9.2.09

Os mitos e suas realidades

Ontem estava conversando com uns amigos sobre Lampião, o que ele foi na realidade e o que ele representa nos dias de hoje. Já falei sobre isso num post no dia em que se celebravam os 70 anos da morte dele. Mas o que me traz aqui hoje é outro mito. Hoje, 9 de fevereiro, seria o aniversário de Carmem Miranda, que este ano completaria cem anos.

Já vi várias postagens sobre o assunto, algumas bem interessantes e que divulgam eventos, como o Almoço Carmem Miranda e o lançamento do livro "Carmen - uma biografia" do jornalista e escritor Ruy Castro, que derruba mitos sobre a cantora. [informação dada pela Luma, aqui].

Aí eu lembrei da exposição que vi no MAM em Salvador há um tempinho atrás (achei um vídeo no youtube, mas tá ruinzinho, com fotos viradas... quem quiser ver, é aqui). A exposição tinha uma linha do tempo com a história da moça, uma história bem complicada e nada fácil, é bom dizer, fotos - muitas, roupas, vídeos, cartas, documentos, objetos... muito legal mesmo.

Eu não conhecia muito sobre a Pequena Notável, e gostei de conhecer mais, com tantos detalhes, a vida de uma artista tão famosa, que levou o nome do Brasil para o mundo, mesmo sendo portuguesa.

Mas... "levou o nome do Brasil para o mundo" quer dizer mesmo o quê? A figura da baiana rebolando com uma bandeja de frutas na cabeça e revirando os olhos? Sei não...

Essa questão da representação e criação do imaginário coletivo é o tema da minha dissertação de mestrado, olhando o lado do turismo rural do cacau e as descrições amadianas sobre a nossa região.

Eu sou mesmo do contra, e questionadora, não é de hoje. Abri o youtube e fui pesquisar "Carmem Miranda". Comecei a ouvir várias músicas, mas não tive estômago para a voz estralada e com sotaque lusitano. Decididamente, celebrar o centenário dela não me diz muita coisa. Mostra somente que o mundo continua igual: as pessoas dão valor ao que todo mundo dá valor, sem questionar se é aquilo mesmo, se ao menos você concorda com aquilo.

Estou me sentindo da mesma maneira que senti quando ouvi Piaf. Não gostei da voz, do caráter, da pessoa. E falei. Sabem que nem me crucificaram por iso? Quem sabe tenho sorte e escapo novamente hoje? Hahahahaha!

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