19.6.09

Diário de bordo: 3º dia de hospital

Amanheceu, peguei a viola, botei na sacola… ops! Amanheceu e eu vi – de novo. A noite foi diferente da anterior, mas quase que a mesma quantidade de tempo dormido. Ontem à noite achei que íamos os dois dormir cedo, ele estava bem, tinha feito xixi e até jantou um pouquinho. Massss… (sempre tem um mas) sentiu muita dor. Depois de medicar com analgésicos comuns e ele continuar com dor, deram Tramal na veia.Isso às 3 da madrugada. Só que o remédio provoca náuseas, então deram Dramin, que baixou a pressão e deu aquela suadeira toda… suspende o Tramal, a dor volta, foi uma novela até conseguir tomar os dois.

Depois disso ele dormiu das 5h ás 7h, mas eu não deitei mais, fiquei na cadeira ao lado da cama. É que depois que ele dormiu, lá pela meia-noite, eu dormi também, e mal dormi, ele acordou. Tomei um susto e fiquei chateada comigo,  pois ele não consegue falar alto, e quando dei por mim ele estava quase gritando “mãe!” Não sei quantas vezes ele chamou antes que eu acordasse, então fiquei com medo de ele chamar e eu não acordar logo. Fiquei igual mãe de recém-nascido na primeira noite do bebê, olhando pra ver se estava respirando…

Consegui empurrar um iogurte e uns pedacinhos de mamão, um pouquinho de suco… ele continua sem querer comer. E agora que está sem soro, deveria ao menos sentir fome. E olha que a comida do “hotel” é bem gostosinha!

A enfermeira da noite foi uma bênção: além de super prestativa e competente, era rápida também. Bastava tocar no botão que ela estava junto. Escrevi no twitter, na madrugada: “Já estou ensaiando o discurso de agradecimento aos enfermeiros e auxiliares do Hospital Esperança – Recife.” E é verdade. Mas o discurso é no final da temporada. ;)

Agora ele está zappeando pelos canais da TV e eu vou ver se “desligo” um pouquinho. Updates durante o dia, provavelmente.

Recife 15 a 25 de junho 053

Senti falta de flores por aqui… essa aí foi capturada na beira do rio (não sei o nome) que passa ao lado do hospital.

 

UPDATE 1

“Não tenho nada a dizer
Eu fico mudo quando a dor te corta.
Seu corpo exige atenção
E nessas horas nada mais importa
Nem oração, nem poemas [sem exageros, oração importa, sim!]
Nem música, nem televisão
Nem sentir raiva, nem pena
Não adianta fugir, nem segurar sua mão. [pode não adiantar, mas eu seguro assim mesmo…]

Vou esperar do seu lado
A tempestade passar
Vou esperar do seu lado
Porque eu só posso esperar…

Queria fazer milagres [e como queria…]
Te dar alívio pondo a mão no seu peito
Limpar o céu dessas nuvens
E te entregar um dia perfeito
Mas vem a dor feito enchente
Levando o sol, te carregando pro escuro
Levando preces, milagres
E agora eu morro de pressa de chegar ao futuro [chega logo, chega!]

Vou esperar do seu lado
A tempestade passar
Vou esperar do seu lado
Porque eu só posso esperar

De que adianta você saber o quanto eu sinto
Minha dor vai ser mais problema que solução
Por fora eu disfarço o quanto eu ando aflito [e será que consigo disfarçar? Te acho tão mais forte do que eu…]
De só ter pra ter dar meu tempo
E minha inútil compaixão

Vou esperar do seu lado
A tempestade passar
Vou esperar do seu lado
Porque eu só posso esperar”.

Leoni, Quando a dor te corta. Lembrada pela Intense. Com algumas ressalvas, é exatamente como estou me sentindo.

 

Desde ontem à noite que chove. Eu sinto como se fossem lágrimas que não estão no meu rosto.

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