29.11.06

Maio, 2006 - Quero Ler, Você Deixa?

Ao me deparar com um e-mail-convite-intimação para escrever um post destinado às comemorações de um blog muito especial para mim, de alguém mais que especial para mim, eu quase caí em choro. E não é exagero não! Fiquei muito emocionado em ser convidado para escrever no blog Quer ler? Eu deixo! de uma pessoa tão especial, quando a palavra especial é pequena para guardar suas qualidades. Depois da emoção veio a preocupação. O que escrever que será exposto no blog em que me espelhei muitas vezes para escrever no meu? O que escrever no blog que considero o melhor dos listados em minhas leituras? Nestas reflexões decidi que deveria ser algo simples como sua escritora. Para isto bastava deixar fluir do coração as palavras.

Dia 11/03/2006. Há datas que ficam marcadas em nossas vidas. Ao consultar o Diet-Analfa Gênesis revi o primeiro comentário da Bel no Diet, quando este estava ainda em seus primórdios. Era o início de uma amizade verdadeira, que guarda um conjunto de histórias enredadas por risos, choros, palavras amigas, aconselhamentos, puxões de orelha (quantos eu levei), reclamações, DDAs e muito, muito carinho entre duas vidas que certamente Deus fez encontrar. Tanto carinho que levou as pessoas acreditarem tínhamos algo mais do que uma verdadeira amizade. Era um momento difícil que estava passando, assim como ela. Momento de separação de uma pessoa que foi sua companheira. Separação de coisas que você acreditou quase que uma vida inteira. Separação da vida que você acreditou que iria viver até morrer. Deste dia em diante a convivência com Bel foi se estreitando através do blog, orkut, telefone e até pessoalmente quando esta baianinha passou como um vendaval pelo RJ. Até a minha família ela teve a oportunidade de conhecer, assim como a culinária de D. Lúcia, mãe do Sr. Diet.

Belzinha escolheu o mês de maio para mim. Como a conheço, sei que a escolha não foi ao acaso. Primeiro é o mês do meu aniversário, um mês que este ano foi muito difícil para mim e por pouco meu aniversário foi uma data triste. Só que a baiana me ajudou bastante. Segundo que foi o mês de seu apagão, do seu sumiço, que mereceu, inclusive, um post. Se tem uma coisa que aprendi escrevendo para meu blog foi que você tem a obrigação de justificar aos seus leitores quando há demora em escrever algo. Questão de respeito. E este seu sumiço foi justificado. Fui lá para ver os comentários e revi uma frase muito intensa. Sabe aquelas frases que se solta desapercebidamente, mas depois ganham um sentido profundo? Escrevi que estava conhecendo a outra face de ter um blog. Que outra face é essa? Naquele momento descobri que ter um blog significa muito mais que escrever. Ter um blog significa muito mais que dizer eu tenho um blog. Ter um blog é ter um filho para se criar. Aliás, quantas vezes escrevo algo e falo para Bel: vai lá correndo ver o filho que pari. Ter um blog é escrever o que não se poderia dizer. É expor o que está lá onde ninguém tem acesso, onde é impenetrável. É poder fazer parte de um grupo de blogueiros e, assim, não ser recriminado por ter tara em escrever. É não ser excluído por ter uma mente fértil e idéias espontâneas como tirar uma máquina digital da bolsa e fotografar quatro meninos de rua às 23 h numa estação de trem do RJ. Ter um blog é ler outros blogs e descobrir um pouco da personalidade da pessoa que escreve. É poder dizer ao mundo, aos seus desafetos, aos seus afetos quem você é e o que pensa. É se permitir escrever posts gigantescos sem se preocupar se alguém vai ler, ou mesmo posts miniaturas quando vem o apagão. Ter um blog é festejar quando este faz um ano de vida e querer comemorar porque é realmente motivo de comemoração, pois saber dentro de si que o que você escreve alcança pessoas que se importam com você não tem preço.

Ter um blog é ter a felicidade inenarrável de escrever para o blog de quem você é fã, o blog em que você se espelhou. É como se o Pelé convidasse um jogador de futebol para ser do time dele na comemoração dos 30 anos de seu milésimo gol. Ter um blog é apreciar os dedos no teclado exprimindo on line o que vem na sua mente. É surpreender a si mesmo em observar que a sensibilidade que possui o faz caminhar através das letras.

Olho agora para o teclado e vejo as mãos da Bel em cima de um teclado na foto que dava a cara do seu primeiro template e logo lembro-me de todo o processo para fazer o meu. Lembro-me do abraço ao vê-la no aeroporto e sua cara de brava quando soube que não iríamos mais ao Teatro Municipal. Vêm muitas lembranças, mas que não me permito relatar aqui para que o post não vire um livro (blogueiro escreve demais).

Só tenho a parabenizar a Bel por este trabalho que não é trabalho, é diversão, e agradecer por fazer parte de nossas vidas a cada momento que abrimos o Quer Ler com posts que nos fazem rir e chorar. Parabéns pra você nesta data querida.

Rodrigo

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