27.11.06

Papo de mãe

Meu amor

Fiquei muito triste no nosso último telefonema... principalmente por ouvir seu choro e não poder fazer nada de concreto. Aliás... posso, sim, e tô fazendo: orando por você. A gente precisa crer que oração funciona. E eu creio.

Não posso estar aí com você, mas o nosso Deus está tanto aqui comigo, acalmando meu coração, quanto aí com você, lhe dando forças a cada dia pra enfrentar as batalhas.

Matar um leão por dia parece que é pouco, nessas horas acho que tem uns 40 num dia só... Mas lembre que Ele não dá a carga maior do que a que podemos suportar.

Como eu queria poder resolver seus problemas de moradia... ter dinheiro pra alugar um apê mesmo que pequeno, mas que vc pudesse ficar sozinha ou chamar alguém que lhe agradasse pra dividir... (Mas lembro que passei por coisas assim, também... e era um pouquinho pior, pq era num internato, e todo mundo sabia da vida de todo mundo, as brigas internas ficavam sendo públicas... era um horror.)

Queria que suas batalhas fossem só aquelas com os livros e trabalhos, com o CDU lotado e até o aperto de dinheiro... mas que seu coraçãozinho estivesse bem...

Infelizmente não controlamos essas coisas...

Tenho que ir pra uesc agora, apesar de ser segunda, vai ser uma "tarde de apresentação de trabalhos" pq a sala de multimeios estava sem ar condicionado semana passada. E é aquele bendito trabalho do livro que eu li na estrada pra SSA... Sabe o que é não saber o que vai falar? Pois sou eu. Tomara que Deus tenha misericórdia de mim e me dê a luz que eu tanto preciso nessa hora... porque tá brabo. Amanhã tem outro... sobre a rádio-poste. E ainda tem a bendita edição do telejornal da turma. Sua mãe vai pirar...

Vamo fazer o seguinte: tu ora MAIS por mim e eu oro MAIS por tu... e assim a gente se ajuda no que pode.

Te amo, minha nêga...

Um monte de apertos "tipo Felícia"...

Lor



Esse foi o e-mail que mandei pra ela logo depois que desliguei o telefone depois de vários minutos de uma ligação dolorida quando as lágrimas rolaram... de um lado só, porque o outro tinha que se fazer de forte e acalmar quem precisava mais.

As agonias de "viver em sociedade" - entenda-se dividir apartamento - não são pequenas, embora possam parecer assim para quem está de fora. Coisas simples tomam dimensões enormes, especialmente pra uma DDA, e a outra, que está longe, fica meio que desesperada, por não saber como ajudar. Mas é assim. É a vida dela, e ela vai ter que resolver os problemas que aparecerem. Só que a mamãe aqui vai, sim, estar "por perto" mesmo que longe, e vai ser o colinho onde ela pode chorar todas as vezes que precisar.

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