28.6.07

A Princesinha do Sul

Essa é a postagem de nº 463 deste blog. É quase a idade que completa hoje a minha cidade: 473 anos de fundação da cidade de Ilhéus. Em 1534, a Capitania foi doada a Jorge de Figueiredo Corrêa, que nem veio aqui receber. Mandou um preposto, Francisco Romero, que a batizou de São Jorge dos Ilhéus, homenageando o proprietário e registrando o fatos de serem várias ilhas. (Além das que existem ainda hoje, como a Pedra de Ilhéus e a Ilha do Frade, os morros de Pernambuco - onde fica a minha amada Praia da Concha - e o atual Outeiro de São Sebastião também eram ilhas.)

No início, foi a cana de açúcar, depois o cacau. Sempre uma monocultura a dirigir os rumos econômicos da região. Hoje? Não me perguntem o que move a economia da cidade. O cacau se perdeu quase todo com a vassoura-de-bruxa, uma doença que praticamente dizimou as plantações. E nada veio substituí-la. Porque a cultura enraizada no coração das pessoas é que a terra tem que produzir sozinha, sem trabalho. (Aqui ainda tem índio, pessoas... )

O cacau, depois de plantado, é só uma questão de colher. Não precisa de cuidados, praticamente. E na época da colheita, são contratados trabalhadores temporários, e está feita a coisa. Com o fim da cacauicultura, os grandes coronéis do cacau ficaram a ver navios (vazios) literalmente. Filhinhos de papai acostumados a encher a burra de dinheiro e torrar na Europa ou na Disney em viagens anuais, ter carro do ano e olhar pros outros de cima pra baixo, se viram à míngua, e muitos fizeram de suas casas pousadas visando o turismo, que se anunciava como algo promissor, especialmente depois da exibição de "Gabriela", novela da Globo na década de 70. (Me lembrem de falar sobre os filhos e netos dos Coronéis do Cacau, em outro post... tenho histórias interessantes...)

Hoje, nem o turismo consegue levantar a economia da cidade, que apesar de linda e apaixonante, está mal cuidada como não me lembro de um dia ter sido. As administrações públicas se anunciam como salvadoras... mas o que se vê é a alternância de mãos que não se importam com a Princesinha do Sul, como é carinhosamente chamada. (Sul da Bahia, bem entendido). Chove muito - e faz muito sol também, o típico clima tropical quente e úmido, como estudei a vida toda na escola, nem sei se é assim a classificação ainda - e a chuva tem criado crateras homéricas no asfalto de toda a cidade, fazendo com que seja necessário um verdadeiro contorcionismo com o carro ou, em muitas vezes uma explosão dos motoristas ao cair nelas.

São 6:34h, e acabei de ouvir uns tímidos fogos ao longe. Lembro de que, há 16 anos atrás, quando eu estava na Maternidade Santa Helena, após ter recebido Abelzinho, não foram apenas fogos... teve exibição da Esquadrilha da Fumaça (foi a primeira de várias), e as comemorações do dia da Cidade eram grandiosas. Dá uma tristeza enorme ver a cidade reduzida a isso que está aqui, hoje... Ontem alguém me perguntou se teria alguma coisa pra comemorar o Dia da Cidade (que como toda terra de Pescador, é no dia 28 de junho) e eu respondi, sem medo de estar errada: Se não teve carnaval nem São João, por que teria algo no dia da cidade???

Já fui recriminada por falar assim, como se estivesse depreciando, mas quem tem costuma ler meus escritos sabe que eu AMO isso aqui. Não sei se existe quem seja mais apaixonado por Ihéus do que eu... que até já fiz música pra cidade. E nem tão revoltado com o descaso administrativo. Lugares como a praia do Cristo, completamente abandonada, e "Os Velhos Marinheiros" demolido (um restaurante à beira mar, numa espécie de mirante... lugar bom pra namorar...), a praia da Avenida, que é um matagal só, perigo constante que impede de se frequentar a única praia do centro da cidade...

Acho que cabe aqui o clip que fiz pra o ministério de Missões da minha igreja... que mostra a Ilhéus que Deus criou, o pecado deformou e é desafio missionário.



É, ficou longe o tempo em que eu escrevi, dentro de um ônibus indo pra Olivença, os versos da canção que já foi tão cantada pelo Coral do IME, regido por mim na década de 90:

Ilhéus, se essas praias soubessem
Quantos sonhos aqui eu sonhei...
Se as estrelas e a lua falassem,
Diriam o quanto eu te amei!

Na areia as conchinhas se escondem,
No meu peito se esconde o amor
Que despertas em mim, ó Ilhéus,
Terra linda, tão cheia de cor!

Os meus sonhos se perdem nesse mar,
Voam na imensidão do teu céu...
Neles eu te vejo mais bonita,
Mais amada e querida pelos filhos teus!

Ao te ver, coração bate mais forte!
Peço a Deus me conceda essa sorte:
De apertar cada vez mais os laços
E adormecer para sempre em teus braços...

De qualquer jeito, continuo amando minha terra - que não é "de nascença", mas é por adoção, vim pra cá exatamente no dia do meu segundo aniversário. E que apesar de mal cuidada, ainda assim é linda... e merece ser visitada. Os horários de vôos das empresas aéreas não são lá muito convidativos... mas quando se quer, se faz um esforço!

Enfim, 473 anos de fundação e 124 de emancipação política (Puxa, já faz tanto tempo assim o centenário da cidade, com a primeira "Festa do Cacau", que por alguns anos foi um tempo gostoso de fomento de cultura...???) não podem ser esquecidos, não é? então fica aqui meu desabafo e minha declaração de amor, junto com o convite pra quem quiser vir conhecer minha cidade!


Nenhum comentário: