25.10.07

Perdas e ganhos do amadurecer

Uma amiga me emprestou, de Lia Luft, um livro que eu já havia comprado e dado de presente, "Perdas e Ganhos". Demorei um bocado de pegar pra ler, por um motivo óbvio: não aguentava colocar os olhos em mais nada, depois de ler tanto para o TCC.

Enquanto lia, na sala de espera do Dr. Ortopedista (se eu disser o que aconteceu com meu pezinho, vai parecer piada!) pensava: "preciso repartir isso..." Mas agora que sentei aqui para escrever, não me parece mais tão "necessário" repartir. Necessário foi ler pra mim mesma. Relembrar coisas que eu já sabia e saber que eu não estou sozinha nos meandros do amadurecer.

Até parece que eu fiz parte do grupo de mulheres dos 40 aos 80 com quem ela se encontrou e conversou sobre amor, relacionamento, raiva, submissão, anulação, humor e mais um tanto de coisas. E fica tão difícil comentar aqui... porque seria me expor demais, nos meus anseios e temores, nas minhas "explicações" e na minha realidade emocional.

Mas vou transcrever alguns trechos que imagino ser positivos pra quem se aventurar a pensar sobre o assunto.

"Se a transformação que se efetua em nosso corpo é inexorável, sua velocidade e características dependem de genética, cuidados, saúde, vitalidade e interior também. (...) Se não formos demasiadamente tolos, gostaremos de nossa aparência em todos os estágios. Olhar-se no espelho e dizer: "essa sou eu". Nem extraordinariamente conservada nem excessivamente destruída. Estou como se está nesta fase. E se eu sou assim, gosto de mim. Sou a minha história. "

"A gente pode reagir de muitas maneiras positivas: assumindo e apreciando cada fase de si; não se resignando ao pensamento massificado nem desistindo assim que as rugas se instalam; jamias caindo na falsa rebeldia que nos transforma numa caricatura de jovem."

"Comprar todos os produtos. Frequentar todos os lugares da moda. Sobretudo: nunca sossegar, nunca se contentar, nunca se aceitar. Parar pra pensar? Nem pensar; seria doloroso demais.
Isso não é sinal de uma mente inquieta, mas de uma alma precária. Isso não é viver a vida, muito menos aproveitá-la."

"A felicidade é assim: cada um, a cada dia, aceita a que o mercado lhe oferece... ou determina a sua."


Sim, há perdas... e ganhos com o tempo. Nunca neguei a idade, embora brinque muito com o assunto. Quando fiz 40, me dei ao luxo de fazer coisas que nunca havia feito. Parece que algo se abriu lá dentro, amarras se soltaram como mágica só pela virada da década, pela entrada permanente nos "enta". E quando leio um texto atribuído a Arnaldo Jabor sobre a mulher madura, sinto que foi escrito pra mim. Embora em alguns momentos me sinta (e pareça) uma adolescente, como ontem, enquanto conversava com uma prima, e ríamos, as duas das nossas situações emocionais tão parecidas!

E agora, com mais uma etapa da vida sendo encerrada (a formatura, vou deixar de ser "estudante") e uma outra sendo vislumbrada (a de profisional - desempregada, por enquanto), algumas questões aparecem. Como será enfrentar um novo começo profissional com essa idade? O corpo vai aguentar o tranco de meter as caras e lutar por um lugar no mercado de trabalho? Fazer tudo isso sozinha, sem um companheiro do lado, vai ser mais fácil ou mais difícil?

As respostas a essas questões só vou ter daqui a algum tempo. E nem sei se as terei plenamente. Mas quem foi que disse que na vida tudo tem respostas?

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