheguei no assunto do título do post! Quem estiver cansado, o xis ali no canto direito serve pra isso mesmo.)

Durante a mensagem, o pastor falou sobre a situação enfrentada por Isaque, que herdou os poços que seu pai cavara e que tornavam a terra mais valorizada. Os filisteus, ao verem que Isaque se dava bem, encheram os poços dele de entulho. Ele, sem brigar, foi cavar outros em outro lugar. Que foram novamente entulhados. E ele cavou ainda outros. Que foram "reclamados" pelos vizinhos como seus. E ele teve raça pra cavar outros, até conseguir levar sua vida e manter seu gado e sua família em paz.

E assim é hoje. Uns vivem "cavando poços", batalhando por sua vida, e quando conseguem algo, vem a inveja alheia que faz corações mesquinhos fecharem com terra a fonte preciosa de água. E a pergunta é: qual a minha atitude diante dos "poços" na minha vida? Eu entulho a vida de quem tá bem, ou consigo enxergar na "terra seca" que existe água embaixo?

Ontem fiquei triste de ver o post de despedida da Clau. E hoje vi que foi exatamente isso. Ela cavou o poço, valorizou a terra, e vem alguém invejoso e joga entulho. Exatamente na semana em que comemorávamos os 5 anos do "Life, now playing", as amizades feitas e cultivadas através dele, e numa fase em que ela está no auge da felicidade... Inveja é mesmo uma merda! Mas eu sei que ela é bem como Isaque... vai cavar outros poços, e continuar prosperando, crescendo e progredindo. E quem não gostar de ver as conquistas dela vai mesmo é se ferrar, porque a bênção de Deus não chega via inveja.

É isso. Torço pela Clau sempre, fico feliz com cada conquista dela - e de quem me rodeia - e tô aqui, baianamente retada com a falta que vou sentir de ler o blog atualizado várias vezes por dia, dessa mulher raçuda que vai vencer sempre porque é do bem e não tem medo nem preguiça de lutar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Uma noite dessas sonhei que estava descendo as escadas que davam para o portão lá de casa, p/ pegar quatro baldes de água que estavam perto do portão, e logo do lado da escada tinha um poço , mas ele estava totalmemte entulhado com roupas minhas e cobras, algumas dessas cobras sairam do poço tentando impedir que eu chegasse até os baldes também!E é verdade é isso que tem acontecido na minha vida..tem horas que acho que naum vou conseguir cavar mais...Mas se não há esperança, acaba-se a vida!!!E a vida é o nosso bem mais precioso!!!