3.8.07

Toda menina devia ser princesa

Ainda inspirada pelas princesas de Shrek Terceiro... fiquei pensando no conto de fadas que é a infância. Sim, infância que é infância é um belo conto de fadas. Com direito a bicho papão, lobo mau, casas que voam num sopro, anéis mágicos, sapos que viram príncipes e afins.

Eu fui uma princesa, sim. Daquelas que tinha dois lados... o lado moleque do dia-a-dia com os primos, jogando baleado depois da banca e brincando de picula, se esconder, soldado-ladrão e barra manteiga... e o lado mocinha de vestidinho bordado e de manga bufante, de cachinhos dourados (literalmente) indo à igreja. Engraçado como a roupa fazia diferença no comportamento...

Fui princesa quando lia todos os clássicos dos contos de fadas na biblioteca onde minha mãe trabalhava... e viajava pela França nos livros da Condessa de Segür, pelo Sítio com Monteiro Lobato e com Malba Tahan em suas histórias orientais.

Não fui princesinha rica, cheia de brinquedos. Pelo contrário, exercitava a fantasia em criar brinquedos particulares, ou no Forte Apache, brincando de "amigo" com o primo. Meus pais quase não me compraram brinquedos. Mas, em compensação, todo ano viajávamos de férias, e acho que isso me fez assim, tão despojada e andarilha. Lembro com nitidez de um cruzeiro de navio que fizemos pela costa brasileira, quando eu tinha 4 anos... e foi a primeira vez que vi gelatina desenformada.

Fui a princesinha do papai... que se sentia orgulhosa de andar segurando na mão dele fosse pra ser levada à escola ou pra andar na praia domingo à tardinha. E tive em casa uma princesa e um principezinho. Na idade mágica, eu eu era mãe de Cinderela e do Rei Leão. Meus filhotes foram poupados de Xuxa e loiras similares que foram trocadas por dezenas de fitas VHS de todos os clássicos Disney, assistidos à exaustão. Não apenas as canções eram decoradas, mas as falas também. Com entonação e até sotaques, quando haviam, como O' reloge, da Bela.

De musicais como Aladim, A Bela e a Fera e O Corcunda de Notre Dame até a trilha sonora eu comprava pra eles. Não me arrependo de ter alimentado a fantasia... embora tenha lembranças meio estressantes, como a vez em que ele depois de assistir Peter Pan, amarrou um pano de prato no pescoço e subiu na janela, cantando: "Pense uma coisa bem boa, e num instante você voa..." É, vim bem devagar por trás e peguei o neguinho, que por pouco não "voava" do segundo andar!

Minha Cindy teve uma festa de sonho, quando completou 5 anos... e foi aí que vi a dimensão real da fantasia internalizada. A professora dela disse: "Alininha, você está mesmo parecida com cinderela!" e ela: "Não tô, nada! Eu SOU Cinderela!!!"


Acho que toda essa vivência mítica e fantasiosa ajuda a elevar a auto-estima. Claro que não é pra viver na fantasia a vida toda... mas é aproveitar a fase de devaneio infantil com intensidade, o que não consigo enxergar nas crianças de hoje, e certamente a culpa é dos adultos que as rodeiam, que não alimentam o sonho.

Por essas e outras razões que o sono não me deixa lembrar, é que tenho certeza de que toda menina deve ser uma princesa. Como dizia Sarah, a protagonista de "A pequena princesa". E todo menino tem o direito de ser um príncipe... ou um leão!



Um comentário:

SILVIA TREVISANI disse...

Toda menina é princesa

Toda menina é princesa
vou te dizer o porquê.
Menina é como uma flor
e flor é como você.

Toda menina é bela
não tem como contestar.
Você é sempre a mais bela,
com a beleza no olhar.

Menina loura, morena, negra ou mulata
de olhos negros, verdes ou azuis,
possui uma beleza rara.
Tão rara que nos seduz.

Menina de cabelos lisos,
Curtos, longos ou encaracolados.
Com beleza diferente
São todos admirados.

Menina é como borboleta,
colorida e curiosa.
Menina voa no jardim da infância,
E a borboleta voa na rosa.


de SILVIA TREVISANI - Campinas SP
Publicado no Recanto das Letras em 21/06/2011
Código do texto: T3048078