15.2.07

Cadê meu direito à bahianidade???



"Sou bahiano da gema... sou bahiano do bom.
E como diz Caetano, eu canto todas sem perder o tom..."
(Sim, se é bahiano ou baiano, tanto faz... Houaiss diz que ambas as grafias estão certas. Eu gosto com o "h", porque Bahia tem "h".)

Era assim que começava uma propaganda das Óticas Ernesto, nos anos 70. Mas eu também poderia dizer, afinal de contas, sou bahiana da gema, nasci em Salvador meeesmo, de pai e mãe bahianos também. Mas às vezes me sinto muito discriminada por não ter o tipo comum da bahiana típica, ser branquinha, ter o cabelo liso e não gostar de axé.

Perdi a conta das vezes que ouvi "você nem parece que é bahiana!". Como se apenas o visual contasse. (Ou o gosto musical.)

Nessa época de carnaval, é que parece que eu renego a raça mesmo. Desapareço de qualquer aglomeração, não quero nem sonhar em ouvir os maiores sucessos do carnaval, e abomino a programação televisiva.

Salvador é considerada a "cidade mais negra fora do continente africano", o bairro da Liberdade é o que abriga mais negros... sim, mas e quem não é negro? Fica simplesmente excluído da cultura local? Só existe a opção "baianidade nagô"??? Não existe a opção "baianidade" e ponto???

Está acontecendo uma exposição ao ar livre em Salvador, com 1501 painéis de imagens feitas pelo fotógrafo Sérgio Guerra. Belíssimas as fotos. (No link veja detalhes sobre a exposição.) Mas o título da reportagem que diz "projeto anti-racismo inunda Salvador de painéis fotográficos" me deixou pensando: será que esse é mesmo um projeto anti-racismo???

Pra mim, seria muito mais honesto (e correto) se intitular um projeto desses como "projeto de valorização da etnia negra". Porque isso nada mais é do que segregação racial. Tanto quanto o sistema de quotas para negros nas universidades públicas, que nas entrelinhas dizem: o negro não é suficientemente competente pra conseguir uma vaga na universidade pública.

Essa questão das quotas rende muito mais do que um post nessa bagaça. Mas o que mais me incomoda é que nela, o que determina se a pessoa é negra ou não, é a auto-afirmação. Então se euzinha, a própria Branca de Neve disser que sou negra, quem pode discordar? (E eu disse isso aqui.) Fora que é quase um pecado não ter melanina suficiente na pele. Quem me conhece sabe que não sou racista, não sou MESMO, mas queria também o respeito à minha brancura. Que eu não escolhi, mas me agrada. Que me deixa frágil, mas eu me lembro de me cuidar. Que não me faz melhor nem pior que os bahianos negros. Só diferente.

Um comentário:

kesia souza disse...

concordo com vc, lindaa!!