6.11.07

Louro

Ele não era louro. Pelo contrário, um negro daqueles que não é só a auto-afirmação que diz. Negão, mesmo. Mas era Louro. Louro Foto, aliás.

Fez parte da minha vida desde que eu me entendo por gente, ou antes. No tempo em que fotografia ainda era só preto-e-branco e só profissional tinha máquina. Era convidado para absolutamente todos os eventos sociais da minha família... e de quase todas as famílias de Ilhéus que quisessem registrar seus momentos de alegria, suas conquistas. Minha mãe frequentava o estúdio de Louro pra fazer fotos de tudo que acontecia... e eu, junto, é claro. Creio que houve um tempo (eu era criança) em que ele foi o único fotógrafo da cidade.

Não consigo lembrar de nenhum acontecimento importante digno de registro, que Louro não estivesse. E, junto dele, Nicho, aprendendo, ajudando, até chegar ao ponto de substituir o pai.

Hoje fui me despedir de Louro, junto com toda a cidade. Não cheguei a tempo de assistir o culto na Assembléia de Deus, mas fui ao cemitério da Vitória, e foi lindo ver um mar de gente, debaixo do maior sol, dizendo à esposa e aos filhos (e netos, e bisnetos): "Vou sentir saudades dele".

Foi uma comoção na cidade. E com toda razão. Louro vai fazer falta. E, mesmo após um período grande de enfermidade, a morte é recebida como algo que não se espera, não se deseja, não se aceita. E o consolo é que vamos nos encontrar ainda, um dia, na Casa do Pai.

O post de hoje não tem fotos para ilustrar. Em sinal de luto pelo meu amigo, por sua profissão, pela inspiração que ele foi pra mim.

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