29.10.09

Texto antigo, mas atual

Depois de um “bom dia” mau humorado no twitter, recebi da Patrícia Daltro esse texto da Martha Medeiros, que já rodou o mundo (e acho até que já publiquei ou falei nele aqui no blog, mas tô sem saco de linkar. Bom, meus comentários estão entre colchetes. E vão desculpando o mau humor, é fruto de uma noite muito mal dormida [ou várias] e do fato de ver pouca gente durante os últimos dias… ou TPM, quem sabe? Eu não controlo meu ciclo hormonal.

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa [na medida que dá] profissional, mãe, filha e mulher que também sou:
trabalho todos os dias, ganho minha grana [pouca, mas honesta], vou ao supermercado [mesmo sem gostar. ainda bem que Marido gosta], decido o cardápio das refeições [not!], cuido dos filhos, marido (se tiver) [ele que diz se eu cuido], telefono sempre para minha mãe [pula essa parte, que eu tô 24h/dia com ela], procuro minhas amigas [e acho, ainda bem!], namoro [ufa!], viajo [agora preferia um milhão de vezes estar em casa], vou ao cinema [quando passa algo que preste no Santa Clara], pago minhas contas [nem todas em dia, mas sempre pago], respondo a toneladas de e mails [que peso tem cada e-mail?], faço revisões no dentista [ops!…], mamografia [e nem acho que dói], caminho meia hora diariamente [menthira!], compro flores para casa [não, mas tenho flores em casa, plantadinhas], providencio os consertos domésticos [errr…] e ainda faço as unhas [religiosamente] e depilação [com lâmina, pode me matar. cansei de sentir dor com cera quente ou fria]!
E, entre uma coisa e outra, leio livros [não necessariamente os que deveria, Moscovici está passeando comigo mas não abre a boca pra me dizer nada…] [ e leio revistas, jornais, rótulos vários e bulas de remédio].
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO. [aprendi???]
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás[ô liçãozinha difícil, sô!].
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero [ e retiro a Coca Zero?].
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho [você é que pensa… ].
Você não é Nossa Senhora [nem Senhora de ninguém… muito mal mando em mim!].
Você é, humildemente, uma mulher [prazer, Anabel].
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias! [Trinta dias!]
Tempo para uma massagem [Tâniaaaaaaaaa!!!].
Tempo para ver a novela [mas pelo menos a novela poderia prestar, né?].
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza [ihhh… manda isso pra Jady, eu passo os produtos de beleza. Mas não a amiga, bem entendido.].
Tempo para fazer um trabalho voluntário [olhe, me deixe. de trabalho voluntário eu já dei a minha cota para a humanidade. agora preciso é de rabalho que me faça ganhar dinheiro]..
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto [ou umas cortinas…].
Tempo para conhecer outras pessoas [ah, não tô boa pra conhecer gente nova agora, não. Mal consigo administrar as velhas…].
Voltar a estudar [tô estudando, tô estudando]
Para engravidar [outro ponto pra Jady].
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado [pode ser um blog?].
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada [!!!!! hahahahaha] e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra [Me explica, me ensina, me diz o que é feminina…].
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem [tá, eu já provei pra mim mesma que sou imperfeita, e mais do que isso, DDA. Já basta?].
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si [no momento, tô mais pra caco do que pra mosaico…].
Se o trabalho [substitua “trabalho” por “…” ] é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. [Esquecer o quê, mesmo? Eu nunca lembrei dessas coisas. Só queria meus amores, meus discos e livros… e nada mais]
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir [isso eu já sei, faz é tempo!] que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.'


Martha Medeiros - Jornalista e escritora. Comentado por Anabel Mascarenhas – Comunicóloga, Mestranda em C&T e blogueira [e cansada].

Valença 11-10-09 Cau 006 Indo pro atracadouro de Valença. Ô vontade de estar lá de novo…

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