24.1.07

Caçando mais do que pipas

Nesse meu final-de-semana-prolongado (e marromenos), além de praia gostosa, boa companhia e boa comida, li "O Caçador de Pipas" de Khaled Hosseini. No topo da lista dos mais vendidos da Veja, o título sempre me soou como um livro de auto-ajuda, não sei porque. Ouvi e li vários comentários, mas todos eram muito superficiais, só que o livro era "muito bom". Baixei o e-book e comecei a ler, mas aí o pc pifou, depois eu viajei... só sei que não tinha passado dos primeiros capítulos. E, vamos combinar, ler no computador, quando não tem jeito, vai, mas o bom mesmo é ler deitada, ouvindo música, mudando de posição a hora que quiser... não sentada na frente da telinha (e sendo interrompida por mim mesma e por mil outros estímulos). Assim, quando no sábado o livro caiu nas minhas mãos...senti que era "a" oportunidade. E de sábado pra domingo devorei a história - linda mas extremamente triste - de Amir e Hassan.

A história é tocante, profunda... prende e você sente que precisa ir LOGO até o final, não dá pra parar e continuar depois. Mas não vou contar nada dela, não. Vou só copiar alguns trechos... que podem se referir não somente à realidade desta ficção, mas à vida.

"Descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar."

"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simples mente uma variação do roubo. Quando você mata um homem, está roubando uma vida - disse baba. - Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, estároubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça."

"As crianças não são cadernos de colorir. Você não tem de preenchê-lo com suas cores favoritas."

"Na verdade, por que ele precisava estar triste para derramar lágrimas? Será que não podia simplesmente cheirar uma cebola?"

" 'É duro dizer isto', acrescentou ele dando de ombros. 'Mas é melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta'. "

Seria um erro dizer que ele era quieto. Quieto significa em paz. Tranqüilidade.
Estar quieto é baixar o botão do volume da vida.
O silêncio é pressionar o botão para desligar. Desligar tudo.
O silêncio dele era o silêncio auto-imposto daqueles que têm convicções, daqueles que protestam, que tentam defender a sua causa recusando-se a falar. Era o silêncio de quem se escondeu no escuro, dobrou todas as bordas e as prendeu, bem enfiadas nos cantos, como se faz com um lençol."

"A novidade tinha se esgotado. Como um papel de parede que desbota, Sohrab acabou se misturando ao pano de fundo."


Ontem, no Shopping vi uma "edição ilustrada" do livro. São fotos de pessoas e situações reais no Afeganistão, mas não necessariamente dos personagens do livro. Porque é ficção. Mas bem que poderia ter sido real. E como a vida, às vezes não se chega a um final feliz. Mas há sempre uma esperança, um riso rápido no canto da boca, que pode significar que ainda há muito pra ser vivido.

O filme está pra ser lançado, e se for como já "rodou" na minha cabeça... não pode ser perdido, de jeito nenhum.

E aqui vocês podem fazer download do e-book e conferir que vale à pena.


(Foto de Cida, no "camarote especial". Enquanto os outros assistiam o jogo, eu lia. 21/01/2007)

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