9.1.09

Cale a boca e não diga besteira.

Era isso o que eu gostaria de dizer com todas as letras à infinidade de pessoas que se arvora em autoridade no quesito VIDA.

Primeiro que pra viver não existe regra básica além do RESPEITO. Acho que com respeito se vive bem, em qualquer situação. Respeito a si mesmo, a seus limites, seus medos e angústias, seus sonhos e desejos. Respeito ao outro, ocupe que função ocupar na sua vida, seja das permanentes (pai, mãe, filhos, amores, amigos) ou das temporárias (patrões, empregados, colegas, conhecidos, desconhecidos). Respeito especialmente às opiniões, idéias, convicções e crenças de cada um, començando pelas suas próprias e chegando às do outro. Respeito ao mundo, ao planeta, à vida. Cabou, só isso.

Mas não, tem gente que acha que pode sair por aí emitindo juízo de valor, e pior: apregoando verdades absolutas.

O start dessa minha revolta foi o post no blog da Rosely Sayão, ao aluno o que é do aluno.
Copiando e comentando, porque achei que um mero comentário por lá não seria suficiente nem relevante diante do que já foi dito.

"Os pais têm se envolvido em demasia com a vida escolar dos filhos. Em parte, devido a pesquisas que mostram que alunos cujas famílias se envolvem com seus estudos aprendem mais. Vamos nos deter neste ponto porque nada é mais antidemocrático do que tal afirmação.

Crianças devem ter as mesmas oportunidades para aprender, independentemente dos costumes familiares. Há pais que têm conhecimento, tempo, paciência etc. para acompanhar os estudos dos filhos. E os que não têm? Para que algumas crianças não fiquem em situação inferior nos estudos, as escolas deveriam ensinar de modo que elas não dependessem de ajuda familiar."

Tá, até concordo que todos devem ter as mesmas oportunidades para aprender, mas porque isso não é uma realidade - e jamais será - eu vou abdicar da minha responsabilidade em acompanhar a vida escolar dos meus filhos? E se eu tenho "conhecimento, tempo, paciência, etc" vou fazer de conta que não tenho só pra que meus filhos não sejam superiores a outras crianças, para ser democrática? Ora, me economize!

"Por falar nisso, o número de pais que levaram o filho a especialistas ou procuraram aulas particulares devido a dificuldades escolares foi enorme. Muitas vezes a própria escola orienta o encaminhamento. Por conta disso, inúmeras crianças foram diagnosticadas como portadoras de dislexia (perturbação da capacidade de ler), discalculia (dificuldade com a matemática), disfasia (má coordenação das palavras) e outras disfunções estranhas. Como se resolvesse algo!"

Agora foi demais! Diagnosticar não resolve, segundo ela. Mas como começar a resolver sem um diagnóstico inicial? E a escola está errada em recomendar um especialista? Então a própria escola tem que resolver os problemas de aprendizagem que muitas vezes são físicos, psicológicos ou neurológicos? "Outras disfunções estranhas" foi uma colocação péssima. Alguém poderia dizer a essa senhora o quanto ela está sendo preconceituosa e discriminatória?

"A escola tem colaborado muito para aumentar as preocupações dos pais. Trabalho em grupo, por exemplo, que deve ser feito fora do período de aulas. É um tal de levar e buscar o filho que não tem tamanho, o que exige tempo e trabalho dos pais. Precisa?"

É a escola agora a responsável pela segurança pública? As crianças vão se locomover pela cidade (cidade grande ou pequena, não importa, o risco está em todo lugar) por conta própria, só porque alguém acha que os pais não devem levar os filhos porque isso exige tempo e trabalho? Não quer gastar tempo e trabalho com filhos, não os tenha. Se teve... eles são sua responsabilidade e isso implica em investimento [não gasto] de tempo e trabalho.

"A escola também passa aos pais a responsabilidade de resolver a questão das notas baixas, em comportamento e em conteúdo. Ora, esse papel não é da escola junto ao aluno, qualquer que seja sua idade?"

Sim, a escola tem o papel de trabalhar a educação global do aluno [notas, comportamento, conteúdo], mas a escola trabalha com muitos, centenas de crianças. Pais, cada um com os seus. Muito mais produtivo se cada pai observar seu filho e acompanhar a escola nesse processo.

"O fato é que a vida escolar, com as dificuldades que apresenta, com os desafios que comporta, com as angústias que produz, deveria ser uma responsabilidade assumida pelo próprio aluno. "A escola deveria ser, para a criança, a primeira batalha que ela tem de enfrentar sozinha, sem os pais; deveria estar claro que esse é seu campo de batalha próprio, onde só poderíamos dar-lhe uma ajuda ocasional e irrisória", diz Natalia Ginsburg."

Hã? "Ajuda ocasional e irrisória"? Para que, se é irrisória? [Houaiss: "irrisório: pequeno demais ou demasiado insignificante para ser levado em consideração."]Vou deixar que um menor absolutamente dependente de mim encare uma batalha muitas vezes cruel, como dificuldade de leitura ou com as exatas...? Além disso, ela trata o "aluno" como um adulto pura e simplesmente. Não identifica a idade, e esquece que pode ser uma criança bem pequena assim como pode ser um adolescente com todas as angústias e ansiedades que podem existir em qualquer idade.

"É preciso lembrar que, quanto mais os pais se envolvem com os problemas escolares do filho, menos este os assume como seus, mais os pais se estressam e menos têm paciência no relacionamento com o filho. Por isso, vamos tentar deixar a escola a cargo dos estudantes.
Eles podem resolver sozinhos e a seu modo os problemas, eles merecem a oportunidade de saborear as conquistas e enfrentar os fracassos que experimentarão. Vamos confiar neles e dedicar nosso tempo, paciência, disponibilidade e tudo o mais para construir e manter o eixo afetivo familiar."

É claro que não quero que meus filhos deixem de assumir seus que problemas escolares, mas de toda forma eles me afetam, já que eu sou A MÃE deles. E quero saborear com eles as conquistas e experimentar os fracassos, seja na mesa de jantar ou na hora de fazer as tarefas. E consciente de que MEU tempo de escola já passou (mas quero sempre aprender mais) e que agora é a vez deles. Ah, sim, só pra registrar, não tenho mais filhos em idade escolar, uma está no último ano da faculdade e o outro entra agora.

Acima de tudo, o equilíbrio é essencial. E o respeito, é claro. Embora às vezes dê vontade, como agora, de mandar a criatura calar a boca e parar de dizer besteira. Respeitosamente, é claro.

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