25.8.09

Sobre suicídio e depressão

Nos últimos dias esse foi um assunto recorrente por perto de mim. Na quinta-feira, o tio de um amigo meu tomou chumbinho. E da mesma maneira que a Jady contou, na sexta li no Reader um post assim:

"Aos AMIGOS da Marisa

O Velório será no cemitério do Araça na madrugada dessa noite a partir da 01:00 até o meio-dia desse sábado, 22 de agosto.
O Enterro será em seguida no Cemitério de Caminópolis - Santo André."

Como não conhecia (nem virtualmente) a Marisa Toma, e como estava às voltas com a mudança, não dei muita atenção, nem fui saber exatamente o que tinha acontecido. Realmente eu não tinha qualquer contato com ela, o blog Objetos de Desejo não é um dos que eu seguia, e nem NINGUÉM que eu seguia no twitter comentou nada.

Hoje, depois do post da Jady, a curiosidade bateu mais forte e fui procurar quem era Marisa Toma. Diretora de Criação de uma agência de publicidade, 33 anos, ao que parece, uma pessoa realizada profissionalmente e feliz. Se matou com uma facada no peito. E deixou duas mensagens no twitter que podem ser entendidas como uma despedida, ou um anúncio do que iria fazer. Gerou todo tipo de reações por lá e nos blogs a fora.

Via twitter, cheguei a dois textos bem interessantes. Uma homenagem de uma amiga e uma reflexão sobre o suicídio. Eu até teria uma opinião sobre o possível suicídio (desconfio muito... mulher não se mata com faca no peito. Tomar um monte de comprimidos seria muito mais fácil - e limpo!) mas não é isso que quero abordar aqui.

Os comentários no texto do Pablo Villaça mexem com um pedaço complicado desse assunto, pois muitos comentaristas tentaram o suicídio ou chegaram muito perto. E citam como motivo a depressão e o uso - ou não - de medicamentos.

Como eles, eu sofro de depressão, dependo de ajuda química pra ficar normal, estável. A origem da minha deprê é a ausência da tireóide, e consequente desregulagem hormonal, que implica em um monte de coisas, inclusive nessa "melancolia profunda", desânimo total, tristeza, deep blues, como queiram chamar.

Não vou me colocar como dona da verdade nem achar que o meu caso é parâmetro pra quem quer que seja. Mas EU nunca cogitei nem de longe a idéia de acabar com a minha vida. Com toda deprê, nos meus piores momentos, quando fiquei largada numa cama ou num sofá, sem ânimo ou forças para levantar e viver, a idéia de suicídio, graças a Deus, sempre se manteve distante. Eu quero mais é VIVER, e isso provoca um desespero interior, exatamente porque existem momentos em que o organismo "pede" medicamento (eu tomo sertralina agora, mas já tomei fluoxetina, venlafaxina, rivotril, e deve ter mais algum que esqueci agora, junto com frontal ou olcadil) e por algum motivo (falta de receita ou de dinheiro momentaneamente) fico dois ou três dias sem atender a esse pedido, já começo a ficar chorosa, desanimada, passiva... Ainda bem que tenho amigas que me despertam: "Tá tomando seu remédio?"

Ah, não tenho dúvidas: Tomo mesmo, sem medo de ser feliz, aliás, por isso mesmo, para viver bem e feliz. E acho - só acho, não me interpretem mal - que se as pessoas encarassem com naturalidade a depressão, e a vissem como algo que não é desejado mas já que está aí precisa ser tratado, boa parte do problema já seria resolvida. Sei que estou mexendo em vespeiro, algumas pessoas vão defender a química, outras vão dizer que exatamente pela química é que ficaram mal... mas o ponto é mais profundo. É como se vê a depressão, que conta. Sem medo dela, sem supervalorizar mas também sem subvalorizar. Encarando de frente, buscando ajuda profissional e emocional (amigos e amores são excelentes "remédios"), focando no trabalho e/ou estudo... e deixar de olhar pro próprio umbigo também dá resultado!

Nem sei se disse tudo que eu queria, mas... sempre podemos retomar o tema. ;)

Boa noite... e boa sorte.

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