31.1.07

O que é notícia

Pra quem faz "Rádio e TV", como eu, as discussões sobre "o que é fato e o que é notícia" e similares são tão comuns que nem chamam mais a atenção. Mas quando a gente olha para a realidade dos telejornais... tem horas que bate mesmo é o desespero.

Por exemplo: ontem ouvi que na primeira sessão da Câmara dos Deputados, os novos eleitos tiveram "aula" pra aprender como funciona o mecanismo do Congresso Nacional. Beleza. Claro que quem nunca foi deputado não tem obrigação de saber. Mas daí a Clodovil não saber que precisava usar gravata... ah, tenha paciência! E isso é notícia? Fiquei lembrando do vídeo de 5 minutos que fizemos no 5° Semestre, onde fizemos um Telejornal FDP (Fora Do Padrão) e colocamos exatamente a antítese do que se apresenta todo dia no horário nobre.

Outra notícia no Jornal da Record: Dois remédios, fabricados e distribuídos pela Pfizer, foram tirados de circulação pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Fiquei atenta quando ouvi os nomes, porque já usei muito: Ponstan (pra cólicas menstruais) e Feldene (Piroxicam). Tá, foram considerados inadequados pela ANVISA, mas qual o motivo? O laboratório disse que eram apenas questões administrativas e que já estavam sendo resolvidas. A ANVISA, ao ser procurada, não deu maiores esclarecimentos, e recomendou que "procure o seu médico". Hã??? E um telejornal dá isso como notícia???? Cadê o bendito lead? (Quem fez o que, quando, onde, como, por que e daí?)

Mas o que mais me surpreendeu no rol de notícias de ontem foi a votação em praça pública, em Caracas, dos superpoderes dados a Hugo Chavez. Governar por 18 meses por decreto, sem precisar dar satisfações a ninguém, nem ao Congresso. E com a maior tranquilidade sai a última frase da matéria: "100% do Congresso é Chavista." Isso, sim, é notícia. Um presidente-ditador ter 100% do Congresso, e receber esse tipo de aval pra governar sem limites... claro que é notícia. Mas uma notícia tratada de maneira tão à toa, que eu fiquei me perguntando se realmente estava ouvindo aquilo, ou se era um pesadelo. Ditadura, de novo? E consentida? Ai ai ai... E eu que achei que o mundo tinha aprendido algo com a história!...

No fim das contas, a notícia que pra mim foi notícia mesmo foi a morte de Sidney Sheldon. Aos 89 anos, o autor de "Se houver amanhã" , "O reverso da medalha", "A herdeira" e outros tantos romances que embalaram minhas tardes/noites de adolescente-sem-que-fazer. Ele dizia que procurava escrever de jeito que o leitor não conseguisse parar de ler, e assim fez. Lembro que li "Se houver amanhã" numa tarde/noite até amanhecer, mas não parei. Fora que é dele o seriado "Jeanie é um gênio", que quem tem mais de 30 não deixou de conhecer. É, a morte de Sidney Sheldon foi "a" notícia pra mim , ontem.

E hoje... vou ali, afinal de contas, é quarta... é "Santa Clara Movie Night"!!! Nem sei qual é o filme, mas TENHO que sair de casa.

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