19.1.07

Filho de peixe...

Não dá pra negar. Essa quase-semana que passei em Recife pude curtir um bocado a minha filhota e sentir o quanto somos parecidas, apesar das diferenças. Ela é estilosa, vaidosa... e eu sou despojada e não ligo muito pro visual. Ela só é falante depois de um tempo, depois de "se encontrar"... eu já saio abrindo a boca sem nem conhecer o ambiente nem as pessoas. Mas esse post é sobre as semelhanças e não sobre as diferenças.

Foi gostoso demais fazermos os programas que muita gente pode achar "sem sal", mas que pra nós tem um gosto especial de cumplicidade, tipo passar o dia na Livraria Cultura. E mais, chegar lá andando, saindo da Boa Vista, passando pelo Atacado dos Presentes pra escolher nosso "material escolar", lancharmos, e encarar com humor as bizarrices encontradas lá, incluindo o ursinho asmático.

No banner na porta da Cultura, estava a frase: "Filho de peixe, peixinho é" e o convite: "Você curte livro, CD e DVD como seus pais? Então venha fazer parte do Clubinho Mais Cultura." (Além da Coca, a Cultura também deveria me pagar pelo merchandising.) E no nosso caso, nem é uma questão de fazer parte do "clubinho", mas é de curtir mesmo as mesmas coisas. É ficar a tarde inteira por lá, e sentar pra ler os mesmos livros, seja "As Cariocas" de Sérgio Porto ou "Zorro" de Isabel Allende. Levantar pra ir assistir à contação de histórias para crianças e aproveitar tuuudo e entrar no clima mais do que as próprias crianças, fazendo dobradura, tirando fotos e "tomando boca" com os palhaços.

É perceber que o sol tá se pondo e subir correndo pro terraço do Paço Alfândega só pra admirar a vista do Capibaribe (que apesar de linda não é nada cheirosa). É voltar lá no dia seguinte, como se tivesse muito tempo sem ir... É almoçar pizza ou comida chinesa com o mesmo prazer... É abrir o "biscoitinho da sorte" e planejar jogar na sena os números que estão no verso dele, e nunca lembrar. É fotografar do chão ao teto do Shopping (que é o mais artístico que já vi na vida), é curtir a decoração e os detalhes das lojas, é entrar no Cuba do Capibaribe morrendo de vontade de assistir "Seu Chico" e se frustrar ao perceber que tem Sérgio Loroza. É pagar mico tirando foto de tudo e de todos, mas sabendo que vale à pena.

É tomar água de côco e futucar o côco por dentro com o dedo, dentro do ônibus, sem conseguir comer quase nada da "carne"e pensar alto: "Esses 2 reais teriam sido mais bem gastos numa coca!". É comprar o mesmo anelzinho (de cores diferentes), é disputar sobre "quem vai escrever sobre isso no blog"... É ligar e depois não lembrar por que ligou, e a outra perguntar exatamente por aquilo que foi o motivo da ligação. É ajudar nos trabalhos da faculdade, mesmo sendo em áreas diferentes... é fazer pesquisas e mandar links por e-mail. É fuçar o orkut de alguém que interessa à outra, é ler os scraps e ligar avisando do que tem lá...

É morrer de saudade. Mas saber que tem que ser assim, e que quando puder a gente se encontra. Na net, no telefone (que ela odeeeia) ou ao vivo.

O slideshow está sem legendas, porque tudo já foi dito aí em cima.

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