29.6.08

Tentando explicar...

Realmente, ficou difícil entender as entrelinhas do post Da vida e da morte, e em vez de explicar em separado, achei melhor dizer por aqui mesmo.

Semana passada, no sábado (dia 20), vi nas atualizações do orkut que uma das colegas de Line (minha filha) tinha alterado o nome para "LUTO". Fui lá, perguntar quem havia morrido, imaginando que fosse alguém da família dela, e deixar meus sentimentos. Qual não foi minha surpresa, ao ver que tinha sido uma outra colega de Line. Uma que não era simplesmente "colega". Vinha aqui em casa, mesmo sem motivo, até mesmo depois que Line foi morar fora. Vinha porque queria vir, talvez porque se sentisse amada e acolhida.

Maryana era uma menina daquelas que a gente rotula de "doidinha". Falava alto, ria alto, não tinha vergonha de nada... gostava de abraçar e beijar, e era a alegria no lugar onde estava. Passou no vestibular pra Fisioterapia no IAENE, em Cachoeira. Lá, desesperou por não poder comer carne nem tomar coca-cola (é uma faculdade adventista), mas em pouco tempo entrou no rítmo, e foi se assumindo "livre" dos "vícios".

Nas férias de cada semestre, Mary vinha aqui em casa colocar em prática o que aprendia: Massagens, "arrumação" da coluna... essas coisas. E ficava pra almoçar, se vacilasse, passava o dia todo.

Nas últimas férias, ela falou, assim, meio an passant, que perdeu a mãe. Fiquei sem ação. Ela parecia não estar se importando. Depois, com a conversa, vi que ela estava era negando o ocorrido. Vi que estava sofrendo muito, e que precisava de colo. Graças a Deus, nesse dia eu pude dar o colo que ela precisava...

Encontrei Mary pela última vez no feriado de 1° de maio, numa pizzaria. Eu acabava de chegar, e ela ia saindo, dizendo que viajaria no dia seguinte. Reclamei que ela não tinha ido me ver dessa vez, ela disse que foi porque foram só dois dias... e foi embora, rindo como sempre.

Quando vi a notícia da morte dela no orkut de Manu, quase pirei. Fiquei catando uma e outra, das meninas da turma delas, pra saber detalhes, onde seria o sepultamento e tal. Depois de muita agonia, consegui saber a história: Mary se suicidou. Deprimida pela morte da mãe, tomou chumbinho.

Dentro da minha cabeça, isso não batia. 19 anos, aquela menina feliz não podia estar deprimida. Na verdade, era transtorno bipolar. E é claro que eu só conhecia a Mary eufórica. A Mary depressiva vivia escondida, no canto, no quarto... com seus medos, pavores e fantasmas.

Mas de tudo, o que mais me doeu foi saber que ela tomou o veneno, depois se arrependeu. Procurou uma colega, pediu ajuda, e foi levada ao hospital, em Salvador. Lá, o médico não acreditou no que ela contou, e simplesmente a manteve "em observação". Durante duas horas, nada aconteceu, fisicamente. Mas imagino o que se passava na cabecinha dela, enquanto esperava pra ver o que aconteceria. Quando veio a primeira reação, já foi com uma convulsão, parada cardíaca e pronto.

Liguei pra Line pra dar a noticia, não queria que ela soubesse por acaso, como eu, via orkut. E sofri por não poder dar colo à minha filha, que perdeu a amiga.

Como se tudo isso fosse pouco, na sexta-feira, meu msn estava offline, quando vejo as mensagens que chegavam, dizendo que uma colega da UESC, que terminaria o curso este semestre, tinha morrido. Quem me informou, não sabia dizer o motivo, nem como foi... e mais uma vez vou eu procurar saber os detalhes.

Chriz passou mal no trabalho, foi levada ao hospital, medicada e voltou pra casa. À noite, quatro paradas cardíacas. E acabou. Eu não tinha muito contato com ela, mas a estupidez da morte inesperada é como uma paulada na gente.

Foi isso, gente. foram essas duas mortes tão próximas, que me deixaram pensando que o sábio Salomão estava certo, quando dizia: "é melhor ir à casa onde há luto, do que à casa onde há festa. Porque ali se vê o fim de todos os homens." Sim, o fim de todos os homens é a morte, mas ninguém se acostuma a isso.
"A vida...
Sempre desejada, por mais que esteja errada.
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte..."

E nessas horas eu fico me sentindo quase culpada, por estar vivendo um tempo de felicidade tão intensa. Mas peço a Deus que alivie os corações enlutados, e providencie motivos para que eles voltem a sorrir.

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