1.12.08

Duas campanhas que se excluem

Bem, me autoindiquei (sem hífen, já seguindo a nova regra gramatical) para participar da campanha promovida pela Paz, "Dormi com o Bozo" (leiam lá), mas como ela não tem data marcada, preferi me fazer presente na divulgação do Dia Mundial no Combate à AIDS, que não tem nada pra se rir.

aids

"Transformar o 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas - ONU. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/Aids. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas. No Brasil, a data passou a ser adotada a partir de 1988." Daqui.

Algumas pessoas têm a alegria de poder dizer que nunca conheceram ninguém com AIDS, embora uma propaganda antiga dissesse que "no ano 2005 todos conheceriam alguém que contraiu AIDS". Eu não tenho essa alegria.

Tive um primo que se enterrou nas drogas e com elas veio a maldita. Tive um amigo que tomou uma transfusão e o sangue estava contaminado. [Isso foi antes dos bancos de sangue testarem o sangue usado.] Conheci alguns gays "famosos na cidade", que já se foram, levados pela mão dolorosa da AIDS. E conheço pessoas (duas) que foram milagrosamente curadas por Deus; embora alguns não acreditem, eu creio – e já vi os exames, de antes e de depois. Mas o milagre de Deus é uma questão de fé, que não cabe ser discutida, ou se crê ou não se crê e pronto, ninguém tem que ir pela crença alheia.

Também conheço um "dinossauro", gay das antigas, que já está de cabelos brancos, e viu morrerem seus colegas cabelereiros mas está aí, tranquilinho, em perfeita saúde. Como se explica? Não sei.

Mas eu gostaria de falar sobre o preconceito que essas pessoas passam. É doloroso se ver condenado à morte, é doloroso se perceber fragil em sua imunidade, é doloroso – literalmente – ver seu corpo minguando rapidamente. Mas com certeza dói muito mais não ter um colo pra deitar, uma mão pra fazer carinho ou um cafuné, um abraço e um ombro pra se segurar quando as pernas não aguentarem o peso de tudo. Dói e não é pouco.

Lembro de Filadélfia, [que assisti na época em que foi lançado no cinema, e me deixou arrasada, chorei mesmo e toda vez que revejo choro igual] e acho que aqueles que têm um amor e um amigo para ir junto até o fim são os que podem contar com um pinguinho de felicidade no meio de toda essa dor. Que deve doer também do outro lado, do lado de quem abraça, cuida e segura a onda.

Acho simplista dizer "use camisinha". É claro que é pra usar. Mas num dia como esse de hoje, prefiro dizer: dê a mão, o colo, o ombro. Alivia a dor de dentro e não leva nada de você!

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