28.8.09

A mudança e o Desapego

Sim, é dela mesmo que vou falar. Da mudança para a casa nova. Na verdade, o apê novo, uma delícia que ainda estamos provando em pequenas colheradas. Mas eu disse que era sobre a mudança, não sobre o apê. E, senta que lá vem história. Mas é uma história com fundo didático. Afinal de contas, sou uma mestranda… hahahaha

Foi assim: Depois que resolvemos mudar, o apê apareceu rápido, resolvemos rápido e quase mudamos rápido. Agora pensem em pegar coisas (móveis, roupas, livros, CDs, panelas e afins) de duas casas e fazer caber em uma. Na minha cabeça estava muito claro: Levaremos o que for melhor de cada um: cama, a dele. Guarda-roupa, esse eu nem tinha. Sofá, os meus. E por aí seguindo.

Comecei o processo de seleção e armazenagem na quarta-feira, com a pretensão de mudarmos no sábado. Comprei sacos de 100 litros que descobri da pior maneira que eram frágeis. Depois comprei sacos enooormes (e resistentes) de 200 litros, para roupas, sapatos, e outras quinquilharias. E no primeiro dia do processo de seleção, gerei três sacos (de 200 litros) de roupas e sapatos, que foram devidamente encaminhados para a doação, fazendo a alegria de habitantes de Olivença via contatos de minha mãe ou do Alto Seiládasquantas, via D. Maria, a auxiliar do lar que veio no pacote de Namorado, agora Marido: Calças jeans que desisti de esperar emagrecer para fazer caber, roupas ao estilo “mulher de pastor”, um monte de sandálias de salto que já não uso há séculos, roupas de frio de oito invernos atrás (ou mais, como saber?). Capítulo 1 da série Praticando o Desapego.

No segundo dia, foi a vez dos CDs e D VDs, livros e porcarias cheias de poeira que me deixaram (até hoje) com a garganta ardendo e o nariz entupido. Essa parte parecia ser mais light, mas, quem disse? Demorou e parecia não acabar nunca. Só acabou porque eu decidi nem ir no terceiro andar, onde se encontra minha biblioteca que nunca coube dentro de casa, e 1488 álbuns do tempo em que fotografia era essencialmente de papel. Ah, e as coisas de cozinha. Wow, esses renderam mais dois sacos (de 200 litros) e um balcão cheio de coisinhas indescritíveis, que um dia tiveram importância funcional ou emocional mas hoje só representavam mesmo LIXO. A essa altura, o Desapego se tornava algo cada vez mais fácil, e até mesmo prazeroso.

Na sexta-feira quando achei que já estava tudo mais ou menos encaminhado, lembrei dos papéis. Aaaaaaahhh! PArece que papéis se multiplicam por geração espontânea na minha mão. Sacos (perdi a conta) cheios de papel, rasgados e/ou embolados, e não foram de 200 litros porque ficava muito pesado e rasgavam. Muitos sacos. E muita poeira. E muitos espirros. E muitas lembranças, nem sempre agradáveis. E mais Desapego. Desapego, desapego, desapego. O aprendizado mais feliz dos últimos tempos! Mas o que mais me fez bem foi saber que estava começando uma vida nova.

Cada noite dessas, depois de um dia inteirinho de Prática do Desapego, chegava na casa de Namoradoe perguntava sobre a arrumação das coisas dele, que continuavam nos lugares de sempre, à exceção das coisas de cozinha que D. Maria se encarregou de empilhar. A resposta era: Depois eu arrumo.

Na sexta o montador foi desmontar os móveis da casa de Namorado (decididamente, algo não estava certo. Um montador foi desmontar? #piadainfame) e a coisa começou a ficar feia, com peças de guarda-roupa e estante espalhadas pela casa (a cama não desmontava) e eu ficando em pânico porque não via nada “acontecer” E o Desapego? Namorado não ia praticar? Um da só não é suficiente… é preciso uma prática constante até que cheguemos à perfeição.

E ele dizendo que o caminhão estava acertado para o sábado à tarde, no sábado pela manhã arrumaríamos as coisas dele, já que as minhas já estavam OK (oh, ilusão!). Começou a chover na noite de sexta, aliás, aquilo não foi chuva, foi um dilúvio, que durou quase 48h. Na manhã de sábado, dois anjos da mudança, Karol e Felipe chegaram caídos do céu para nos ajudar. Ajudar a embalar, empacotar e acomodar. Porque de Desapego, Namorado não entendia NADA. E não estava a fim de aprender.

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Só conseguimos mudar mesmo no domingo à tarde, que foi quando a chuva deu uma trégua. Além de Karol e Felipe, outro anjo da mudança, na verdade o anjo da organização, veio ajudar. Soraia conseguiu deixar os livros quase todos nos seus devidos lugares ainda no domingo à noite.

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E eu não podia deixar de falar sobre os “meninos” que carregaram a mudança. Apesar do aroma nada agradável, nos proporcionaram muitas risadas. E além de Mestre em Desapego, eu recebi o grau de PhD em Manobrista de Mudança. Porque eu mesma me surpreendi com a visão espacial que nunca tive, (sempre digo que dirijo pelo olfato, porque de espaço eu não entendo NADA) e fiquei orientando as santas pessoas que diziam que “a geladeira não passa da porta” ou “o sofá não desmonta” e “o sofá não sobe”. Bom, meu sucesso só não foi maior porque eles largaram aqui embaixo a nossa cama, a escrivaninha e a cômoda, que deveriam er subido pra suíte. E misturaram as peças do guarda-roupa e da estante, o que provocou um trabalhinho extra para o montador, que veio na segunda.

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Quando as coisas já estavam todas dentro de casa, fomos jantar: caruru, vatapá, moqueca de frango e catado de aratu, encomendados na mão de Lilia e que foram a salvação da lavoura. Olha as caras de felicidade:

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Então a desembalagem ficou por minha conta, e sozinha, já que a ajuda de Karol na terça foi para as atividades externas: compras de mercado e de coisinhas que estavam faltando para o bom andamento da vida doméstica. E foi na hora da desembalagem que a função Desapego foi ligada na potência máxima. Tentando ser boazinha com Namorado e respeitar as ligações emocionais, saí abastecendo dois novos sacos de 200 litros com louças, plásticos, vidros e seilámaisoque que vão ser encaminhados ainda hoje a seu destino final. Fora o que foi para o lixo literalmente.

No momento a casa já está com cara de casa de gente, embora ainda tenha muita coisa fora de lugar (os móveis que faltavam ainda não subiram), mas tá ficando bom. Ainda não fotografei, e vou deixar pra quando tudo estiver prontinho.

Resumo da ópera: Caso alguém aí esteja querendo mudar, pode me chamar que eu ensino o Caminho do Desapego.

Um comentário:

Karoline Vital disse...

Quem é essa gordinha e esse magrelo nas fotos, te ajudando na mudança???