9.11.09

Das semelhanças, ainda que improváveis e da saudade

Sábado fui encontrar Marta, minha prima, pra botar a conversa em dia, e matar a saudade. Aproveitei pra dar um beijo nos tios, dar notícias de Mamis, e curtir um pouquinho a família. Não tenho encontrado muito meu povo, ultimamente, por conta da mudança – fiquei mais longe do centro, onde a maioria mora, não estou mais fazendo pilates, que era onde encontrava uma turma boa – também porque viajei, porque estou trabalhando num horário-cocô… enfim, estou distanciada da família – o que não é bom, o contato com eles me faz MUITA falta.

Mas não era sobre isso que eu queria falar. Enquanto estava na casa de tia Madalena, tomei um susto, quando vi uma garotinha, pré-adolescente, entrar e sentar no sofá.

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Explico: Me assustei, porque quando ela entrou, vi a minha Line. Na aparência geral, no cabelo, no corpo, na expressão do rosto, no jeito de andar, de sentar, e até na roupa. Instantaneamente peguei a câmera e pedi: Não se mexa, quero você assim. Maíra é filha de minha prima, então, minha prima em segundo grau, e prima de Line em terceiro. A herança genética em comum já é bem distante (não estou a fim de fazer cálculos percentuais) e eu e a mãe dela não temos grandes semelhanças, ou melhor, não parecemos em nada: nem no físico, nem no jeito. Mistérios da natureza ou da ciência, que não saberei e nem tentarei conhecer.

Só que ver Maíra ali, sentadinha no sofá toda desconjuntada, como Line ficava, deu uma saudade doida da minha menina. E foi saudade da menina, sabem como? imageDe  ter a minha menina em meus braços.

 

Porque nem tem como esconder, o tempo passou, ela cresceu, virou gente grande e parou de querer colo. (Ou melhor, arranjou outro colo – e não é ciuminho, não, é só constatação.) A distância, que antes era só física, parece que aumentou em outras dimensões também. E eu sinto falta. Falta de ouvir Nando Reis e não fazer sentido pra mim, só pra ela… porque hoje fazem sentido músicas como essas:

Onde aconteceu? não sei.
Onde foi que eu deixei de te amar?
Dentro do quarto só estava eu
Dormindo antes de você chegar..
Mas não..
Foi ontem que eu disse não..
Mas quem vai dizer tchau?

Ou essa:

Diga que é pra ela voltar
Que sem ela eu não passo nada bem,
Que duas pessoas não deixam de amar, Que uma pessoa só não conta
Que uma pessoa só não é ninguém.
Escuto um barulho num silêncio que chora,
Não reconheço esse som,
Não ouço o riso que ouvia outrora
Pois seu sorriso ela levou.
Eu entro sozinho e fecho a porta,
Acendo a luz e não encontro mais niguém

Pode falar que é apelação. E é mesmo. Em momento algum eu nego que mãe é o ser mais chantagista da face da terra. Sinto falta, sofro, só não choro porquenãosoudisso, e já cansei de dizer pra ela “voltar”, que “sem ela” eu não passo nada bem. Mas sabe quando beijo e abraço pedido não conta? É igual.

Por que eu tô fazendo esse post e pagando esse mico em cadeia nacional via web? Porque dói ver twittadas pra 1488 pessoas e zero  pra mim. Porque dói sentir que mãe deixou de ser uma companhia desejada seja no telefone, no gmail ou no skype. Porque dói sentir desinteresse na voz. Porque dói ligar sempre e nunca receber ligações. E porque eu tô mesmo um porre, hiper-super-mega sensível, e precisava desabafar.

#ProntoFalei.

PS- Tô chateada porque hoje planejei pegar os exames da tireóide e levar pro Dr. Endócrino ver, e esqueci que ele não atende na segunda pela manhã. Amanhã vou acordar cedo e rumar para Itabocas, levando o notebook e as Representações Sociais de Moscovici.

Fui, galera. Boa noite. E boa sorte.

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