2.12.06

Eu e os meninos do volley

Eu não sou dos esportes. Só fui durante o tempo do 2º grau, no Vitória, quando os "interséries" faziam o colégio pegar fogo. Jogava Handball, e no gol, que era onde precisava me mexer menos hehehehe. E mesmo assim, porque minha turma era pequena, e precisava desesperadamente de todo mundo na quadra. Tenho ojeriza por esporte de contato. Acho um absurdo as pessoas se machucarem assim, simplesmente pela maldade alheia. Mas sempre gostei de assistir volley.

No volley você só se machuca por acidente. Porque ninguém vai querer que o companheiro se machuque. As distensões, dedos quebrados e etc nem chegam perto da violência do futebol e mesmo do basquete, apesar de "contato" ser contra as regras.

Desde a década de 80, (não vou especificar nada aqui, que com a minha cabeça que não é "de confiança", sempre vai aparecer alguém pra me corrigir) que nas competições internacionais, fossem Olimpíadas ou Campeonatos Mundiais, eu tava lá, vidrada na telinha, a hora que fosse. E não nego que era até melhor quando era de madrugada. Na época do internato, a folia era grande... A seleção de Tande, Giovane, William, Bernard e o "Jornada nas estrelas"... Saudade... Depois a turma de Paulão, Carlão, e não sei mais quem (sou DDA, não esqueçam)...

Tenho assistido os jogos do Mundial no Japão essas madrugadas... e fico observando os meninos. André Heller, Giba, André Nascimento, Ricardinho, Marcelinho e Dante! Bernardinho só falta avançar em cima deles pra bater, porque grita e xinga como se estivessem fazendo tudo errado. Quase todos os jogos foram 3 x 0, perder um set aqui outro ali... pra ele nunca é suficiente. A equipe é unida, ajustada, cada um sabe exatamente o que tem que fazer... e quando Ricardinho inverte a jogada, ou manda a tal fundo-meio... ah, é bonito demais!!! Os meninos são humildes, não cantam vitória antes da hora... E é uma equipe bem humorada, apesar de Bernardinho. Como eles conseguem? Nem imagino.

Já tive uma professora assim... nunca elogiava. O grande elogio era virar a página do livro de piano e passar para a "lição" seguinte. Porque isso significava que estava perfeita a anterior: fraseado, dinâmica, interpretação, além de tocar as notas certinhas, cada qual em seu tempo "justo". Se eu ia pra aula com a lição estudada, e "virava a página", saía dali como que conseguiu o pote de ouro do fim do arco-íris. Quando não estudava por algum motivo... (normalmente o estudar ou não-estudar era perfeitamente visível) já esperava além da cara feia de sempre, o sermão sobre responsabilidade e etc. Mas ela nuuunca, nunquinha me disse: Que bom, você tocou bem! Mas um dia eu soube que ela havia me elogiado pra uma outra professora. Que me adiantava? Pra mim, nunca tava perfeito, nunca tava bom. Sempre tinha algo a melhorar, a consertar. Ela ficar calada já estava de bom tamanho. É como a Miranda Priestly, de "O diabo veste Prada", se não balançasse a cabeça já era sinal de aprovação.

Eu não quero ser assim. Como Bernardinho ou a minha professora. Nem quero que sejam assim comigo. Não funciono sob pressão, pra provar algo a alguém. Acho o máximo elogiar, incentivar, agradecer, reconhecer... sei que faz bem. Tudo bem que tem hora pra tudo, como dizia o sábio Salomão... e tem hora de dizer que está ruim, errado ou mal feito. Mas não custa se alegrar com o que foi feito e bem feito, né?



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