10.5.07

Super Nanny perde de novo

Pode ser porque estava ainda com universus rodandus, mas Tia Anabel sobrou de novo. Ou pode simplesmente ser porque em 5 minutos não dá pra se desfazer o que é feito durante uma vida.

Estava na loja de uma operadora de telefonia celular (sem propagandas, que ela não me paga nada), e esperava ser atendida, quando ouvi a vendedora de dentro da área reservada a ela, dizer: "Aí não. Passe pra lá". Era um guri de uns 6 ou 7 anos. Acompanhado do pai e da mãe. Pasmem.

A mãe chamou, bem tranquila: "Lucas, venha pra cá." Hã? Falaram comigo? O menino passou por baixo da mesa de atendimento, futucou tudo que pôde, até pegar uma tesoura que a vendedora já desesperada tomou rapidamente da mão dele.

A mãe olhava pro pai e dizia: "pega ele, Luciano." E Luciano não se mexia. A vendedora habilitando o aparelho da mãe, olhava pra mim como se pedisse socorro. (pelo menos eu entendi assim. Ou então: "já viu o que é que eu tenho que aguentar?") Aí, a Super Nanny dos pobres resolveu atacar. Chamei: "Venha pra cá, aí é pra o pessoal que trabalha na loja." Foi então que o guri percebeu que estava MESMO conseguindo o que queria (chamar a atenção) e começou a correr, derrubando coisas e a mãe a chamar: "Venha, que você tem pai e mãe, não é filho de bicho!" Mas a criaturinha parecia um bichinho mesmo. Não soltou uma palavra.

Tia Anabel resolveu dizer mais alguma coisa, que ela não lembra agora, e Lucas se zangou. Deu um chute no puff onde Tia Anabel estava sentada e sapecou um tapa na perna dela. Pra quê??? Ah, era o que ela estava esperando! Mamãezinha não se mexeu, mas mal a mãozinha levantou do tapa na minha perna, eu segurei o braço (por cima da camisa, claro) e apertei com bem força, e falei: "Comigo não é assim, não, cara. Não venha bater em mim, não, que você leva também." Os pais não disseram nada, apenas a mãe segurou o menino no colo, que ficou dando chutes na mesa e atrapalhando a vendedora, enquanto a mãe dizia coisas terríveis no ouvido dele e eu desisti de esperar ser atendida.

Resumo da ópera: A operadora perdeu uma cliente em potencial, o menino não aprendeu nada no episódio, e a mãe ficou envergonhada, como já dizia Saló, aquele que sabia das coisas: "O filho entregue a si mesmo envergonha a sua mãe."

Escrevo isso, para complementar um texto que a Fernanda escreveu, sobre o valor dado aos filhos. E é um fato: as crianças são assim, "não educadas", porque os pais não lhes dão o devido valor. As coisas que aquela mãe dizia ao filho não são dignas de serem repetidas. Eu só citei a parte mais "leve". Uma criança que é criada assim, absolutamente desvalorizada, jamais será um adulto equilibrado, e muito menos um bom pai ou mãe.

É nessas horas que não me arrependo de ter sido "linha dura" com os meus dois pequenos, de ter sofrido horrores com as pequenas mentiras de Aline ou com o mau humor de Abelzinho, e lutado pra livrá-los desse tipo de coisa. De ter enfrentado amigas, (ou até mesmo familiares) que me criticavam por dar palmadas, disciplinar ou dar uns castigos de vez em sempre. Quantas vezes com outras mães, juntas oramos e choramos por nossos filhos. E não importava se o problema era uma mentirinha, material escolar perdido, ou envolvimento com drogas. Qualquer que fosse o problema, era importante o suficiente para nos levar às lágrimas diante dAquele que pode resolvê-los.

Hoje tenho um adolescente e uma jovem, que, até onde eu sei, não me envergonham. Mas nunca tive medo de enfrentá-los ou de dizer, com essas palavras: "Quem manda aqui sou eu. Isso não é uma democracia, não, é uma FAMÍLIA". E pautando minhas decisões nos ensinos da Bíblia, sem radicalismo ou falso moralismo, fui ensinando, mostrando, conversando, sendo exemplo.

E posso orar assim: "Faça do meu lar, Senhor, um lugar de harmonia. Faça do meu coração, Tua casa todo dia. Esteja à vontade pra ficar, e nunca mais sair. Pois a casa que um dia te recebeu nunca mais saberá viver sem Ti." (Eyshla - ouça aqui)



PS- Minha nêga já chegou, depois de trocar o guichê da cia aérea, e depois a esteira de pegar as malas... kkkkkkk Então aproveitem a postagem de hoje, porque eu não garanto nada pelos próximos dois dias. E quem passar aqui em casa no sábado à noite vai comer uma torta gelada de pêssego que eu acho deliciosa, e tomar coca bem gelada.

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