6.4.07

Entre o Natal e a Páscoa

"Eu queria cantar aquele Amor sublime
Como nem no céu existem dois iguais.
Amor primeiro, sem reciprocidade...
Sem princípio, sem fim: eternidade.
Amor, próprio Amor, Amor demais.

(...)

Mas, como cantar o maior milagre,
Se a terra silencia para ouvir o céu?
Diante do Grande feito pequenino,
A própria terra se transforma em hino:
Tudo é Amor, sublime Amor, Jesus nasceu!"

Myrtes Mathias, "Amor, Amor..."

Na minha casa, quando criança, ovo de páscoa nunca foi um ítem essencial, apesar de chocolate ser presença constante na geladeira. (minha mãe pensava: "se ela tiver bala, chiclete e chocolate em casa, à vontade, não vai precisar aceitar de estranhos na rua" - o velho medo das balas com droga). Aliado ao fato de crescer conhecendo o significado da Páscoa judaica e da Páscoa cristã, fui crescendo sem dar muita ligança ao ovo, ainda mais que o sabor de chocolata hidrogenado pra mim não chega nem perto do meio-amargo que eu adoro.



Na minha casa, depois de casada, cheguei a comprar ovo pros meninos, enquanto eram bem pequenos e não entendiam o motivo de não ganharem ovos, quando todo mundo ganhava. Mas à medida em que deu pra entenderem, fui conversando com eles sobre o assunto, e a filosofia da minha mãe foi acompanhada. (A única diferença é que tudo tem que ser dividido em três partes exatamente iguais, senão dá bronca. E quando eu era criança, era tudo só meu!!!)



Mas já que falei em filhos, em Páscoa... vou chegar ao ponto. Eu jamais entregaria meus filhotes em troca de absolutamente NADA ou NINGUÉM. Consigo entender uma mãe que se separa de seu filho para que ele possa ter uma vida melhor, ainda que longe dela, no caso de não poder meeeesmo criá-lo. Mas matar seu filho pra salvar a vida de outra pessoa? Não me viu!!! Tô fora!!! Perco a minha, mas protejo a vida deles. Em qualquer situação. Ainda mais sendo os meus os filhos que são, amorosos, carinhosos (cada um do seu jeito), obedientes (na medida do possível)...



Agora, pense comigo: Um filho "tudo de bom" e uma pessoa que não tem ligação nenhuma com você, podem ser comparados? Pra mim, nem de longe. Como entender, então, que Deus entregou seu Filho POR MIM, POR VOCÊ??? A história do Natal é linda, romântica, doce, feliz... mas ela não termina quando os pastores e os magos chegam para adorar o menino Jesus.



Primeiro, ela teve um motivo. O Natal existiu por causa da Páscoa. Jesus nasceu para morrer. E isso não como o restante dos homens, que "nasce, cresce (reproduz) e morre" como a gente aprende na escola. Ele nasceu com o objetivo de morrer, e morrer daquele jeito, na cruz, sofrendo tudo que sofreu. Segundo, nenhuma criança pede pra nascer, ou "consente conscientemente" com seu nascimento. Jesus nasceu porque concordou em se entregar. Isso vai tornando a história do Natal algo muito maior e mais profundo. Terceiro, Jesus não ficou para sempre criança, não é o eterno "menino Jesus". Viveu, atravessou todas as fases até se tornar um homem feito, e nos aproximar da história da Páscoa, que muitas vezes - quase sempre - não é lembrada nas festividades de dezembro.



Eu sempre achei um grande disparate as igrejas comemorarem o Natal com tanta música (ensaiei corais durante muitos anos em cantatas belíssimas de Natal) e durante a "semana santa" não se fazer nada especial. Na minha adolescência, houve um ano em que a minha igreja celebrou a Páscoa de maneira diferente. Fizemos, durante uma semana, as mesmas coisas que Jesus fez: De domingo a terça, quando Ele passou em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro, fomos estimulados a jantar uns nas casas dos outros, passando tempo com os amigos. Muuuito gostoso! Na quarta, quando Ele entrou em Jerusalém sendo aclamado pela multidão, fizemos um lindo culto de louvor e adoração, com muita música. Na quinta, quando Ele celebrou a última ceia, (e depois foi preso), celebramos a ceia também, com pães sem fermento e vinho "de verdade" (não suco de uva, como é usual). Na sexta, o culto foi focando a crucificação e a dor que Jesus sentiu... prova do grande Amor de Deus por nós ("Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Rom. 5:8). No sábado, cada um em sua casa, refletiu sobre os motivos que levaram a tudo aquilo acontecer. E no domingo, Às 6 da manhã, estavamos todos no templo, celebrando com muita alegria a ressurreição! Toda essa "odisséia" durante uma semana me marcou profundamente, e muitos anos depois repeti isso, coordenando o ministério de música da minha igreja.



E durante todo o tempo, procurei não desvalorizar o Natal, mas valorizar mais a Páscoa. Porque é o ápice da história. Porque é o cumprimento de todas as promessas, e a finalidade do Natal.



Toda essa explicação é pra dizer a vocês que esse Amor, "que a si mesmo chama 'de maneira tal' " me faz abrir o coração aqui e desejar a quem quer ler, e eu deixo, não simplesmente uma "Feliz Páscoa", mas uma vida feliz e abundante, por conta desse tão lindo e doce Amor, que trocou seu próprio Filho por VOCÊ e EU.



Minhas lembranças de musicais como "Vento Livre" e "Pela Manhã Vem a Alegria" ainda me fazem ficar emocionada. Nessa Páscoa vou estar no "Encontro de Amigos com Cristo", e não vou nem ver passar. Mas no meu coração, tudo isso se repete, e se fortalece... por Amor.

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