17.2.08

A polêmica dos blogs na Campus Party

Adorei ler o "rela-tório" do Alexandre Inagaki sobre a Campus Party, durante a semana passada. Confesso que não fui em todos os links, embora saiba que o que ele indica geralmente vale à pena. Mas o post de hoje, que trata da "briguinha besta" entre jornalistas e blogueiros, se superou. Achei perfeitas as colocações, e assino embaixo. Pra quem tem preguiça de ir nos links, transcrevo uma parte:


"Blog é liberdade. Ninguém a não ser você tem o direito de interferir nas suas pautas, no tamanho dos seus textos, na freqüência de atualizações e principalmente nas suas opiniões. Seu blog é a sua TV Globo, a sua Folha de S. Paulo, a sua Reuters pessoal.

Quando escrevo posts em meu blog, não deixo de lado o cuidado com as informações que publico aqui (inclusive deixando links de referência das pesquisas que faço em cada texto). Mas aproveito ao máximo a liberdade editorial da qual só posso desfrutar em toda a sua plenitude aqui no Pensar Enlouquece, escrevendo sobre qualquer assunto que me dê na telha, sem precisar me policiar quanto ao uso de gírias e palavrões, e pouco me lixando para leads, deadlines, pirâmides invertidas e outras expressões comuns no vocabulário de qualquer jornalista. Por isso digo, sob a luz das minhas experiências, que manter um blog é um puta tesão.

Se você não gosta de ver posts patrocinados, abomina links de Adsense ou Hotwords ou acha escrota a atitude de um blog que não dá links para os outros, nada mais simples: deixe de ler determinado blog ou de assinar tal feed. Só. Não queira dar uma de paladião da moral e dos bons costumes, apontando seu dedo para este ou aquele blogueiro só porque ele pensa e age de maneira diversa da sua. Creio piamente na capacidade de auto-regulação da internet. Um blog terá mais ou menos leitores de acordo com a credibilidade que ele será ou não capaz de manter junto aos seus visitantes. Refuto a idéia de que sejam impostas regras de conduta para a blogosfera da mesma maneira que teria ânsias de vômito caso alguém me propusesse a criação de um comitê de "notáveis" para impor como deve ser a publicidade em blogs ou a participação na formação de um sindicato de blogueiros. Qual seria o próximo passo? Exigir diploma também para quem mantém um blog? Façam-me rir."


E, muito apropriadamente, Inagaki linka o post de Alessandro Martins, 5 coisas que os blogueiros ensinam aos jornalistas. (Da mesma maneira, transcrito aqui para os preguiçosos de plantão:)

"1. Blogueiros sabem fazer links.

Embora haja importantes exceções, jornalistas habitualmente não sabem fazer links. Seja em seus blogs, seja nos portais em que trabalham.
Ou simplesmente não fazem, apenas citando a fonte. Ou fazem precariamente.
Usam o indefectível “clique aqui”, que não ajuda nem ao leitor nem aos mecanismos de busca. O que reflete também no leitor, que terá resultados de buscas de menor qualidade.

2. Blogueiros sabem procurar informação na internet.

É uma minoria de jornalistas que sabe o que é o Digg, o Del.icio.us e, para ficar no Brasil, o Rec6.
Além disso, muitos ainda acham que blogs só têm potencial para diários online, se tanto, e não os vêem como possíveis fontes ou parceiros na propagação da informações.
Blogueiros, no entanto, sabem garimpar informações na internet e em que blogs confiar e a partir dos quais propagar as informações.
Para descobrir blogs de qualidade, vá ao ranking do BlogBlogs e pesquise. Alguns - não todos - são de muita valia jornalística e informativa. Investigue também em outras fontes que você descobrirá no caminho.

3. Blogueiros sabem ler na internet.

Blogueiros há muito tempo usam agregadores de feed para ler seus sites de notícia e blogs preferidos.
Eles não perdem tempo entrando nos endereços a cada vez que precisam de algo novo. Além disso, usam os feeds de muitas outras maneiras criativas para ler sobre seus assuntos preferidos sem perder tempo.

4. Blogueiros sabem ser pessoais.

Nós jornalistas estamos acostumados a escrever de modo impessoal, sem se enredar no texto, principalmente quando se trata das notícias do cotidiano.
Não se fala diretamente ao leitor e não fala de nós.
É como se não tivéssemos nada a ver com aquilo. Isso tem suas vantagens, mas nem sempre funciona.Os blogueiros, porém, sabem falar com você sobre como eles se posicionam no mundo.
Um levantamento da E.Life, aponta que a opinião de amigos e conhecidos é mais importante que a dos grandes veículos de comunicação atualmente.
Blogueiros sabem desenvolver esse nível de proximidade com o leitor.

5. Blogueiros sabem estabelecer potentes laços virtuais.

Pedro Dória - um dos integrantes do falecido NoMínimo e descobridor da Bruna Surfistinha -, em entrevista para o Digestivo Cultural, diz acreditar que as redações [de jornais] sempre vão existir. Eu também acredito nisso. A redação é o espaço físico em que se dá o intercâmbio entre jornalistas e onde, ao final do dia - desse contato real -, é produzida a notícia.

Mas isso não quer dizer que os laços virtuais não virão a ganhar mais e mais poder nos próximos anos. E, se os grupos - virtuais ou não - serão fortes, o poder do indivíduo dentro deles também deve crescer, tanto mais conexões ele tiver e mais fortes essas conexões forem.
A falta de conexões virtuais se dá por não se saber usar corretamente os potenciais da internet e não se acreditar no poder que elas têm.
Aprenda a usar links, trackbacks, redes de relacionamento (não só o Orkut), comente em outros blogs, freqüente o Rec6 e outros sites de notícia do gênero. São diversas modalidades de estabelecer ligações que os blogueiros dominam como ninguém.
Durante muito tempo o termo relacionamento virtual tem sido visto de modo pejorativo. Não há razões para isso desde que esse relacionamento seja conduzido com seriedade.
Não há razões para blogueiros e jornalistas não estabelecerem um, jogando em lados opostos."


Eu já disse que assino embaixo, mas vou repetir. Cada blogueiro mantém seu blog do jeito que lhe convém, no seu estilo, com posts do tamanho que lhe dá na telha. E da mesma maneira, cada leitor lê o que lhe interessa. No início da minha atividade bloguística eu me sentia constrangida a visitar todos os blogs das pessoas que comentavam aqui. E fazia isso por cortesia, por educação. Mas acontecia (não muito frequentemente) de não gostar do estilo de escrita do meu visitante assíduo, e me sentir presa a voltar lá e ler (e comentar)... Argh, me libertei!

Leio blogs que falam de assuntos específicos, leio blogs pessoais, leio blogs de poesia... mas eu escolho o que ler e onde comentar. Só leio o que gosto, só comento quando tenho o que comentar. Se não tenho nada suficientemente digno a dizer... não digo. Compartilho via google reader o que acho legal... e imagino que vá interessar a quem passa por aqui. Não sou obrigada a clicar em "share" em todos os posts de amigos, só por delicadeza.

Não sou jornalista de formação, embora no curso de Comunicação Social - Rádio e TV tenha aprendido se não a escrever, pelo menos a reconhecer um texto jornalístico. E digo a vocês, não é meu estilo preferido de leitura. A bendita pirâmide invertida (com o mais importante dito logo no início) não me atrai. Adoro textos que trazem o tchan na frase final. E por isso admiro o Inagaki... quero ser como ele, quando eu crescer.

Parafraseando Cecília...
"Escrevo...
porque o instante existe,
e a minha vida está completa.
Não sou alegre, nem sou triste:
Sou blogueira."


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