9.11.06

Lágrimas antecipadas

Planejei tanto esses dias... Sonhei com eles... E foram tãããão diferentes de tudo que pensei...

A quebradeira geral do bolso, a deprê, o stress da faculdade, os outros contratempos... contribuíram para que os 32 dias de férias dela em casa não fossem exatamente o tempo só de prazer que eu imaginei. Tá certo, acho que foram dias maravilhosos; não posso dizer que foram os melhores do ano, mas entram no TOP FIVE.

Comemos menos acarajés do que pretendíamos, o sol nos enganou e se escondeu atrás de muitas nuvens bem nas horas em que apontamos nossas câmeras pro lado dele, a programação do Santa Clara não colaborou para as nossas movie nights, mas... ainda assim valeu demais!

Vou sentir falta de tanta coisa...

Dividir a cama king size e ainda tomar tapa, chute e ter que me ajeitar em 1/4 dela, quase caindo, e brigar pelos meus travesseiros que não tem jeito, parece que são preferidos incondicionalmente... Me jogar na cama dela pra acordá-la cantando uma das muitas musiquinhas que são só nossas... A chave de perna pra ver quem fica com a perna por cima, ou quem pesa mais em cima da outra ("tá me chamando de gorda, é?")... Entender e ser entendida num olhar, especialmente nas refeições Gilmore... Fazer florzinhas de croché pra ver distribuídas nos lugares mais inusitados (cabelo, roupa e até sapato)... Apertar as bochechas e dizer bobagens como se diz a um bebê...

Sentir o "cheiro de mato" nos cabelos lavados com o mesmo shampoo que eu, e que no cabelo dela fica completamente diferente. Me surpreender com o que vejo a cada vez que ela se arruma pra sair. ("Que blusa é essa?" ou "O que você fez nesse cabelo, menina?") Ouvir o piano ou a flauta tocando músicas que me dizem tanta coisa. Engolir pelo ouvido não só o brit rock mas também Los Hermanos e Nando Reis. Encontrar minha cama cheia de fiapos de linha, farelos de biscoito, retalhos de revistas. Ter que, a cada banho pegar uma toalha limpa, porque a minha foi usada por ela.

Mas, de verdade, adorei ter companhia pra coisas comuns como ir ao dentista, ao banco ou ao supermercado. Adorei ter de novo massagem e cafuné. Adorei ter a quem mostrar meus trabalhos da faculdade e minhas fotos. Adorei ter uma voz crítica pros meus "projetos de design de baixa complexidade". Adorei até mesmo ter mais uma pra dividir a coca e o PC.

Nem imagino como vou me sentir, amanhã a esta hora. Ou melhor, imagino, sim. Mas quero negar. Saudade, saudade, saudade... que coisa mais ruim de se sentir! E ninguém venha me dizer que é bom sentir porque se viveu coisas boas, ou que é melhor do que não sentir nada. Isso é conversa pra boi dormir. Eu que sei o quanto tá me doendo deixar de novo partir um pedaço de mim, que cada vez sinto mais meu. Então, ninguém tente me consoloar, que não adianta. Me deixem curtir minha dor, minha tristeza e minha saudade antecipada.

Isso sem falar na agonia que sei que vou sentir só de lembrar que ela vai estar no RDesign (pronuncia-se "rê", viu?) sozinha em Salvador, pela primeira vez... ai ai ai...Tenho é que me concentrar no fato de que na quarta feira estarei lá também, e vamos passar 5 dias memoráveis curtindo a bela capital da Bahia. E ainda vou poder apertar muito minha nêga e dizer: Mamãe zi ama, mamãe zi dola, mamãe zi quer... (podem rir, eu sei que é ridículo, mas já tá no folclore da família há duas gerações!)

E por mais músicas que permeiem nossa trilha, essa é a que mais é a dela, pra mim.



She may be the face I can't forget,
A trace of pleasure or regret,
May be my treasure or the price I have to pay.
She may be the song that summer sings,
May be the chill that autumn brings,
May be a hundred different things
Within the measure of a day.


She may be the beauty or the beast,
May be the famine or the feast,
May turn each day into a heaven or a hell.
She may be the mirror of my dream,
A smile reflected in a stream,
She may not be what she may seem
Inside her shell.

She who always seems so happy in a crowd,
Whose eyes can be so private and so proud,
No one's allowed to see them when they cry.
She may be the love that cannot hope to last,
May come to me from shadows of the past,
That I remember till the day I die.

She may be the reason I survive,
The why and wherefore I'm alive,
The one I'll care for through the rough and ready years.
Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be.
The meaning of my life is she...

(Charles Aznavour, mas poderia ter sido eu)



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