7.8.09

Sem título, porque não sei como chamar e nem quero pensar num rótulo

Um dia eu achei que escrevia bem. Um dia, bem lá atrás, quando ainda era uma menina magrinha e tímida, chorona e romântica (bom, chorona e romântica eu ainda sou). Mas nesse dia distante, quando ninguém lia o que eu escrevia, eu sozinha me bastava. Achava que escrevia bem e pronto. O auge da glória foi quando a professora de redação leu uma resposta que escrevi a Minha Namorada, de Vinícius (sério, eu ainda lembro o que escrevi, mas tenho medo de tentar colocar no papel e não achar tão bom…). E ao lado da minha melosidade, ela leu a de um colega que dizia exatamente o contrário, que a namorada dele não poderia ser DELE, precisava ser DELA e só DELA. Enfim, foi a glória. Ah, ela leu anonimamente, isto é, ninguém na sala ficou sabendo que o texto era meu.

Depois eu comecei a escrever cartinhas que eram lidas em público, em datas especiais. E todo mundo gostava, todo mundo dizia que eu escrevia bem. Até o dia em que criei este blog, e vieram outras pessoas a dizer que eu escrevia bem. Pra falar a verdade, muitas vezes eu gosto do que escrevo, mas isso está ficando cada vez mais raro. E me pergunto: qual o motivo?

Hoje li um texto da Tati Bernardes, onde ela fala sobre escrever bem. e entre os conselhos que dá, dizendo explicitamente que escreve sem pensar (e eu também) e que não tem “cacife” pra dar conselhos sobre o assunto, ela indica autores, livros e filmes e eu me desespero, percebendo que mesmo me achando uma apaixonada por livros, não li quase nada do que ela indicou, e não vi quase nenhum dos filmes que ela citou. Vai ver que é por isso, por que eu parei de ler por prazer puro e simples (estou lendo mais do que nunca, mas tudo “por obrigação”) e porque o tempo pro cinema está super reduzido, que não estou me sentindo a “grande escritora” que um dia tive certeza que era.

Mas o conselho final da Tati Bernardes me agradou. E muito:

Uma coisa aqui: se você quer conseguir algo escrevendo: ESCREVA E MUITO. Mas escreva como só você escreveria.

Então, pessoas, sorry por escrever muito (já teve gente que reclamava direto por meus posts serem loooongos), mas é a vida. Não procuro escrever me espelhando em ninguém, embora sempre existam os preferidos para ler. Quero continuar escrevendo – e me bastando – sem precisar do elogio de ninguém, sem me sentir ofendida com a falta deles (os elogios) e sem buscar um sentido especial para cada texto que vem do fundo da alma. Quero escrever e pronto. Usar como catarse, como desabafo, como terapia, sei lá. Quero continuar livre para escrever coisa séria e dar minha opinião sobre o que me interessar, e quero ser livre para também escrever “perfumaria”, como diz Namorado. Fazer listinhas inocentes e outras nem tanto, me descobrir e me mostrar, me esconder e usar as mais diversas figuras de linguagem para dizer o que quero… É só isso.

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