23.10.08

Sobre liberdade e patrulhamento

Já muitas vezes coloquei aqui sobre minha vontade de dizer coisas e como me sinto sobre ficar me policiando, e acabo dizendo o que quero só nas entrelinhas. Já pensei num blog anônimo, usando pseudônimo… E me pergunto: "Por que? Por que tenho que esconder minha opinião sobre sejaláoquefor?" Só pra não provocar polêmica? Só pra não ser criticada? Não sei se é um motivo forte o sufuciente.

Sei que nem sempre me sinto forte para lutar pela minha liberdade de expressão, e depois de trabalhar na rádio, fiquei um pouco mais visada aqui nessa cidade pequena… tanto que na época da política não comentei nada (ou quase nada) sobre os candidatos, suas propostas (ou falta delas) e coisas afins.

Outro dia a Alcyone me perguntou se eu não iria falar sobre o caso da Eloá. Eu respondi a ela que  já não aguentava mais a overdose desse assunto na TV, e que me reservava o direito de não querer esse assunto no meu blog. Não que eu não tivesse o que dizer. Pelo contrário. Tenho, sim, muito o que questionar sobre as atitudes da polícia, dos pais dela, dos pais dele, da amiga… mas meus questionamentos iriam surpreender muita gente, e eu não estava com vontade de "brigar" nem mesmo via comentários no blog.

E esse foi apenas um exemplo. O fato é que hoje li no Contraditorium  um post que me deu uma sacudida. Aí vai um trecho dele:

"Os blogs acabam evitando tocar nos temas polêmicos, só para descobrir que tudo é polêmico. Os posts se tornam pasteurizados, diet, sem-sal, verdadeira comida de hospital recomendada por nutricionistas, isenta de qualquer sabor. Alguns ainda sobrevivem mantendo as falsas polêmicas, com posts falando mal da Microsoft, dos políticos (sempre genérico, sem nome ou partido).

O mais assustador entretanto não é que os blogs param de falar mal do que não gostam, é que param de falar bem do que gostam. As Hordas invadem os posts mesmo quando estes falam bem de algo, pois não basta você não criticar o que gosto, não pode elogiar o que não gosto.

Eu não quero uma blogosfera com patrulhas. Não quero gente escrevendo exigindo que eu apague posts apenas porque ele não gostou. Não quero ter que ficar pensando 5 vezes uma frase, imaginando quem irá se ofender com ela. A magia dos blogs está em sua liberdade, mas quando nós blogueiros vivemos a autocensura, de que adianta essa liberdade? Quando uma minoria barulhenta decide o que a maioria silenciosa vai consumir temos tudo menos liberdade.

Não era pra ser assim. Não é essa blogosfera que eu quero fazer parte, eu achava sinceramente que tínhamos evoluído, mas a mesma mentalidade que promove boicote em portas de cinema, protestando contra filmes que a pessoa não pretende ver impera no mundo online. Todo mundo quer decidir o que o outro pode ver, consumir, assistir, gostar.

Blogueiros, leitores, compatriotas! Saiam de seus bunkers. Eu quero ler sobre seus gostos, suas experiências. Não quero seus posts escritos com medo. Esqueçam o patrulhamento. Moderem os comentários, apaguem sem dó se preciso for, mas sejam verdadeiros. Seu texto, você, é seu maior bem.

Vamos retomar a Internet para os que a amam de verdade, e não amam detestar tudo que há nela." [grifos meus]

Lendo isso, me senti uma covarde completa. Não quero ver meu blog com textos diet e sem sal. Quero voltar a ter coragem de dizer que gosto – ou não – sem me importar com o que os outros pensem/sintam/digam. Afinal, não é isso que é um blog? Um espaço PESSOAL, onde as opiniões DO BLOGUEIRO são expostas, sem que precise haver uma reunião pra decidir a pauta?

"Coisas" acontecem e nem sempre eu escrevo sobre, somente querendo manter a política da boa vizinhança, ou em outras palavras, não querendo arranjar sarna pra me coçar.  Mas a sacudida do Cardoso valeu, quem viver, verá.

Se você não entendeu nada do que eu disse, releve. Posso garantir que estou lúcida e não é época de TPM. Espere um pouco, quem sabe você entende. ;)

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