23.2.08

Em estado de graça

Foi assim que fiquei ontem à noite. A emoção foi tanta, que até agora não sei direito como descrever. Pensei em só colocar algumas fotos, mas elas não diriam nem mostrariam o que senti. Mesmo porque fotografei pouco. Estava tão envolvida com o que estava vivendo, que não registrei como deveria. Foi o lançamento do livro de Dinah, (para o qual eu convidei vocês neste post), que me proporcionou esse estado de graça.


[Antes que eu me esqueça, no post citado, eu convidei também para a apresentação da Clave de Sol (Clave canta Chico) e dei a data errada. É 26 e 27 de ABRIL e não de MARÇO (Já consertei lá).]

Bem que merecia, mas não consigo fazer um texto jornalístico sobre o evento. Merecia, porque foi muito mais do que um evento literário, muito mais do que um acontecimento cultural nessa minha cidade tão desprovida de cultura. Mas se sair - porque ainda tenho dúvidas de que consiga escrever - tem que ser um texto altamente passional. É que significou TANTO pra mim, e imagino que interesse pouco a quem me lê aqui, que fico sem jeito... É como se eu tivesse uma coisa preciosíssima na mão, e estivesse com medo de oferecer a outros e não ver dado a ela o devido valor. Eu sei, está confuso. Mas é emoção demais que faz isso, e já não estou nem conseguindo concatenar as idéias. ao mesmo tempo, não acho justo deixar passar o tempo e não falar do que senti.

Eu sabia que seria bom. Sabia que seria chique. Sabia que encontraria muita gente que não vejo há tempos. Sabia que ia me emocionar. Mas não fazia idéia da intensidade de tudo isso. E o dia já estava tão bom, pra mim, que achei difícil que pudesse melhorar. Mas melhorou.

Decididamente, está difícil descrever o que senti. Voltei no tempo em várias épocas, rodou um filme dentro de mim.

Amigos da adolescência, gente que eu não via há décadas... sentimento gostoso de perceber as vantagens de morar numa cidade pequena. A professora de biologia do 2° grau olhar pra mim e dizer: "Anabel, inesquecível!" (E dizer que já havia passado por aqui, visto fotos e lido posts...)

Teve também a turma que cantou no Vitória Encantos, que ainda se juntou e deu uma canja, cantando Sa Marina... abraços apertados daqueles que não dá vontade de soltar... perceber o quanto a gente ainda tem em comum, mesmo o tempo tendo passado e nós nos perdido.

Dividir sonhos e planos, dores e preocupações... olhar em volta e ver quanta gente querida com quem dividi parte da minha vida, e ainda posso voltar a fazê-lo...

Bem, essa foi a parte emocional da noite (ou pelo menos o que conseguir colocar em palavras, foi muito mais do que isso...). Mas teve também um coquetel, que deixou a todos encantados. Pode parecer coisa de pobre, mas juro a vocês, eram salgados tão finos, que nunca tinha visto nem parecido. Um damasco recheado com um creme delicioso e umas bolinhas pretas (alguém disse que podia ser caviar, mas como eu não conheço, não garanto nada)... e um tanto de coisas que não sei descrever... Demais! (Tudo devidamente importado da capitá, feito pelas mãos primorosas da cunhada de Dinah).

E, é claro, teve o livro. "Um quase diálogo com Cecília [Meirelles] e Fernando [Pessoa]", como bem definiu a autora. Poesia deliciosa de ler, daquelas que a gente tem que parar para digerir, não dá pra "esperdiçar" lendo tudo de uma vez. E achei lindo ela colocar na contracapa: "É permitida a reprodução de trechos e poemas desta obra, desde que sejam citados o autor e a editora". e o gesto dela, dizendo: "eu quero é que leiam!!!"

Fui buscar um trecho pra colocar aqui... e não consegui me decidir... Terminei escolhendo um hai-kai:

"Qualquer coisa serve
Contanto que a alma
se mantenha leve"

Dinah Hoisel

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