12.8.08

Dentro e fora

"Por fora
tenho tantos anos
que você nem acredita.
Por dentro, doze ou menos,
e me acho mais bonita.
Por fora, [óculos;]
algumas rugas,
gordurinhas,
[prata] nos tintos cabelos.
Por dentro sou dourada,
Alma imaculada,
corpo de modelo.
Por fora, em aluviões,
batem paixões contra o peito.

Paixões por versos, pinturas,
filosofia e amigos sem despeito.
Por dentro, sei me cuidar,
vivo a brincar, meio sem jeito.
Não me derrota a tristeza;
não me oprime a saudade;
não me demoro padecente.
E é por viver contente
que concluo sem demora:
é a menina
que vive por dentro,
que alegra
a mulher de fora!"

(Luan Jessan)

Mais uma vez encontro escrito algo que me dói não ter saído de mim. Mas logo a dor passa, e fico contente por ter encontrado uma alma que sente e pensa - e consegue expressar - a mesma coisa que eu.

O espelho não diz quem eu sou, diz somente quem me contém.

E quem eu sou? Sou o amor que me move a sonhar, crescer, criar... que me toma de maneira tão intensa, que às vezes dá vontade de chorar. Sou o ímpeto de justiça, de quem quer consertar o mundo, que se revolta com a maldade e tudo o que é mesquinho. Sou a doçura de quem se acha mãe daqueles a quem não pariu, que aconchega nos braços e enxuga as lágrimas. Sou a força que segura a barra de quem está triste, ferido ou magoado, que encoraja a buscar novos rumos, a fazer janelas nas paredes cinzentas. Sou também a fragilidade diante de um problema pequeno, como uma taça de cristal que se quebra com um vento mais forte. Sou a carência assumida de um porto seguro e sou o porto seguro pra quem é carente. Sou o calor do sol que aquece o corpo e o coração, sou o barulho da água que nasce da pedra. Sou o que amo, sou o que desejo. Nem melhor nem pior do que ninguém, mas não sou simplesmente o que se vê ou o que me dizem ser.

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