29.1.07

Encontros... e reencontros.

A vida tem sido generosa comigo nessa questão de amizade. Eu não tenho irmãos - nunca tive - e isso me fez valorizar muito os amigos. Desde sempre. E aprendi que pessoas têm mais valor do que coisas... assim, quando recebo alguém em casa, eu não fico muito preocupada com o aspecto das coisas, com o que vou oferecer... mas me ligo em dar atenção a quem vem aqui - e eu espero que venha por mim e não pela minha casa ou pelo que eu possa vir a oferecer. Claro que procuro fazer o melhor, uma caminha confortável e comidinha gostosa (que a Vera faz), mas não fico estressada pelo fato de não morar numa casa chique, de não ser rica e não ter um carro do ano. E tomo pra mim o bordão de Marinete: "sou pobre mas sou limpinha!"

Nesses últimos dias recebi amigos queridos, que vieram reconfortar meu coração e matar um pouco a saudade. Lia e Hélio, (com as meninas que ficaram sendo minhas filhas por alguns dias), me trouxeram de volta um tempo bom, quando os papos não tinham hora pra acabar, e podíamos nos encontrar a hora que quiséssemos... jogar buraco durante toda a madrugada, e viajar juntos nas férias. É, o tempo passa e algumas coisas não mudam. Continuo sentindo que tenho uma irmã, sim.

Cida e Almir, depois de muita insistência, passaram menos de 24h aqui, mas como foi gostoso conversar tanto sobre o que Deus tem feito em nossas vidas...

Teve também um encontro de despedida. Nada muito gostoso, se for pensar que significa que não é somente um quarteirão que nos separa agora. Saí com Flávia pra caminhar na "Avenida" e até nos aventuramos no parque, num passeio meio melancólico mas que não permitimos ser triste. Melhor mesmo é agradecer a Deus por nos ter permitido conviver durante esses dois anos acrescentando algo à vida uma da outra. E afinal de contas, Salvador não é tão longe, e eu tô aprendendo a ver minha terra com outros olhos. A gente não vai se perder, lôra!

Mas outro dia a campainha tocou, e tive que olhar pela varanda, porque não reconheci a voz no interfone. "Cristina". "Quem???" Fui lá pra reconhecer a voz da única vizinha que eu tive e que foi DEZ. (Minhas experiências com vizinhos renderiam uns belos posts!!!) Quatro anos atrás eu chorei por dentro, quando ela me disse que ia embora pra Minas. Eu nunca tinha tido alguém tão próximo, assim, uma tinha a chave da casa da outra, os filhos ficavam lá e cá, quando uma de nó precisava sair... Até hoje lembramos de Nicholas falando "bilisqueta remelha" em vez de bicicleta vermelha. Curti a gravidez da Nicole, fiz as primeiras fotos dela, bebezinha... e senti muita falta, mas a vida é assim, e existem momentos onde as despedidas são embaladas por desejos de que a vida seja mais colorida do que tem sido até hoje e nesse lugar. Pois foi mágico rever os meninos tão diferentes, ("como você cresceu!!!") e os pais tão iguais! Ao mesmo tempo que parecia ter levado uma eternidade, parecia que foi ontem que nos vimos pela última vez.

Na sexta à noite, estava na formatura (assunto pra outro post ainda) quando o celular tocou, e era a Karine: "Bel, cheguei!" Vim da UESC, o mais rápido que pude, considerando a estrada super movimentada por conta do show de Ivete que trouxe o povo das cidades vizinhas pra Concha Acústica. Me assustei... ela não é "igualzinha na foto", não!!! Mais bonita, mais magra e menos alta!!! E com um sotaque que no telefone não era tão forrrte! (falando em telefone, não é que os nossos celulares eram iguais???)

Foi muito bom conhecer ao vivo mais uma blogueira que já era minha amiga há alguns meses. E no pacote veio o marido, Leandro, que me fez dizer sem a menor cerimônia: "Ainda bem que eu gostei do teu marido, viu?" Suuper gente boa. (Acho que devia até ser um pouquinho mais "gente ruim", pra não dar moral demais... hehehehe)

Não passeamos nem fotografamos tanto quanto imaginei que iríamos fazer (cerca de 120 fotos em cada câmera), mas conversamos muito, e foram conversas preciosas, que me fizeram acreditar ainda mais no que eu sempre soube: Deus sabe de todas as coisas. Como o Tapeceiro da canção de João Alexandre, que "sabe o fim desde o começo..." e "no fim da história tudo de encaixa, tudo se explica, tudo coopera pro bem..."

Comemos caranguejo, moqueca de camarão tomamos chocolate gelado... mas esquecemos do acarajé!!! E não faltou o bolo com coca, que regou nossas madrugadas de papo sério, e o por-do-sol com direito a experiências de luz e trocas de dicas entre os três apaixonados por fotografia, que perseguiram com o clique os botos que vieram se exibir. (Como ela disse, atrai os bichos. Quantas vezes eu já fui lá e nunca tinha visto os tais botos!!! Eram uns 4 ou 5 pulando fora d'água...)

Foram só dois dias, mas foram intensos. E acho que nunca serão esquecidos. Acordaram cedinho hoje, pra pegar a estrada contra a minha vontade... até escondi o controle remoto da garagem pra ver se eles desistiam de ir hoje... ficou faltando tanta coisa pra ser vista e ser feita... mas é bom assim, fica ainda algum "motivo" pra voltar.

E quando eu pensei que as emoções eram suficientes, a tarde me reservou ainda um outro reencontro. Não sei se é assim com vocês, mas existem amigos de datas e situações específicas. E era assim com Nancy. Nos encontrávamos uma vez por ano, com certeza, nos abençoados acampamentos no Colégio Taylor-Egídio em Jaguaquara. Durante o resto dos meses, não nos víamos, nem nos falávamos, mas chegando janeiro... era certeza do reencontro. Só que a vida nos afastou, eu deixei de ir aos acampamentos, e embora morássemos em cidades vizinhas, por mais de 20 anos não nos encontramos. Quero dizer, nos vimos num Encontro de Casais e depois num show do Grupo Logos... mas muito rápido, não deu pra muito mais do que saber que ainda estávamos vivas.

Nos reencontramos primeiro através do orkut. (Eu brigo com quem disser que "é coisa do cão"!!!!) Combinamos várias vezes de nos encontrarmos, mas ainda não tinha dado certo. Ontem à tardinha fui surpreendida com um telefonema: "Você tem compromisso pra amanhã à tarde? Tô querendo ir aí pagar minha promessa..." Juro que não acreditei plenamente. Mas hoje quando nos abraçamos senti que realmente o tempo não pára, estamos ambas diferentes, amadurecidas... mas algumas coisas nunca mudam. Que bom que existem amizades assim!!!

Uma tarde foi pouco pra resgatar o tempo em que ficamos distantes... Interessante perceber que tanta coisa semelhante nos aconteceu, e como hoje podemos entender uma à outra, Deus é mesmo muito sábio em seus caminhos! Saímos pra curtir a brisa à beira mar... e infelizmente a tarde acabou. Mas deixou no coração um sentimento gostoso de ter ganho um presente, um carinho de Deus no coração.

E assim saiu esse post-gigante pra alegria de uns e desespero de outros... mas nunca se pode - nem eu tô interessada em - agradar a todo mundo. Agora eu vou ali tomar um café, que "conversar" tanto assim me deu fome! ;)

(Tem links pra fotos, não deixem de ver...)

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