12.6.07

É tudo que se quer...

Eu queria que hoje o dia tivesse sido diferente. Queria sol, em vez de chuva, amarelo em vez de cinza, calor em vez de frio, música em vez de silêncio.

Queria palavras em troca do nó na garganta, companhia em troca da solidão, leveza em troca do cansaço e coca com gás em troca do restinho que sobrou do almoço, absolutamente xarope.

Queria poder dizer tudo que me vem à mente, sem me importar com quem vai ler, o que vai pensar ou que impressão terá de mim.

Não queria chocolate nem flores, mas queria doçura e perfume. Não queria me esconder nem me exibir, somente ser.

Queria presença no lugar de ausência, sonho se tornando real e pensando bem, um chocolate quente não seria nada mal.

Queria alguém tirando o meu batom, e que olhando os detalhes que outras pessoas não percebem.

Queria ouvir: "Olha nos meus olhos, (...) Sou o teu poeta, eu sou o teu cantor, teu rei e teu escravo, teu rio e tua estrada... (...) Livre como um sonho, alegre como a luz, desejo e fantasia em plena harmonia... Eu sou teu homem, sou teu pai, teu filho, sou aquele que te tem amor. Sou teu par, o teu melhor amigo, vou contigo seja onde for... e onde estiver, estou."


"Seja sempre o meu melhor presente, seja tudo sempre como é, é tudo que se quer."

É, acho que eu queria demais...

Mas tem gente que quer mais do que eu, vejam só:

"Amores que quero...e aqueles que não quero...

Não quero mais saber se vais cumprir
Ou renegar,
As promessas que leio em teu olhar.

Também não quero mais compreender
Ou desvendar,
Os segredos que moram em teus silêncios.

Sei que há verbos de amor que conjugamos
Ou calamos
E bravuras de amor que não ousamos.

Mas sei também que o amor pede firmeza
E clareza
Em todos os tempos e modos que conjuga.

Não quero mais o amor de compromisso
Tão omisso
Nas liberdades que sempre anuncia.

Também não quero o amor instituído
Do marido,
Vítima inerme da monogamia.

Eu quero o amor sinfônico dos grilos,
Que mobilizam orquestras estridentes
Para encantar e amar suas nubentes.

Quero o amor triunfal dos pirilampos
Que iluminam o seu mundo e suas vidas,
Para atrair as suas preferidas.

Eu quero o amor trivial dos namorados
Liberto ou não, secreto, proibido,
Talvez proscrito ou amaldiçoado
Pelas forças que regem, ou que oprimem
As travessuras líricas do homem.

Eu quero amar, como a palavra indica,
Com a mais completa naturalidade.
Eu quero, enfim, viver, inteiramente,
Aquilo que o amor significa. "

Luiz Bello


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