27.10.09

Não-post sobre sentimentos controversos

Acabei de ler o post da Karina Cabral sobre a aceitação do diferente e os preconceitos, e ele me deu forças pra escrever, ou melhor, pra não escrever, já que esse é um não-post.

Não quero fazer deste blog um muro de lamentações, mas ao mesmo tempo me sinto a ponto de vomitar um monte de coisas que estão embolando na minha garganta, e que não posso dizer, para ser politicamente correta. Não estou nem aí se tem gente que não vai entender nada, ou se tem gente que vai entender o que eu não disse. E muito menos se alguém vai conseguir captar de verdade as entrelinhas.

Sei que com o sucesso da cirurgia de minha mãe todo mundo fica esperando que eu esteja com um sorriso colgate de propaganda de margarina. E não é que eu não esteja agradecida a Deus [e a todo mundo que tem colaborado para que tudo esteja saindo bem] e feliz por tudo ter acontecido como aconteceu. Mas é que minha vida não se resume a esse problema. Existem outros, talvez até maiores, por trazerem mais consequências, e com os quais eu não estou tendo tempo/forças/condições de me envolver, aliás, nem de assumir que eles existem.

Só que eles existem, sim, estão batendo na minha porta, e eu fico como naqueles pesadelos em que a gente fica presa no chão, vendo o monstro ou o velho-do-saco se aproximando e sem conseguir desgrudar do chão, apesar de fazer força para as pernas se mexerem.

Estou sentindo minhas forças sendo sugadas, se esvaindo, e ainda assim tendo que segurar outros. Vontade de chorar, de correr, de gritar, de mandar calar a boca, de dormir, de tomar coca, de comer chocolate, de uma massagem, de um carinho, de ouvir uma voz amiga, de não ouvir ninguém, de falar um monte, de não falar nada, de sair, de sumir, de ver o mar, de não ver ninguém, de escrever, de deletar…

As cobranças surgem de todos os lados – sem exceção – e cansa. Cansa ter que ser o que se espera que a gente seja, cansa ser forte sem ser, cansa abdicar de gostos e vontades, cansa, cansa, cansa.

No meio disso tudo, eu quero dizer que a cada dia eu provo que amizade é coisa séria, e que existem mãos estendidas que me ajudam a me equilibrar e atravessar a-ponte-do-rio-que-cai, com telefonemas, serviço de delivery-de-mim, empréstimo de conexão 3G, e coisas desse tipo, que só amigos fazem. É, eu tô chorando.

Nenhum comentário: