18.4.08

18 de abril


Dia do livro. Dia do aniversário de Monteiro Lobato. Lobato foi um dos grandes responsáveis em me fazer gostar de ler.

Quando nasci, minha mãe trabalhava na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, no bairro de Nazaré, em Salvador. Como não havia ainda a lei da licença-maternidade tão elástica, assim que ela voltou a trabalhar, eu fui junto, no carrinho. E já em Ilhéus, o tempo em que não estava na escola estava na biblioteca do General Osório, onde ela trabalhava.

Pra não atrapalhar, ela me dava livros. E os de Monteiro Lobato foram os primeiros. Depois A Condessa de Segür, a coleção Vagalume... Só que os livros infantis acabavam, e mesmo relendo, eu saía procurando pelo título. O fato é que li Gabriela Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra aos 8 anos de idade. Mas ao lado disso eu lia bilhões de revistinhas em quadrinhos, Mônica, Zé Carioca, Tio Patinhas, Pato Donald e afins. E a Bíblia. Altamente eclética!!! Li a bíblia inteira aos 10 anos. Era uma NERD completa, podem acreditar!!!

Mas ler tanto assim me levou a ter um português correto - e a ser exigente com o que leio - e a gostar de escrever. O sonho de publicar um livro ainda borbulha dentro de mim.

E nessas horas em que penso o quanto gosto de ler, o quanto é importante na minha vida saber decifrar os signos e formar símpolos que me dizem tanto, penso nas pessoas que não têm essa liberdade. Sim, porque ler é libertar a mente, é abrir os olhos, é desnudar caminhos.

Se já fiz algo a esse respeito? Fiz... mas faz tanto tempo, que até me envergonho. Já fui bem mais engajada no social, hoje estou mais trancada em mim mesma, apesar de plugada na rede e ligada no mundo. É preciso rever isso... É preciso voltar a me envolver, a separar um horário para ajudar projetos existentes ou abraçar a criação de um novo (embora não consiga enxergar com que tempo.)

Olho pra trás e vejo amigas, irmãs em Cristo, da minha igreja, a quem incentivei a começarem a estudar, mesmo já tendo 40, 50 anos... e hoje me convidam pras suas formaturas na 4a. série e fico feliz! Fico feliz de chamá-las pra sair à noite e receber como resposta: não posso, estou na escola!

Aqui em Ilhéus existe o projeto EJA - Educação de Jovens e Adultos, que acelera as séries escolares. Mas não conheço um projeto de alfabetização, de início mesmo.

Sei que uma iniciativa assim leva tempo, não pode ser um encontro uma vez por semana, e é cansativo. Sei disso, porque fui eu quem alfabetizou minha filha, e já alfabetizei adultos também. É preciso ter disposição e disponibilidade. Material também. Mas o site do Alfabetização Solidária disponibiliza um livro delicioso de ser lido, e que mexe com os nossos brios.
Assim diz o ex-ministro da educação Cristóvam Buarque:

"Este livro é um convite a uma profunda reflexão, não se trata de uma cartilha. Não é um manual: é um chamamento à mais nobre das causas, a causa da Educação.

Você pode abraçar essa causa alfabetizando pessoas próximas, de seu círculo doméstico ou de trabalho, sem sacrificar sua agenda diária. Grande parte das informações necessárias para isto estão aqui: você verá como é simples e profundamente gratificante ensinar uma pessoa, um jovem ou um adulto, a ler e a escrever.

Sua participação é fundamental. Você pode entrar na história do Brasil como quem participou desta grande revolução: abolir o analfabetismo de adulto no País.

Vale a pena deixar sua marca na história."

E ele está mais do que certo. Só não podemos deixar as idéias morrerem na praia!!!

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