5.5.07

Dia das Mães, já???

Como estou dormindo muito, e perdida na noção do tempo (só não estou perdida na noção de espaço porque quase não saio de casa, né?) acho que algo está errado, e o Dia das Mães já chegou (ou tá chegando) e eu não vi.

Primeiro entrei no blog da Jady, e quase chorei com um texto lindo que ela escreveu pra mãe dela. Depois, passeando pelos blogs, encontrei no da Fernanda uma belíssima junção de imagens e legendas que me emocionou bastante, pela singeleza, pela delicadeza, sei lá. Vai ver, eu tô sensível mesmo. Não sei se estou certa, mas fiquei pensando que em Portugal a celebração às mães é agora, e não no outro domingo.

Comentei em ambos, e fiquei me sentindo uma ET por não ter com minha mãe a relação normal e esperada que a maioria das pessoas tem. Quem conhece minha mãe sabe que ela é uma pessoa maravilhosa, alguém que abdica de quiasquer dos seus direitos em favor dos outros... mas comigo é tudo diferente. Ela repete todo dia que me ama, mas sabe aquele relacionamento que "da choque e solta faíscas"? Ah, não sei explicar.

Queria que não fosse assim... Queria entendê-la, e queria poder me fazer entender, mas nossos idiomas são diferentes, como chinês e português. Hoje ainda consegui responder, quando ela me perguntou por que não conseguimos conversar: "porque somos iguais, porque eu sou metade da senhora (ai de mim se disser "você"), e porque se os opostos se atraem, os iguais se repelem." Isso gerou uma confusão tão grande, que me arrependi de ter dito, embora lá no fundo, fique esperando que as palavras façam algum efeito dentro dela, mas depois de 4 décadas, já acho que não fazem efeito algum.


Quando sentei aqui pra escrever, o winamp estava rodando "Pietá", o CD de Milton Nascimento. E olhem que "coincidência": Quem é a Pietá? É Maria, com Jesus morto em seus braços. É o perfeito amor de mãe, o amor que sofre com o sofrimento do filho... E essa música que está aí embaixo, diz tudo o que eu queria dizer a ela, e nunca consegui, talvez nunca conseguirei. Mas meu coração fala. Se um dia ela escutar... é lucro.

Quem sabe, isso quer dizer amor?

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo a frente do sol.
Abri a porta e antes de entrar,
Revi a vida inteira...
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois:
Sinais de bem, desejos vitais,
Pequenos fragmentos de luz...
Falar da cor dos temporais,
De céu azul, das flores de abril...
Pensar além do bem do mal,
Lembrar de coisas que ninguém viu...
O mundo lá sempre a rodar,
Em cima dele tudo vale.
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer?

Pensei no tempo e era tempo demais...
E você olhou, sorrindo pra mim.
Me acenou um beijo de paz,
Virou minha cabeça!
Eu simplesmente não consigo parar...
Lá fora o dia já clareou.
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar,
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser,
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você...
O mundo lá sempre a rodar,
Em cima dele tudo vale.
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer?

(Milton Nascimento e Lô Borges, mas hoje era eu que devia ter dito!)

Pietá, Michelangelo, 1498 - Basílica de S. Pedro

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