1.12.06

Ana e Mia

São duas "amigas"... Fiquei estarrecida quando as conheci. Não conheci pessoalmente, graças a Deus. Foi aqui, no mundo virtual, na blogosfera que as encontrei com esses nomes. A morte de uma modelo, por anorexia, amplamente divulgada na mídia, levou a vários blogueiros postarem sobre o assunto. Assim, de um post a outro, seguindo os links... encontrei coisas escabrosas. Não vou linkar nada aqui, porque tô escrevendo já morrendo de sono, e também porque não quero voltar naquelas páginas por onde passei, não vale à pena.

Ana e Mia, são como são carinhosamente chamadas a Anorexia e a Bulimia, por meninas, em sua grande maioria adolescentes, que, para surpresa minha, não são nada inocentes no que diz respeito a esse assunto.

"Eu não sabia que anorexia podia matar", disse a mãe da modelo. Ah, claro que não. A gente come só por esporte, não por ser necessário à sobrevivência. A expressão "morrer de fome" é algo meramente figurativo. Se a mãe da menina era inocente assim, as adolescentes definitivamente não são. Elas sabem tudo sobre o assunto, trocam "receitas" e experiências abertamente, nos blogs, no orkut, que se vocês forem procurar, vão se espantar. (Ou será que sou EU a inocente nessa história???)

As criaturas assumem que são anorexicas e bulímicas, é quanto a isso que me refiro quando falo sobre a "inocência". Fazem de tudo para bular a vigilância (parca, é claro) dos pais, médicos e psicólogos, quando esses percebem a situação e tentam ajudar. Todas elas dizem que "sabem qual é o limite" e fazem metas inexplicáveis e inatingíveis de 40, 38 e até 36 Kg, com alturas entre 1, 60 e 1,80m. Se acham gordas, imensas, baleias... apesar de postarem fotos de costelas aparecendo sob a pele.

Mas não vim aqui fazer um tratado sobre as doenças e nem levantar qualquer bandeira. Não tô num momento "socialmente engajado". Vim a este assunto somente porque quero falar do prazer que é comer, e como ele foi alimentado ontem. (trocadilho infame!) Eu como, gosto e como gosto! Gosto muuuito de comer, embora não ache que como muito. Adoro comida com pimenta-de-cheiro, mesmo que depois passe 2 dias com azia. Hoje estou satisfeita com o espelho, mas já passei por fases de ficar deprimida só de me olhar e ver um bocado acima do peso. Lembro exatamente do dia em que pesei "60 de bola", junto com Lia, numa das balanças da cidade. Foi um desespero!!!

Com o hipotireoidismo, o metabolismo fica lento, e a dificuldade pra emagrecer é enorme. Com o DDA, a persistência e a força de vontade vão pras cucuias. Então... Dieta e exercícios fisicos são coisas completamente cortadas da minha agenda. Mas e então, como fico satisfeita com o espelho???

Já fui bem magrinha. Mais até do que Line. Quando casei, aos 21 anos, pesava 40Kg. Acredite quem quiser, mas era assim. No final da gravidez de Line, estava com 52. Voltei aos 46, meu peso normal na época, em 12 dias. No final da gravidez de Kiko, pesei 58. E não voltei nem um grama depois disso! Dá pra imaginar como me sentia imensa??? Já chegeui a pesar 64Kg. Isso com a "baixura" de 1,57m. O rosto ficou redondo como uma bolacha Maria, e os olhos que já somem no sorriso, desapareciam por completo. Claro que eu desejava emagrecer, mas, como???? Um dia recebi um cartão de Dia das Mães, eu acho, de Abelzinho onde ele pedia desculpas por ter me feito engordar. Fiquei com pena dele... e a partir daí parei de dizer que não emagreci mais depois da segunda gravidez.

O tempo foi passando, e já havia até me acostumado a comprar roupas em loja de gordinho, a só usar roupa folgada... Mas a gente nunca sabe o que nos reserva o futuro!!! Tentei tomar os produtos Herbalife, mas não suportei o tal Shake, nem o de chocolate nem o de baunilha. De repente... me vi emagrecendo, levando calças pra apertar na costureira... Sem parar de tomar minha coca-nossa-de-cada-dia, nem dispensar nada que desejasse comer, fosse doce, fritura, a porcaria que fosse. Encontrei com um amigo que passava pela mesma situação... e descobrimos, rindo, que nosso método de emagrecimento foi o "Pobrema Life"!!! Pelo menos pra uma coisa a situação toda serviu, né?

Voltei a usar roupas justinhas, reduzi o tamanho da calça jeans pra 40, e mesmo assim, apertando na cintura. Ouvir todo dia: "puxa, como você tá bem, tá mais magra, elegante..." faz um bem danado! E o melhor é que eu "fundo dentro" do que eu gosto: pizza, lasanha, sonho, comida bahiana cheia de dendê, acarajé, abará... e tô na boa!!! Não troco meu corpinho de 40 pelo de muitas menininhas de 15, já cheias de estrias, nos lugares mais improváveis, tipo nas costas. Exibo minha brancura no biquine sem medo de ser feliz, com uns risquinhos na coxa, que não tem photoshop que tire, e com as marcas do tempo que me fez ser quem eu sou.

Tenho pena de quem "dispensa" o grande prazer que é comer.

Ontem, na casa de Regina, comemorando o aniversário de Duca, comi tanto, que pensei que ia passar mal. Não passei. E sem Sal de Fruta ou coisa que o valha. Reparto aqui com vocês a felicidade de poder celebrar a festa virtual do meu blog numa outra festa onde a coca e a "porta aberta" foram bem reais!!!



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