29.10.09

Dia Nacional do Livro

Só pra variar, eu, que tô mais pra lá do que pra cá, vou parar de reclamar um pouquinho e falar de algo mais interessante.

Hoje, 29 de outubro, é o Dia Nacional do Livro. Juro  que a notícia dada por Marido (encontrada no site da UESC) me pegou de surpresa. Pra mim, o dia do livro era 18 de abril, aniversário de Monteiro Lobato.  Por que mudou? Fui no Pai Google, e… bingo! 18 de abril é Dia Nacional do Livro INFANTIL! e hoje, 29/10, é de todos os outros livros, que não sejam infantis – eu acho. (!)

O último que li fala exatamente sobre a leitura, embora quem quiser e procurar possa achar também uma história romântica, questões éticas (culpa e omissão) e até mesmo uma boa dose de erotismo e sensualidade. Foi “O Leitor”, romance de Bernhard Schlink.

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Eu gosto quando leio algo e acho – veja bem, acho- que entendi uma mensagem que vai além da história principal narrada no livro. Porque ler um romance (perdoem-me os técnicos no assunto literatura, romance pra mim é qualquer livro não-técnico) e ficar só na historinha que ele conta, é molhar os pés no mar e não mergulhar. Eu quero mais é que aquela historinha me leve a pensar em outras coisas, me faça questionar e refletir, me faça aprender algo, ou ao menos me lembrar de algo que eu já sabia mas estava adormecido em um cantinho qualquer da memória.

Às vezes o livro em si é tão raso que não permite um mergulho com facilidade, mas no geral depende mesmo é das “competências do leitor”, para conseguir enxergar e apreender algo além do que está escrito.

Eu adoro ler, e acho que piraria se ficasse impedida de ler, seja por que motivo fosse. (Ainda bem que existem agora os audiolivros, e os leitores, é claro!) E quando penso na quantidade de analfabetos – reais e funcionais – bate o desespero. Já alfabetizei algumas pessoas, além dos meus filhos, e fico feliz demais ao ver o progresso de alguém na leitura, seja criança ou adulto, mas especialmente adultos, que já perderam tanto tempo, e só tardiamente conseguem adquirir essa competência.

Então, celebrando esta data – e a melhora do meu humor – vou repartir com vocês duas idéias interessantes que encontrei na web sobre livros.

Tem a idéia do Livro para Voar, programa mantido pela rede de postos de gasolina ALE (publicidade gratuita) e que permite que você “liberte” um livro, e acompanhe sua viagem pelas mãos de outros leitores. O Livro Livre tem a mesma idéia, com algumas variantes. Gostei mais desse programa.

Recentemente me inscrevi num programa de Clube do Livro da editora Record, por conta de um post da Samanta Shiraishi, mas ainda não obtive resposta. Estou aguardando ser “aceita” para participar fazendo resenhas sobre livros que li. Mas se não for, tem nada não, continuo escrevendo aqui mesmo. ;)

Pra completar, Livros, de Caetano, pra inspirar o fim de tarde. (Clica aqui pra  ver se ouve… meu note tá de bronca comigo e não sai som nenhum)

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras

Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas

Quem sabe hoje não é um bom dia para uma novidade literária na sua vida???

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