25.7.07

Redescobrindo Chico

E pode??? Pois pode! Consegui encontrar algumas músicas que não conhecia... ou pelo menos não lembrava, e dei uma repaginada no player, que me deixou altamente sensível (deve ser a lua...)

Vou repartir com vocês.

Olha que delícia, Cecília, de 1998:

Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras...
Como os invejo,
Como os admiro...
Eu, que te vejo
E nem quase respiro

Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas

Com todas as letras
...

Eu te murmuro
Eu te suspiro

Eu, que soletro

Teu nome no escuro


Me escutas, Cecília?

Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença

Palavras são brutas
...

Pode ser que, entreabertos

Meus lábios de leve

Tremessem por ti

Mas nem as sutis melodias

Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí.

Como tantos poetas
Tantos cantores

Tantas Cecílias
Com mil refletores
Eu, que não digo

Mas ardo de desejo
,
Te olho
Te guardo
Te sigo

Te vejo dormir...

Pensar que Chico disse que palavras são brutas, e que por isso ele a chamava em silêncio? Ah, eu quero um assim pra miiiiiiiimmmmmmm!!!!!! Ai, se as palavras dele são brutas... o que será o resto das palavras?

E Você, você:

Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se tr
oca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?


De que é que você brinca?

Que horas você volta?
Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam

A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?
Quem é essa voz?

Que assombração

Seu corpo carrega?

Terá um capuz?
Será o ladrão?


Que horas você chega?
Me sopre novamente as canções

Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro

Deixou na minha cama?

Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis

E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem

Você é uma luz

Debaixo da porta?

No sonho de quem

Você vai e vem

Com os cabelos

Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?


A Ostra e o Vento:


Vai a onda
Vem a nuvem

Cai a folha

Quem sopra meu nome?

Raia o dia

Tem sereno
O pai ralha
Meu bem trouxe um perfume?

O meu amigo secreto

Põe meu coração a balançar
Pai, o tempo está virando
Pai, me deixa respirar o vento?

Vento...

Nem um barco
Nem um peixe
Cai a tarde
Quem sabe meu nome?

Paisagem

Ninguém se mexe

Paira o sol.
Meu bem terá ciúme?
Meu namorado erradio
Sai de déu em déu a me buscar.
Pai, olha que o tempo vira
Pai, me deixa caminhar ao vento?
Vento...

Se o mar tem o coral
A estrela, o caramujo
Um galeão no lodo
,
Jogada num quintal

Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo.

Ai, meu amor para sempre
Nunca me conceda descansar

Pai, o tempo vai virar
Meu pai, deixa me carregar o vento?
Vento...

Vento, vento...

É poesia demias... pra mim o dia já valeu!
Relembrando, com saudade, o show no TCA...

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